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MILAGRE OU BRIGA

EUA e Israel rompidos? Como foi possível passar a primeira resolução da ONU para um cessar-fogo em Gaza

A resolução exige um cessar-fogo imediato para o mês do Ramadã, a libertação imediata e incondicional dos reféns e “a necessidade urgente de expandir o fluxo” de ajuda para Gaza

Imagem feita por inteligência artificial mostra um racha entre as bandeiras dos EUA e de Israel
Imagem feita por inteligência artificial mostra um racha entre as bandeiras dos EUA e de Israel - Imagem: DAll E / ChatGPT

Um verdadeiro braço de ferro, com EUA de um lado e Rússia e China de outro. Foi nesse clima nada amistoso que o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) tentou, por meses, aprovar uma resolução para o cessar-fogo entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Nesta segunda-feira (25) finalmente aconteceu. 

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Os EUA já haviam vetado resoluções semelhantes que exigiam um cessar-fogo. A posição evoluiu na sexta-feira (22), quando os norte-americanos apresentaram uma proposta para a suspensão das hostilidades vinculada à libertação de reféns. 

A resolução, no entanto, caiu quando foi vetada pela Rússia e pela China em um movimento que manteve o impasse de pé — até agora. 

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Como a resolução passou

A aprovação da resolução de cessar-fogo em Gaza só foi possível diante da abstenção dos EUA — os outros 14 dos 15 membros do conselho votaram sim pela suspensão das hostilidades. 

A embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, disse que embora a última resolução incluísse as edições solicitadas, Washington não poderia votar sim porque “não concordava com tudo”.

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A resolução, apresentada pelos dez membros não permanentes do Conselho de Segurança, exige um cessar-fogo imediato para o mês do Ramadã, a libertação imediata e incondicional dos reféns e “a necessidade urgente de expandir o fluxo” de ajuda para Gaza.

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o fracasso na implementação da resolução seria “imperdoável”.

“O Conselho de Segurança acaba de aprovar uma resolução há muito esperada sobre Gaza, exigindo um cessar-fogo imediato e a libertação imediata e incondicional de todos os reféns. Esta resolução deve ser implementada. O fracasso seria imperdoável”, escreveu Guterres no X.

Embora as resoluções tomadas pelo Conselho de Segurança da ONU sejam juridicamente vinculativas, podem ser — e foram no passado — ignoradas, uma vez que os mecanismos de aplicação da ONU são limitados.

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EUA e Israel rompidos?

A aprovação da resolução hoje pelo Conselho da ONU evidencia um racha entre os EUA e Israel. 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, colocou em xeque a viagem de uma delegação a Washington se os EUA não exercessem o veto.

O conselheiro de segurança nacional de Israel, Tzachi Hanegbi, e Ron Dermer, membro do gabinete de guerra e conselheiro próximo de Netanyahu, deveriam ir a Washington na noite desta segunda-feira (25) para discutir a ofensiva e as alternativas, mas a viagem foi cancelada após a aprovação.

A votação ocorre no momento em que aumentam as tensões sobre uma iminente operação militar israelense na cidade de Rafah, no sul de Gaza. 

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Os EUA têm apelado a Israel para explicar como irá proteger os 1,4 milhão de palestinos que procuram refúgio no Egito antes da esperada incursão — que os norte-americanos já disseram que “seria um erro”.

Nem tudo está perdido… será?

Mas nem tudo parece tão perdido assim. Israel concordou com uma proposta dos EUA sobre um acordo entre prisioneiros e reféns, segundo a CNN. 

O acordo poderia resultar na libertação de cerca de 700 prisioneiros palestinos, entre eles 100 cumprindo penas de prisão perpétua por matar cidadãos israelenses, em troca da libertação de 40 reféns israelenses detidos pelo Hamas em Gaza.

No entanto, o Hamas disse que há mais questões por resolver para além da libertação dos prisioneiros palestinos das prisões israelenses. 

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Membro do alto escalão do Hamas, Basem Naeim, disse à CNN que a “mídia israelense-americana” estava aumentando a pressão sobre as negociações.

“Para nós, as negociações não se centram apenas no acordo de troca de prisioneiros”, disse ele.

*Com informações da CNN Internacional e do The Guardian

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