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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

CORRIDA PELA CASA BRANCA

O que está em jogo na Super Terça, que deve deixar Biden e Trump mais próximos da indicação às eleições nos EUA

Expectativa é por vitória esmagadora de Donald Trump pela indicação no Partido Republicano; Joe Biden concorre praticamente sem adversários do lado democrata

Ricardo Gozzi
5 de março de 2024
6:21 - atualizado às 10:14
Homem de cabelos brancos e terno ao lado de outro homem de terno com bandeira dos EUA ao fundo
O presidente dos EUA, Joe Biden, em primeiro plano e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump - Imagem: Canvas

Somente uma surpresa nesta “Super Terça” terá o potencial de impedir um tira-teima entre Joe Biden e Donald Trump nas eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos.

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Do lado democrata, nenhuma surpresa substancial é esperada. O presidente Joe Biden voa em céu de brigadeiro na busca pela indicação de seu partido para tentar a reeleição.

Se houver surpresa, ela se dará na disputa republicana. O ex-presidente Donald Trump é o franco favorito.

No entanto, sua ex-embaixadora na ONU e ex-governadora da Carolina do Sul Nikki Haley tem se mostrado um osso duro de roer. Mais pela persistência do que pelos resultados, é verdade.

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Nikki Haley acaba de quebrar série invicta de Trump

No último fim de semana, Nikki Haley venceu Trump pela primeira vez desde o início das primárias, em 15 de janeiro.

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Ela ganhou no Distrito de Colúmbia, onde fica Washington, a capital norte-americana.

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A quebra da série invicta de Trump nas primárias republicanas ocorre às vésperas da Super Terça, nome pelo qual a mídia norte-americana se refere à concentração de primárias e convenções partidárias em uma única data.

Bill Clinton foi a última grande surpresa de uma Super Terça

A concentração de votações em uma mesma data tornou-se comum a partir da década de 1980 e costuma definir os rumos das primárias nos Estados Unidos.

Entretanto, embora surpresas pontuais aconteçam a cada eleição, é raro a Super Terça terminar com a vitória de um azarão, como aconteceu em 1992.

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Na ocasião, Bill Clinton era apenas um ex-governador do Arkansas sem nenhuma relevância no cenário nacional até a Super Terça.

Foi quando ele obteve uma sucessão de vitórias em Estados do Sul e tomou impulso para uma inesperada indicação do Partido Democrata para a disputa da presidência dos EUA.

No fim, Clinton impediu a reeleição de George H. Bush, passou oito anos na Casa Branca e só não fez o sucessor por causa de um desfecho altamente suspeito do processo eleitoral na Flórida no ano 2000.

Disputa ainda em aberto

Nesse sentido, os republicanos parecem mais previsíveis — o que pesa ainda mais contra as pretensões de Nikki Haley.

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Ainda assim, mesmo que Trump conquiste todos os 854 delegados republicanos em jogo nesta terça-feira, ainda haverá chances matemáticas de Nikki Haley alcançá-lo.

Até o momento, Trump conta com o compromisso de 244 delegados. Nikki Haley tem 43.

Para ser indicado pelo Partido Republicano, um candidato precisa assegurar 1.215 delegados.

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O que está em jogo nesta Super Terça

O Partido Democrata promoverá nesta terça-feira primárias e convenções em 16 Estados e territórios norte-americanos.

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Apesar das críticas de setores do partido, Biden concorre sem nenhum oponente competitivo e deve ficar mais próximo da indicação amanhã.

O máximo de turbulência que se espera na caminhada de Biden rumo à nomeação pelo Partido Democrata é um ou outro episódio de voto de protesto.

Já os republicanos realizarão primárias e convenções em 15 Estados e territórios do Maine até o Alasca.

Isso significa que as votações vão abranger quase todos os fusos-horários norte-americanos e se estender durante praticamente todo o dia.

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Diante disso, o mais provável é que o resultado final seja conhecido somente na quarta-feira — embora projeções certamente serão divulgadas ainda na terça-feira.

Super Terça: a última chance de Nikki Haley

A Super Terça é vista por analistas políticos norte-americanos como a última grande oportunidade para Nikki Haley mostrar-se competitiva.

Depois de impor a ela uma dura derrota em seu Estado natal, a Carolina do Sul, Trump chegou a sugerir publicamente que Haley desistisse da disputa.

Enquanto isso, a Suprema Corte dos EUA decidiu na segunda-feira (4) que o nome de Trump pode aparecer nas cédulas de votação do Colorado.

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O parecer elimina mais um obstáculo jurídico à candidatura de Trump em meio a discussões sobre se ele poderia ser impedido de concorrer em meio a acusações de ter insuflado uma insurreição em 6 de janeiro de 2021.

Agora a pré-candidata acaba de conseguir sua primeira vitória sobre o ex-presidente.

Embora o Distrito de Colúmbia tenha pouca relevância em termos de delegados, Trump optou por desqualificar publicamente o resultado — bem como a adversária.

A reação de Trump pode ser vista como deselegância, ato falho, bullying ou excesso de zelo. Fica a critério do analista.

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O fato é que as pesquisas de intenção de voto apontam para uma vitória esmagadora do ex-presidente na Super Terça.

É justamente isso que Nikki Haley precisa evitar para seguir na disputa.

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