A eleição nos EUA pode impedir o Fed de cortar os juros? O que esperar caso Trump volte à Casa Branca em novembro
A relação tumultuada do republicano com o Fed, particularmente com o atual presidente, Jerome Powell, deixa os investidores ao redor do mundo de cabelo em pé

O Federal Reserve (Fed) está cada vez mais perto de cortar o juros, depois de um ciclo agressivo de aperto monetário para trazer a inflação para perto da meta de 2%. Mas, para além dos dados que o banco central norte-americano quer ver para ter a confiança de cortar a taxa, um outro obstáculo se aproxima: a eleição presidencial nos EUA.
À medida que se aproxima a possibilidade da volta de Donald Trump à Casa Branca, as atenções se concentram no potencial impacto do republicano na política monetária do banco central que dita o ritmo dos mercados no mundo.
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A relação tumultuada de Trump com o Fed, particularmente com o atual presidente, Jerome Powell, deixou os investidores ao redor do mundo de cabelo em pé.
Durante o primeiro mandato, Trump criticou veementemente as decisões do Fed — muitas vezes expressando insatisfação com os aumentos dos juros entre 2017 e 2018 e considerando os cortes alegadamente tardios e insuficientes nas taxas em 2019.
Esse ambiente controverso preparou o terreno para possíveis mudanças na liderança do Fed caso Trump garanta um segundo mandato em 5 de novembro.
A eleição pode impedir o Fed de cortar os juros?
A próxima reunião de política monetária do Fed acontece em 30 e 31 de julho. O mercado concentra as apostas de corte de juros nos EUA em setembro (75,2%), novembro (85,6%) e dezembro (97,1%), de acordo com dados compilados pelo CME Group com base na ferramenta FedWatch.
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Questionado por deputados se seria capaz de cortar os juros com a eleição presidencial batendo à porta, Powell disse que o banco central norte-americano não leva a política em consideração nas suas decisões.
“Nos baseamos em dados para tomarmos nossa decisão sobre os juros. Temos um mandato duplo — pleno emprego e estabilidade de preços a 2% — concedido por vocês do Congresso e é isso que nos guia”, disse Powell no segundo dia de depoimentos ao Congresso.
Atualmente, a taxa de juros nos EUA está na faixa entre 5,25% e 5,50% ano — o maior nível em mais de duas décadas. Embora a inflação esteja arrefecendo e o mercado de trabalho começa a dar sinais de desaquecimento, Powell, repetidamente, diz que o comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) precisa de mais confiança para começar o tão guardar ciclo de afrouxamento monetário.
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Juros: a independência do Fed também está em jogo
A críticas de Trump ao Fed e a Powell abriram uma janela para que presidentes ao redor do mundo se sintam mais confortáveis em falar publicamente das decisões dos bancos centrais.
Por aqui, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem condenando com frequência a decisão do BC e de Roberto Campos Neto de não cortar os juros de maneira mais agressiva — a Selic está em 10,50% ao ano e não há sinais, no momento, de que a taxa vá cair.
Powell foi questionado hoje sobre a independência do Fed pelos deputados. “Ter um banco central independente é fundamental. Eu acredito na força do Congresso e no bom senso dos partidos políticos”, disse.
“A independência de um banco central é fundamental também para a estabilidade econômica de qualquer país”, acrescentou.
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O futuro de Powell se Trump vencer
O mandato de Powell como presidente do Fed expira em 23 de maio de 2026, e o mandato como diretor acaba em 31 de janeiro de 2028.
Na campanha eleitoral, Trump não mede palavras, ameaçando não apenas recusar a renomeação de Powell como presidente do Fed como também sugerindo a possibilidade de rescindir prematuramente suas funções no banco central norte-americano.
O presidente do Fed é nomeado pelo presidente dos EUA, que faz sua escolha entre os diretores do BC. Essa indicação requer a aprovação do Senado por maioria simples.
Vale lembrar que os diretores do Fed também são nomeados pelo presidente dos EUA e confirmados pelo Senado — e aqui abre-se uma possibilidade para Trump ter um chefe do BC mais alinhado com seus ideais.
Isso porque a próxima diretora cujo mandato vai expirar será Adriana Kugler, indicada por Joe Biden para o Fed em 2021. Trump poderia substituir Kugler por um outro nome em janeiro de 2026 e depois nomear essa mesma pessoa como presidente do banco central norte-americano em maio de 2026.
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