Inflação da Argentina deve superar os 200% em 2023 com previsão do governo de que preços em dezembro subam “cerca de” 30%
Medidas do presidente da Argentina, Javier Milei, tomadas poucos dias após a posse em dezembro ainda não foram contabilizadas em muitas previsões

A inflação na Argentina deve superar os 200% em 12 meses, segundo as novas projeções do governo. O porta-voz da presidência, Manuel Adorni, afirmou nesta quarta-feira (3) que os preços devem avançar "cerca" de 30% em dezembro, embora os dados oficiais ainda não estejam disponíveis.
Atualmente, o índice de preços nos últimos 12 meses está na casa dos 160,9%, segundo o Banco Central da Argentina (BCRA).
Apesar de a mediana das projeções oficiais apontar para uma inflação de 189,2% em 2023, agências de avaliação locais ouvidas pelo jornal La Nación entendem que essas estimativas podem estar defasadas.
Isso porque as recentes medidas do presidente da Argentina, Javier Milei, tomadas poucos dias após a posse em dezembro, ainda não foram contabilizadas em muitas previsões.
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Argentina: os preços podem subir ainda mais
Milei assumiu a presidência da Argentina no dia 10 de dezembro. Menos de um mês depois, o novo presidente tomou uma série de medidas que afetaram o dia a dia da população.
Após a retirada de uma série de benefícios e subsídios, alguns produtos dobraram de preço de um dia para o outro. O dólar oficial chegou a disparar 54%, atingindo o patamar de 800 pesos, mais próximo da cotação blue, aquela que se assemelha ao preço real da moeda. Hoje, o dólar blue é negociado na casa dos 995 pesos.
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Em outras palavras, não se sabe ao certo o impacto dessas medidas na inflação oficial do último mês de 2023. Em coletiva de imprensa, Ardoni disse que a atual administração sabe como acabar com a inflação, e que será um "processo longo".
Além disso, o porta-voz indicou que havia distorções nos preços em quase toda a economia do país, destacando os combustíveis, além das questões cambiais. A inflação de dezembro será informada oficialmente no dia 11 de janeiro.
E vem mais por aí
Nesta terça-feira (3), o gabinete de Milei anunciou um novo aumento de 27% nos preços dos combustíveis. Nos ajustes anteriores, os valores da gasolina e do diesel já haviam sido corrigidos entre 35% e 45%.
O preço da gasolina premium no país chegou a custar mais de mil pesos — acima do valor do dólar paralelo na Argentina. Assim, várias filas se formaram nos postos das principais cidades do país antes dos reajustes nas bombas.
O aumento total de preços desde o início dos ajustes de Milei chegou a 84%, uma das demandas das petroleiras do país, que exigiam um reajuste na casa entre 70% e 80% para equiparar os preços com o mercado exterior.
E as ações das empresas de petróleo na Argentina…
Contudo, assim como o Brasil, a Argentina depende dos combustíveis para transportar toda a sorte de produtos. Em outras palavras, esse aumento de preços também deve ser transferido para engordar a inflação.
Por volta das 15h de hoje, os papéis da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), petroleira estatal da Argentina, avançavam cerca de 4,39%.
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