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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

ELEIÇÕES NOS EUA

Pseudoconciliação e promessa de deportação em massa: o que você precisa saber sobre o último discurso de Trump

Donald Trump discursou no fim da noite de quinta-feira ao aceitar a indicação do Partido Republicano para concorrer à presidência dos EUA em novembro

Hulk Hogan rasga a camisa em comício pró Donald Trump para presidência dos Estados Unidos
Hulk Hogan rasga a camisa em comício pró Donald Trump para presidência dos Estados Unidos - Imagem: Reprodução do YouTube / Montagem Seu Dinheiro

Tudo transcorreu conforme o roteiro na Convenção Nacional do Partido Republicano. O evento terminou no fim da noite de quinta-feira (18), quando o ex-presidente norte-americano Donald Trump finalmente aceitou a indicação republicana para disputar a Casa Branca em novembro.

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O evento de encerramento contou com Kid Rock apresentando uma versão da música “American Bad Ass”, participação da lenda da luta-livre Hulk Hogan e a apresentação de Trump pelo diretor do UFC, Dana White.

Pouco antes da meia-noite (hora de Brasília), Donald Trump subiu ao palco e discursou por mais de uma hora e meia.

O clima de espetáculo deu lugar a um Trump menos histriônico que de costume.

O ex-presidente falou sobre o atentado sofrido no último sábado e até tentou transmitir uma mensagem de união nacional.

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Confira a seguir os principais pontos do discurso de Trump

Depois do atentado do último sábado, Trump disse a jornalistas que rasgou o discurso preparado para a convenção e escreveu outro do zero. Isso gerou expectativa em relação ao teor da fala do candidato republicano.

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Trump iniciou o discurso com um relato do atentado contra sua vida.

Se não tivesse virado a cabeça para conferir dados em uma tela, “não estaria aqui”, disse ele.

“Ouvi um som alto de assobio e senti algo me atingir muito, muito forte na orelha direita, perguntei a mim mesmo, o que foi isso? Só pode ser uma bala”, relatou.

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“Havia sangue jorrando por toda parte, e ainda assim, de certa forma, me senti muito seguro porque tinha Deus ao meu lado”, afirmou.

Ele aproveitou o momento para homenagear o bombeiro Corey Comperator, apoiador de Trump morto no atentado.

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Trump moderado #sqn

Depois do relato em primeira pessoa sobre o atentado, Trump defendeu que a discórdia e a divisão na sociedade norte-americana precisam ser curadas.

“Juntos, lançaremos uma nova era de segurança, prosperidade e liberdade para cidadãos de todas as raças, religiões, cores e credos”, afirmou ele.

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“Estou concorrendo para ser presidente de toda a América, não de metade da América, porque não há vitória em vencer para metade da América”, declarou.

Em outro momento, disse que “não devemos criminalizar a dissidência nem demonizar a discordância política”, disse.

Mas o tom conciliatório soou como palavras ao vento quando Trump falou sobre os democratas e os imigrantes.

Trump chamou a imigração ilegal de “uma invasão que mata centenas de milhares de pessoas por ano” e prometeu a “maior operação de deportação na história do nosso país”.

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Ele também direcionou sua fúria contra o Partido Democrata.

“O Partido Democrata deve parar imediatamente de armar o sistema de justiça e rotular seu oponente político como um inimigo da democracia, especialmente porque isso não é verdade, na verdade, sou eu quem salva a democracia para o povo do nosso país.”

Trump quase esqueceu de Biden

O discurso de Trump foi recheado de críticas a políticas desenvolvidas pelo atual governo. No entanto, ele mencionou o presidente Joe Biden pelo nome apenas uma vez.

Quando o fez, não recorreu aos apelidos jocosos com os quais costuma se referir ao rival. Disse apenas que Biden é “um dos piores presidentes da história” dos Estados Unidos.

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“O dano que ele causou a este país é impensável, simplesmente impensável”, disse Trump.

Lembrando que o discurso de Trump ocorre em um momento no qual a campanha de Biden está paralisada e aliados o pressionam para que desista da candidatura.

Mentiras e meias-verdades

Um discurso de Trump não é um discurso de Trump sem mentiras ou meias-verdades.

Uma de suas principais bandeiras de campanha é a retórica contra os imigrantes.

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No discurso de ontem, ele prometeu terminar a construção de um sistema de muros e cercas na fronteira com o México para impedir a entrada de ilegal de estrangeiros. Os dois países compartilham mais de 3 mil quilômetros de fronteira.

Trump disse já ter construído “a maior parte” do muro durante seu primeiro mandato (2017-2020). O trecho efetivamente construído no período, porém, não passa de 100 quilômetros.

Donald Trump também apresentou um quadro de inflação fora de controle nos Estados Unidos.

Embora o banco central norte-americano esteja realmente lutando para manter os preços sob controle, os números apresentados por Trump destoam da realidade.

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Segundo ele, “hortifrutis subiram 50%, a gasolina aumentou de 60 a 70%, as taxas de hipotecas quadruplicaram".

No entanto, a inflação acumulada desde a posse de Biden, em 2021, é de aproximadamente 20%.

Também não podia ficar de fora a alegação infundada de que ele perdeu as eleições de 2020 para Biden por uma suposta fraude em larga escala.

*Com informações de agências de notícias internacionais.

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