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O JP Morgan segue com recomendação de compra para os papéis SBSP3, com potencial de valorização da ordem de 55%
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na noite da última quinta-feira (2) o projeto de lei que permite a adesão da capital à privatização da Sabesp (SBSP3), com 37 votos favoráveis e 17 contra.
Na sequência, o texto foi sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). No último dia 17, o projeto já tinha recebido o aval inicial dos vereadores na primeira votação. Desde então, passou por modificações para garantir a aprovação final em segunda votação.
Uma das mudanças foi a elevação no patamar de investimentos que a companhia deve fazer na cidade e o repasse ao Fundo Municipal de Saneamento Ambiental e Infraestrutura (FMSAI).
Esses dois pontos foram contemplados em duas emendas, uma que aumenta o repasse do FMSAI de 3% para 5,5%, e outra que eleva de 20% para 25% a receita bruta obtida na prestação de serviços da capital para investimentos em ações de saneamento básico e ambiental de interesse do município até 2029.
Outra novidade no projeto é a participação da capital em um conselho municipal com o intuito de fiscalizar os investimentos em São Paulo, com uma paridade com o governo e acionistas.
Na visão dos analistas do JP Morgan, essas alterações não devem fazer grande pressão sobre os preços. O banco norte-americano segue com recomendação de compra para os papéis SBSP3, com potencial de valorização da ordem de 55%, segundo as cotações de fechamento da última quinta-feira (2).
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Com relação à dívida da capital com a companhia, de R$ 3,1 bilhões em precatórios, para os quais os parlamentares cobraram uma solução, o vereador Sidney Cruz (MDB) afirmou que existem tratativas para que a companhia renuncie a 40% da dívida, de forma que a capital ficaria devendo R$ 1,8 bilhão para a Sabesp.
O waiver (perdão de uma cláusula da dívida) está entre uma das etapas do calendário de privatização. Veja a agenda completa elaborada pelo JP Morgan mais abaixo.
Mesmo que o projeto já tenha sido aprovado na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) em dezembro do ano passado, o aval da Câmara ainda era visto como essencial para o avanço da privatização.
A cidade de São Paulo responde por algo entre 45% e 50% da receita total da companhia.
Ainda de acordo com os analistas do banco norte-americano, a privatização da Sabesp já está parcialmente precificada nas cotações. Uma eventual reversão do processo poderia trazer um tombo significativo para a companhia de saneamento.
Vale lembrar que a oposição já vem judicializando a questão da privatização desde a aprovação do projeto na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Como se não bastasse, durante a última audiência pública sobre a privatização, houve uma nova confusão na Câmara com a oposição.
Tanto membros da sociedade civil quanto parlamentares da oposição lotaram o Salão Nobre da Câmara.
“A pressa para aprovar o projeto é porque o mercado financeiro está nos calcanhares dos vereadores fazendo lobby pela privatização da água”, afirmou Marcelo Viola, funcionário da Sabesp e diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema).
Ainda que seja difícil reverter o processo a essa altura, essa ainda não é uma carta fora do baralho.
Ainda no ramo dos riscos, o banco destaca outros três fatores que podem afetar as ações da Sabesp. A saber:
O projeto de privatização da Sabesp prevê investimentos de R$ 66 bilhões no setor, até 2029, e redução tarifária com a criação de um fundo com 30% da venda das ações do Estado na companhia.
O projeto de lei ainda inclui o estabelecimento de direitos de veto (golden share) para o governo. O golden share contempla a manutenção do nome da companhia, sede e objetivo social, por exemplo. Além disso, atribui poder de veto ao Estado quanto ao limite de exercício de votos por acionistas ou grupo de acionistas.
A intenção do Estado é ter sua participação reduzida a algo entre 18% e 30%.
Atualmente, o governo de São Paulo detém 50,3% das ações da empresa, enquanto o restante é negociado na Bolsa brasileira (B3) e a de Nova York.
Os analistas do JP Morgan dividiram o andamento da privatização em etapas. Vale lembrar que são apenas algumas estimativas de quando os eventos devem acontecer para que a desestatização aconteça dentro do cronograma do governador de São Paulo.
Sendo assim, alguns eventos podem ser antecipados ou atrasados, a depender de como o jogo político irá correr.
O CEO da companhia de saneamento paulista, André Salcedo, já afirmou que a oferta de ações poderia acontecer entre o fim de maio e início de junho. Confira as etapas a seguir:
Do valor total, US$ 50 milhões serão pagos na data de assinatura do contrato, US$ 350 milhões no fechamento da operação e outras duas parcelas, no valor de US$25 milhões cada, em 12 e 24 meses após a conclusão do negócio
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