Seis meses de Javier Milei: como está a Argentina hoje para o investidor — e para o viajante — após novo presidente assumir?
Desde que assumiu, Milei colecionou algumas vitórias e derrotas no seu primeiro semestre de gestão; conheça algumas delas e saiba se a Argentina ainda é um destino turístico atrativo, do ponto de vista financeiro

No dia 10 de dezembro de 2023, o ultraliberal Javier Milei tomou posse como o presidente da Argentina. Seu discurso radical contra la casta — como ele se refere a políticos tradicionais — saiu vencedor de um debate profundamente polarizado à época.
Desde então, seis meses se passaram, com Milei colecionando algumas vitórias e derrotas neste seu primeiro semestre de gestão.
Como primeiro decreto, o novo presidente promoveu uma maxidesvalorização do peso argentino, o que chegou a mexer com os balanços de empresas brasileiras que atuam no país.
Seu projeto de linha ultraliberal chamado Ley de Bases, ou, como ficou conhecido, a Ley Ómnibus, também foi aprovado pela Câmara do país e seguiu para aprovação dos senadores.
As primeiras medidas do presidente foram consideradas positivas pelo mercado, garantindo quatro meses seguidos de superávit primário, além de um controle dos preços.
Esse saneamento das contas públicas também fez com que o Fundo Monetário Internacional (FMI), instituição da qual a Argentina é a principal devedora, ajustasse os termos de negociação da dívida e liberasse uma linha de crédito de US$ 1 bilhão.
Leia Também
- AÇÃO DO MILEI? Esta ação brasileira pode disparar com possíveis decisões do presidente da Argentina. E este nem é o único gatilho. Clique aqui para conferir o nome da ação gratuitamente.
Os reflexos sociais das mudanças econômicas na Argentina
Se o mercado vem aprovando o governo de Javier Milei, o efeito social de suas medidas ligou uma luz amarela na gestão que, desde o começo de maio, vem reduzindo o ritmo da “motosserra” — símbolo de cortes de gastos públicos durante sua campanha para presidente.
Segundo dados oficiais do governo, a população em situação de pobreza na Argentina chegou a 12,3 milhões de pessoas, o que representa 41,7% da população.
Os números, porém, estão aquém de estimativas de outras agências locais, que estimam que o dado possa ser da ordem de 50% da população.
Apesar disso, o país registrou uma taxa de desemprego de 5,4% no quarto trimestre de 2023, uma queda em relação ao índice de 6,7% registrado no mesmo período do ano anterior.
Esses números conflitantes, somados à estabilização da inflação, fazem com que a popularidade de Milei junto à população seja alta: entre 47% a 51% dos argentinos veem como positiva a imagem do presidente, enquanto a desaprovação registra percentuais similares.
Confira alguns números da Argentina desde o começo deste ano:
| Indicador | Var (%) 2024 | Var (%) Últimos 12 Meses |
| Taxa de Câmbio dólar para peso argentino (oficial) | +2,02% em 2024 | +254,28% nos últimos 12 meses |
| Taxa de Câmbio dólar para peso argentino (paralelo)* | +6,34% em 2024 | +121,5% nos últimos 12 meses |
| Taxa de Câmbio real brasileiro para peso argentino (oficial) | +3,61% em 2024 | +270,05% nos últimos 12 meses |
| Merval (principal índice da bolsa argentina) | +45,32% (em dólar) e +60% (em pesos)** | +98,88% (em dólar) e +350,33% (em pesos)** |
| Taxa de Inflação (%) | 65,0% até abril | 289,40% até abril |
| Contas públicas | Superávit de 265 bilhões de pesos argentinos (US$ 304,643 bilhões) em abril, o que representa superávit primário de cerca de 0,7% do PIB*** | O resultado de abril foi explicado por um forte ajuste nas despesas, já que a receita total aumentou 263,9% na comparação anual, caindo 6,5% na mesma base de comparação em termos reais. Já as despesas primárias aumentaram 197,0%, diminuindo 23,7% em termos reais no mesmo período*** |
** Coletados no portal Estadísticas BCRA no dia 20/05/2024.
*** Dados divulgados antecipadamente pelo Ministério da Economia.
- LEIA TAMBÉM: Proposta de Javier Milei pode beneficiar empresa brasileira, com subsidiária na Argentina; veja qual
Problemas diplomáticos de Milei
O novo presidente se elegeu com um discurso de outsider, ainda que ele tenha ocupado o cargo de deputado desde 2021.
Suas falas duras atacando o “socialismo” e outras correntes ideológicas pode animar as bases, mas também rendeu algumas dores de cabeça com a diplomacia internacional. Foi o caso do ataque ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ao qual Milei, durante sua campanha, chamou de “corrupto” e “comunista” e disse que não se reuniria com ele caso fosse eleito.
No mês passado, a Colômbia expulsou os diplomatas argentinos do país após Milei atacar o presidente, Gustavo Petro. À época, Petro foi chamado de “terrorista”, “assassino” e “comunista”.
Tanto Brasil quanto Colômbia são importantes parceiros comerciais da Argentina.
Na mais nova crise diplomática, Milei acusou a esposa do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, de ser “corrupta”. As falas foram condenadas por representantes da União Europeia, e o país também expulsou diplomatas argentinos de seu território.
Os desafios de Javier Milei agora
Ainda que Milei tenha conseguido aprovar suas propostas, a desidratação do pacote ultraliberal ficou evidente.
Das mais de 600 propostas, sobraram 232 artigos, sendo 112 deles relativos a medidas fiscais. O governo precisou fazer uma série de concessões para que o texto fosse melhor recebido pelos parlamentares, e Milei já afirmou que deve se valer de decretos para tentar aprovar outras medidas de cunho liberal.
Entre as propostas que ficaram de fora da Ley Ómnibus, a privatização da YPF (petroleira estatal da Argentina) foi retirada em uma tentativa de fazer o plano ser aprovado com mais facilidade.
Também ficou de fora a privatização parcial do Banco Nación, uma das “joias da coroa” entre as empresas argentinas. No entanto, permaneceram nomes como Aerolíneas Argentinas e Yacimientos Carboníferos Río Turbio.
Como o texto ainda deve ser debatido entre os parlamentares, é possível que novas empresas fiquem de fora do pacote.
Ainda vale a pena viajar para a Argentina?
O país virou o destino preferido dos viajantes brasileiros em 2023. A boa gastronomia e vinhos atraíram o público — juntamente com a relativa força do real frente ao peso argentino naquele ano.
Porém, a inflação acumulada de mais de 280% em 12 meses não compensou a valorização de aproximadamente 270% do real frente ao peso no mesmo período. Como se não bastasse, o fim do programa governamental "Tesouros Argentinos", que se encerrou em 2023, também poderia desanimar os viajantes em 2024.
Criado naquele mesmo ano, o Tesouros Argentinos foi um projeto do Instituto Nacional de Promoção Turística do país e consistia em oferecer aos turistas estrangeiros uma espécie de cartão presente. Com ele, era possível trocar pontos por descontos em restaurantes e outros pontos turísticos.
Argentina 2024: um bom destino?
Para a diretora da agência de viagens Aguiar Buenos Aires, Brunna Brok, o fluxo de turistas para Argentina ainda é grande — e isso não deve mudar para a temporada de 2024. Ela mesma mora na Argentina há mais de 13 anos.
“Apesar do aumento dos preços, o momento ainda é muito bom para o turista brasileiro no país”, afirma Brok, que não viu mudanças no comportamento dos turistas em relação ao ano passado, mesmo com o fim do programa Tesouros Argentinos.
“Não sabemos se o novo governo planeja estimular o turismo brasileiro com ações parecidas”, comenta ela. Contudo, para esse inverno, como nos anos anteriores, a expectativa é de muitos turistas brasileiros em viagem para Argentina.
Vale ressaltar ainda que o real segue como moeda forte em relação ao peso argentino, mesmo que existam preocupações dos viajantes em relação aos gastos.
Como economizar na sua viagem
A diretora da agência de viagens para a cidade porteña afirma que Buenos Aires é um destino para todos os tipos de viajantes. Inclusive, diversos cartões postais da cidade têm entrada gratuita. “Sem contar os meios de transporte, que são acessíveis”, comenta.
A tarifa de ônibus, por exemplo, varia de R$ 2,47 até R$ 3,39. Para Subes (equivalente ao bilhete único paulistano) registrado com o DNI (CPF argentino), a passagem pode chegar a variar de R$ 1,55 até R$ 2,13.
Brok cita alguns exemplos, como os casos do Obelisco, Puente de la Mujer, Caminito e Flor Metálica. A cidade também é bastante amigável com o viajante que prefere caminhar.
“É possível passear pelo Jardim Botânico, fazer um piquenique no Planetário, aproveitar as atividades dos Bosques de Palermo, descansar na Plaza San Martín durante um passeio pelo Microcentro, se conectar com a natureza na Reserva Ecológica. Tudo sem gastar nada”, comenta.
Levando dinheiro para a Argentina
Além dos pontos turísticos, Brok faz algumas recomendações de antemão, como checar se a documentação está em dia, pesquisar o clima do período da viagem, etc.
Por fim, ela afirma que também é recomendado para o viajante verificar as informações atualizadas sobre o câmbio para evitar surpresas.
Para saber a melhor forma de levar dinheiro para o país, clique aqui e confira os métodos mais seguros e as melhores opções entre peso, dólar e real.
CONTRA A INFLAÇÃO
Fed eleva juros pela 1ª vez em 3 anos — e isso mexe diretamente com seus investimentos
16 de setembro de 2026 - 15:01TEM MÚSCULO
Bolsa americana aguenta juros mais altos; UBS GWM diz onde investir nesse cenário
15 de setembro de 2026 - 18:014X3
Enquanto Brasil debate a escala 6×1, esse país propõe jornada de 32 horas semanais impulsionada pela IA
15 de setembro de 2026 - 15:00PARA OS GATEIROS
País europeu oferece moradia e alimentação gratuitas para quem cuidar de gatos; mas tem um porém
14 de setembro de 2026 - 17:17DEU BOM DIA PARA A IA HOJE?
A IA vai dominar a humanidade: Sam Altman e Elon Musk se juntam ao rival da Anthropic em novo alerta; ações da Nvidia despencam
14 de setembro de 2026 - 14:10IA NO CONTROLE
“IA pode assumir controle da internet em até 12 meses”, alerta CEO da Anthropic
12 de setembro de 2026 - 15:18APONTA ESTUDO
País de escala continental, natureza exótica e praias paradisíacas é o melhor lugar do mundo para sobreviver a uma catástrofe global — e não é o Brasil
11 de setembro de 2026 - 10:30O ROTEIRO DO CHOQUE
Recessão à vista? Fitch diz o que acontece com a economia mundial se a inteligência artificial virar a vilã dos mercados
9 de setembro de 2026 - 19:01Conteúdo Empiricus
De olho em temas como Oriente Médio, petróleo e decisão de juros nos EUA, Empiricus traz recomendações de BDRs para setembro
9 de setembro de 2026 - 12:59VIRADA NO JOGO
Investidor estrangeiro volta para a bolsa brasileira, mas não compra qualquer coisa; veja o que está no radar do gringo
9 de setembro de 2026 - 12:41MUDANÇA NA ÁREA
Mapa-múndi vai mudar? Novo modelo é aprovado pela ONU e propõe uma nova representação dos continentes
8 de setembro de 2026 - 14:57FOI SEM QUERER
O ‘insuportável’ William Shockley, Prêmio Nobel que perdeu seus principais pesquisadores e criou o Vale do Silício por acidente
7 de setembro de 2026 - 7:14Conteúdo BTG Pactual
Dólar ou Selic: mesmo com juros em dois dígitos, títulos atrelados ao CDI ‘apanharam’ dos investimentos ‘gringos’; entenda
5 de setembro de 2026 - 11:00NOVA ROTA, MESMO DESTINO
A nova ameaça de Trump após o dado de emprego para forçar a queda de juros nos EUA
4 de setembro de 2026 - 12:26VALE FICAR DE OLHO
O cartão de crédito de Paris estourou: como a França virou a dor de cabeça dos mercados e o sinal de uma crise na Europa
2 de setembro de 2026 - 18:01CÂMBIO
O trade mais manjado e lucrativo da década está mudando de endereço — e o investidor brasileiro leva vantagem sem fazer esforço
2 de setembro de 2026 - 14:01BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
A receita de um dos maiores economistas do mundo para investir com juros altos, guerras e intervenções
31 de agosto de 2026 - 13:50O FIM DO SPOILER
De Wyoming para o seu bolso: o que Kevin Warsh disse no evento mais exclusivo do mundo que mudou os rumos do dólar e da bolsa
28 de agosto de 2026 - 13:04BARRADO DO BAILE
Nem os US$ 250 bilhões de Jeff Bezos garantem ao dono da Amazon um lugar no ‘clube dos bilionários’
27 de agosto de 2026 - 16:32DESFECHO