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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

CAI OU NÃO CAI?

O morde e assopra de Powell: as 3 pistas do chefão do Fed sobre o futuro dos juros na maior economia do mundo — e a reação do mercado

Powell prestou depoimento ao comitê bancário do Senado — um compromisso que o presidente do BC dos EUA tem semestralmente em uma espécie de prestação de contas e deu mais sinais sobre o que pode acontecer por lá

Carolina Gama
9 de julho de 2024
14:51 - atualizado às 14:31
Jerome Powell, presidente do Fed, com efeito
Montagem com Jerome Powell, presidente do Fed - Imagem: Federal Reserve / Montagem Brenda Silva

Quando Jerome Powell concedeu a tradicional coletiva após a decisão de manter os juros na faixa entre 5,25% e 5,50% ao ano em junho, ele deixou pistas: um dado surpreendentemente fraco do mercado de trabalho poderia fazer o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) iniciar o ciclo de afrouxamento monetário nos EUA

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O payroll do mês passado trouxe o que Powell invocou: a revisão para baixo de 111 mil vagas nos meses de abril e maio combinados, uma taxa de desemprego que ultrapassou os 4% e o ritmo mais lento do aumento dos salários desde o segundo trimestre de 2021. O Seu Dinheiro detalhou o relatório de emprego norte-americano

O mercado imediatamente ajustou  a posição no aumento de chances de corte de juros em setembro e dezembro deste ano — ainda que o gráfico de pontos do Fomc (o comitê de política monetária do Fed) indique apenas uma elevação da taxa em 2024. 

Nesta terça-feira (9), Powell prestou depoimento ao comitê bancário do Senado — um compromisso que o presidente do BC dos EUA tem semestralmente em uma espécie de prestação de contas. É o Congresso que define o mandato do Fed (inflação em 2% e pleno emprego). E, mais uma vez, ele deu sinais do futuro da política monetária da maior economia do mundo. 

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O payroll de junho é suficiente para fazer os juros caírem?

Pelos sinais que Powell deu hoje, não. Mas o chefão do Fed reconheceu que um enfraquecimento excessivo do mercado de trabalho pode ser uma razão para iniciar o tão aguardado afrouxamento monetário nos EUA. 

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O presidente do BC norte-americano lembrou que uma série de leituras favoráveis de inflação e emprego foi interrompida no primeiro trimestre deste ano, frente à breve aceleração dos preços e da economia.

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"É difícil estimar se este risco vai se materializar", afirmou.

Em uma espécie de morde e assopra, Powell disse que o mercado de trabalho norte-americano parece ter retornado ao nível pré-pandemia "forte, sem um aquecimento exagerado". 

Citando o payroll de junho, ele afirmou que  há uma "clara desaceleração significativa" do emprego, com vários subíndices de volta aos níveis de 2019, e equilíbrio entre oferta e demanda

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"Mas apesar desse arrefecimento, o mercado de trabalho continua forte e temos consciência de que precisamos protegê-lo", afirmou. 

Fed está de olho na inflação e na economia

Não é só o emprego que importa para os juros caírem nos EUA. Powell reforçou que o Fed está atento aos riscos dos dois lados do mandato e que os juros restritivos continuam necessários para desacelerar a inflação e garantir a estabilidade de preços no longo prazo.

"Estamos comprometidos em cumprir nosso objetivo de retornar a inflação para 2%", afirmou ele, observando que os preços seguem acima dessa meta.

Em maio, o índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) desacelerou para 2,6% em termos anuais e o núcleo — que exclui itens voláteis como energia e alimentos — saiu de 2,8% para 2,6% na mesma base de comparação. 

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Sobre a economia, Powell apontou que a atividade continua a se expandir em ritmo sólido, junto a um desempenho ainda robusto de gastos com consumo e demanda doméstica privada. 

No entanto, o chefão do Fed notou que houve uma moderação no crescimento econômico e que os gastos com consumo têm avançado em ritmo mais lento. 

A reação ao morde e assopra de Powell

A relutância de Powell em corroborar a expectativa do mercado de que os juros começarão a cair em setembro nos EUA levou as taxas dos títulos do Tesouro norte-americano às máximas da sessão. 

O dólar também ganhou força, enquanto as bolsas de Nova York se mantiveram sem direção única, com o S&P 500 e o Nasdaq renovando recorde histórico intradiário. 

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No Brasil, o Ibovespa operou quase estável, mas acima da mínima do dia, enquanto as taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) subiram levemente, acompanhando os Treasurys. 

O dólar era o ativo que destoava, com queda de aproximadamente 0,5% em relação ao real, refletindo o ingresso de fluxo comercial em meio ao feriado da Revolução Constitucionalista em São Paulo, que manteve o mercado aberto, mas com volume reduzido.

Para a Capital Economics, Powell deu poucas pistas sobre o potencial momento para cortar juros. A consultoria destacou que, segundo ele, o Fed ainda espera por "mais dados bons" para fortalecer a confiança de que a inflação retornará à meta. 

A consultoria espera uma redução de 25 pontos-base em setembro e outra, do mesmo calire, em dezembro.

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Para James Knightley, economista chefe internacional do ING, Powell sinalizou hoje disposição para cortar os juros, mas ainda quer ver mais progresso em direção às metas do Fed. 

“Parece haver progresso no desejo do Fed de levar a economia a um equilíbrio melhor e, assim, desacelerar a inflação para a meta de 2%. Os riscos bidirecionais também estão sendo cada vez mais reconhecidos e se os dados avançarem na direção, esperamos que o potencial de um corte de juros em setembro ganhe ainda mais força”, afirmou.

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