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Está com pressa por quê? O recado do chefão do BC dos EUA sobre os juros que desanimou o mercado

As bolsas em Nova York aceleraram as perdas e, por aqui, o Ibovespa chegou a inverter o sinal e operar no vermelho depois das declarações de Jerome Powell; veja o que ele disse

Montagem de homem de cabelos brancos, camiseta branca e uma camisa marrom segurando um balde azul com água e um fundo gráfico do mercado de ações
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed) - Imagem: Montagem Andrei Morais / Adobe Firefly / Federal Reserve

“A pressa é inimiga da perfeição”, disse Rui Barbosa sobre a rapidez com que se redigia o Código Civil brasileiro. Depois, no discurso que fez em Haia, o jurista acrescentou que “a pressa é também a mãe do tumulto e do erro”. E, ao que tudo indica, é isso que Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), tenta evitar a todo custo na abordagem sobre os juros nos EUA

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Nos primeiros comentários públicos após cortar a taxa referencial em 0,25 ponto percentual (pp), o chefe do banco central norte-americano afirmou que o forte crescimento econômico dos EUA permite que a autoridade monetária tenha tempo para decidir até que ponto e quão rápido os juros devem cair a partir de agora. 

Na reunião da semana passada, que aconteceu um dia após a consagração de Donald Trump como presidente dos EUA, o Fed reduziu o calibre do corte da taxa, colocando-a na faixa entre 4,50% e 4,75% ao ano. O Seu Dinheiro detalhou a decisão e você pode conferir aqui

"A economia não está enviando nenhum sinal de que precisamos ter pressa para reduzir os juros", disse Powell em discurso para líderes empresariais em Dallas nesta quinta-feira (14). "A força que estamos vendo atualmente na economia nos dá a capacidade de abordar nossas decisões com cuidado", afirmou. 

Embora a maioria das apostas do mercado ainda se concentre em um novo corte de menor calibre — 0,25 pp — na última reunião do ano, em 17 e 18 de dezembro, o investidor aqui e lá fora torceram o nariz em uma reação imediata ao discurso de Powell.

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Em Wall Street, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq aceleraram as perdas e terminaram o dia com baixas de -0,47%, -0,60% e -0,64%. Por aqui, o Ibovespa chegou a inverter o sinal e operar no vermelho, mas conseguiu encerrar o dia com leve ganho de 0,05%, aos 127.791,60 pontos.

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Inflação e emprego na visão de Powell

A missão do Fed é perseguir a estabilidade de preços, que se traduz em inflação em 2% ao ano, e o pleno emprego, cuja taxa não é determinada. É com base nesse mandato duplo definido pelo Congresso que o banco central norte-americano define os juros nos EUA. 

Em uma avaliação otimista das condições atuais, Powell disse que o mercado de trabalho norte-americano está se mantendo bem, apesar do crescimento decepcionante de empregos em outubro — em grande parte atribuído a danos causados ​​por furacões e greves trabalhistas. No mês passado, a economia dos EUA abriu apenas 12 mil vagas.

Powell observou que a taxa de desemprego tem aumentado, mas se estabilizou nos últimos meses e continua baixa para os padrões históricos. Em outubro, o desemprego se manteve estável em 4,1%. 

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Sobre a inflação, o chefe do Fed disse que há um progresso amplo, observando que os membros do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) esperam que a taxa continue a se aproximar da meta de 2%. 

"A inflação está muito mais próxima da nossa meta de longo prazo de 2%, mas ainda não chegou lá. Estamos comprometidos em terminar o trabalho", disse Powell, acrescentando que o caminho pode ser acidentado até esse objetivo. 

Os dados de inflação desta semana, no entanto, mostraram um ligeiro aumento nos preços ao consumidor e ao produtor, com as taxas de 12 meses se afastando da meta do Fed. 

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Sem compromisso com os juros

Se Powell não tem pressa para cortar os juros, tem muito menos compromisso com previsões sobre o ritmo do ciclo de afrouxamento monetário. 

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"Estamos confiantes de que, com uma recalibração apropriada de nossa postura política, a força da economia e do mercado de trabalho pode ser mantida, com a inflação caindo de forma sustentável para 2%", disse.

"Estamos movendo a política ao longo do tempo para uma configuração mais neutra. Mas o caminho para chegar lá não está predefinido", afirmou. 

Segundo Powell, a recalibragem da política monetária não precisa mais ser focada principalmente em controlar a inflação — agora tem um objetivo equilibrado de sustentar o mercado de trabalho. 

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