Onde investir na renda fixa em maio: bancos e corretoras recomendam Tesouro Direto, CDBs, LCAs e outros títulos isentos de IR
De títulos públicos a debêntures incentivadas, veja as indicações de Santander, XP e BTG na renda fixa para este mês

O cardápio de recomendações de renda fixa por parte das corretoras e bancos que costumam fazer indicações mensais nesta classe de ativos está bem variado em maio.
Com os juros em queda, mas ainda num patamar elevado, há apostas tanto entre títulos pós-fixados (indexados à Selic ou ao CDI) quanto entre os prefixados e indexados à inflação; também há indicações de títulos públicos no Tesouro Direto e títulos privados, entre eles CDBs e diversos papéis isentos de imposto de renda.
Recentemente, os juros futuros viram uma forte abertura, devido às incertezas do mercado quanto à trajetória das taxas nos Estados Unidos, o aumento da percepção do risco-país com a mudança na meta fiscal para o ano que vem e a necessidade de ajuda do governo federal ao estado do Rio Grande do Sul, e, mais recentemente, devido à divisão de votos entre os diretores do Banco Central na última decisão de juros.
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As projeções para a Selic ao final deste ano e no fim do ciclo de cortes foram revisadas para cima, e agora muitas instituições financeiras acreditam que a taxa básica de juros não chegará ao patamar de um dígito, ao menos não tão cedo.
É o caso, por exemplo, da XP Investimentos, que na sua recomendação de investimentos de renda fixa do mês reforçou a expectativa de Selic em 10,00% no fim de 2024 e 2025.
Neste cenário, os investimentos indexados à Selic e ao CDI mantêm a sua atratividade. Os prefixados e indexados à inflação vêm experimentando desvalorização, mas suas taxas voltaram a patamares bastante atrativos para quem os adquirir agora.
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Lembrando que esses investimentos sempre pagam o retorno acordado na compra quando levados ao vencimento.
Títulos públicos e Tesouro Direto
Começando pelo Tesouro Direto, o Santander manteve a sua recomendação para o título público Tesouro IPCA+ 2035, dadas as incertezas do cenário doméstico e internacional. Atualmente, o papel remunera elevados 6,07% ao ano + IPCA.
Caso haja uma piora da percepção de risco, com alta do dólar e pressão inflacionária, o título oferece proteção contra a alta de preços, mas pode se valorizar caso o cenário macroeconômico melhore e os juros futuros caiam.
Já a XP Investimentos recomenda, entre os títulos públicos, o Tesouro Selic 2027 para a reserva de emergência; a corretora também indica para investimento o Tesouro Prefixado 2026 e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2028.
Estes dois últimos não são oferecidos no Tesouro Direto, precisando ser adquiridos no mercado secundário de títulos públicos, via mesa de operações da corretora.
No Tesouro Direto, o Tesouro Prefixado de prazo mais próximo é o que tem vencimento em 2027, e atualmente paga 11,03% ao ano; e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais de prazo mais próximo ao 2028 é Tesouro IPCA+ 2029 (sem pagamento de juros semestrais), que remunera atualmente 6,03% + IPCA.
Títulos privados: CDBs e papéis isentos
Já entre os títulos de renda fixa emitidos por empresas e bancos, a XP recomenda dois CDBs, um pós-fixado e outro prefixado, além de três títulos isentos – dois Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e uma Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).
Recomendações da XP Investimentos – crédito privado
Título | Vencimento | Remuneração anual no vencimento* | Rating |
CDB DM Financeira – pós-fixado | 24/04/2026 | 120% do CDI | - |
CDB DM Financeira – prefixado | 24/04/2026 | 12,75% | - |
CRA Atacadão (CRA02300W3Q) | 15/01/2031 | IPCA + 6,35% | brAAA (S&P Global) |
CRA Marfrig (CRA024002ML) | 15/03/2034 | IPCA + 6,65% | brAAA (S&P Global) |
LCA Banco CNH – pós-fixado | 24/04/2027 | 96% do CDI | AAA(bra) (Fitch) |
(*) Em 08/05/2024 na plataforma XP Investimentos.
Fonte: XP Investimentos
DM Financeira
A DM Financeira atua como administradora de cartões de crédito private label (“cartões de loja”) sobretudo com supermercados focados nas classes C, D e E. O grupo tem crescido via aquisições e, em 2023, dobrou de tamanho com a compra da FortBrasil e da carteira de clientes da UZE. Em 2024, adquiriu a carteira de clientes da Credz.
“Assim, a partir deste ano (ou seja, ainda não refletido nos demonstrativos de dezembro de 2023), a DM Financeira muda de patamar em termos de ativos totais e deve receber aportes de capital, já aprovados, para adequar a sua estrutura”, diz a XP.
Embora a DM Financeira não tenha rating, a DM Instituição de Pagamentos possui rating em moeda local BBB- pela Fitch, com perspectiva estável.
Entre os pontos positivos da DM Financeira, a XP destaca o crescimento acelerado em cartões, a expertise no setor, a gestão experiente e um acionista com forte capacidade financeira – a Vinci Partners, que detém 17% de participação na holding do grupo.
Já entre os pontos de atenção, a corretora aponta a rentabilidade após a aquisição da Credz, com maior despesa de provisões da carteira legado; a possível necessidade de aportes para fazer frente às amortizações da carteira recém-adquirida da Credz; a concorrência acirrada; e o aumento da inadimplência.
Atacadão (Grupo Carrefour)
A XP observa que, embora tenha apresentado concentração da dívida no curto prazo ao final do quarto trimestre de 2023, o Atacadão concluiu as sexta e sétima emissões de debêntures nos meses de janeiro e fevereiro, totalizando R$ 2,5 bilhões, com potencial de melhora dos seus indicadores de liquidez de curto prazo.
A corretora destaca ainda que a maior parte (54%) da dívida da rede de atacarejo é composta por linhas de financiamento concedidas diretamente por seu controlador francês (Carrefour Finance).
“Do total da dívida de curto prazo, R$ 8,8 bilhões são referentes a tais mútuos, os quais esperamos que sejam refinanciados pelo controlador, como vem ocorrendo historicamente, o que reduz de forma significativa o risco de refinanciamentos da companhia”, diz a XP.
Entre os destaques positivos, a corretora menciona a resiliência da atuação da companhia, a grande escala do negócio, os bons indicadores financeiros e o controlador robusto; já entre os pontos de atenção estão a exposição às condições macroeconômicas, a dívida concentrada no curto prazo e o aumento da inadimplência do Banco Carrefour.
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Marfrig
Especializada em carne bovina e controladora da BRF, a Marfrig tem, entre seus pontos positivos, a grande escala e diversificação geográfica, resultados robustos, processo de desalavancagem e boa posição de liquidez, destaca a XP.
Já entre os pontos de atenção estão a exposição aos preços internacionais das commodities, questões sanitárias e movimentos de expansão e aquisições.
Banco CNH
Parte do Grupo CNH Industrial, o Banco CNH tem como foco financiamentos que fomentam a venda de máquinas e equipamentos produzidos pelas empresas do grupo. Desde janeiro de 2014, o banco presta também serviços financeiros à marca Iveco.
Entre os pontos positivos, a XP destaca justamente esse suporte do seu controlador, além da pulverização da carteira de crédito, com os 50 maiores devedores representando apenas 10% do total das dívidas. A corretora também destaca a qualidade das operações de crédito.
Entre os pontos de atenção, a XP aponta uma menor rentabilidade no comparativo anual e uma maior concentração da carteira em créditos de maior risco em 2023 (cerca de 10% da carteira) em relação a 2022 (8,7%).
Quem também publicou a sua tradicional carteira mensal de recomendações de títulos de renda fixa isentos de imposto de renda foi o BTG Pactual. Além de CRAs, a carteira inclui debêntures incentivadas e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
Recomendações do BTG Pactual – crédito privado
Título | Vencimento | Remuneração anual no vencimento*** | Rating local |
CRA Armac (CRA022007KH) | 15/06/2029 | IPCA + 6,44% | AA- |
Debênture Vero (VERO13)* | 15/03/2031 | N/D | A+ |
Debênture 3R Petroleum (RRRP13) | 15/10/2033 | N/D | A+ |
CRI Unidas Locadora (23L2043184)** | 16/12/2030 | IPCA + 6,92% | AA |
Debênture Rota das Bandeiras (CBAN12) | 15/07/34 | IPCA + 6,20% | AAA |
Debênture Hélio Valgas (HVSP11) | 15/06/38 | IPCA + 6,50% | AA- |
Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS14) | 15/05/43 | IPCA + 7,10% | AA+ em revisão positiva |
CRA Madero (CRA02300MZT)* | 29/10/29 | N/D | A- |
CRA Minerva (CRA02300MJ9) | 15/09/28 | CDI + 0,70% | AAA |
CRI Cogna (22E1321748) | 15/06/2029 | CDI + 0,60% | AA+ |
Debênture Origem Energia (ORIG21)* | 15/12/35 | 12,58% | A |
Fonte: BTG Pactual
Em relação ao mês anterior, o BTG Pactual excluiu a debênture da Equatorial Gás (CGOS24) e o CRI da Original Holding (22L2288683), por julgar que a forte demanda valorizou os títulos e ocasionou uma redução das suas taxas de remuneração.
No caso da carteira de renda fixa, entretanto, a exclusão dos títulos da carteira recomendada não necessariamente se traduz em uma recomendação de venda. No caso desses dois papéis, o BTG recomenda a manutenção para quem os detém.
No lugar desses dois títulos entraram um CRI da Unidas (23L2043184), como parte de uma estratégia conservadora, e um CRI da Cogna (22E1321748), já considerado parte de uma estratégia de risco moderado.
No caso da Unidas, o BTG considera o prêmio de crédito do ativo atrativo considerando-se os acionistas de grande porte da locadora de veículos (a exemplo da Brookfield), sua posição de caixa confortável e o fato de se tratar de uma empresa líder no setor, com um sólido histórico de resultados.
Como outros pontos fortes da companhia, o banco destaca ainda os ganhos de escala com a expansão da frota de veículos e a diversificação geográfica; já entre os pontos de atenção estão o modelo de expansão acelerado e intensivo em investimentos, bem como setor sujeito a oscilações de ciclos econômicos.
Já no caso da Cogna, o banco considera o prêmio de crédito atrativo considerando-se que se trata de uma empresa líder no setor educacional em base de alunos e com alavancagem em queda.
O BTG destaca ainda, entre os pontos positivos, a diversificação das linhas de negócio em diferentes segmentos de ensino, a estratégia de otimização de custos entre cursos presenciais e EAD e a diversificação geográfica; entre os pontos de atenção, figuram a geração de caixa mais estreita, os riscos regulatórios e o fato de o setor ser sujeito às oscilações de ciclos econômicos.
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