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A proposta é que a empresa migre voluntariamente para o segmento básico de listagem da B3, que tem regras menos rigorosas de governança corporativa
O Novo Mercado é o segmento de listagem com os padrões mais rigorosos de governança corporativa das empresas listadas na bolsa brasileira. Mas tanto rigor tem restringido as alternativas disponíveis para a Kora Saúde (KRSA3).
Ao menos é o que dizem os controladores da companhia. Os fundos Fuji Brasil Partners e Viso Advantage — que, juntos, detém 68,4% das ações — pediram que os administradores convoquem uma assembleia para discutir a saída do Novo Mercado.
A proposta é que a empresa migre voluntariamente para o segmento básico de listagem da B3, que tem regras menos rigorosas de governança corporativa.
Além disso, os controladores pedem a dispensa da obrigação da realização de uma oferta pública de aquisição de ações KRSA3. Os papéis acumulam queda de quase 90% desde o IPO da companhia, em 2021.
Segundo os fundos, a Kora, assim como outra empresas do setor de saúde privado, enfrenta um cenário "bastante desafiador" nos últimos anos. O cenário foi agravado pela crise financeira dos planos da saúde fruto da pandemia de covid-19 e pela alta dos juros no Brasil.
Os controladores alegam que, considerando a alavancagem atual da companhia, as taxas elevadas têm "drenado parte fundamental da geração de caixa que deveria ser destinada à operação" e atualmente vai para o pagamento de despesas.
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Nesse contexto, destacam que a administração vem buscando maximizar a geração de caixas com as atividades e explorar alternativas de captação de recursos.
"Em momentos tais, e de extrema relevância que a companhia não se veja restrita ou impedida, por qualquer razão, de explorar as mais variadas medidas para a equalização de sua estrutura de capital", argumentam eles.
Os controladores dizem que o Novo Mercado diminui justamente essas alternativas de captação, restringindo, por exemplo, a possibilidade da emissões de ações preferenciais ou combinações de negócios com outras empresas nacionais e estrangeiras que não fazem parte do segmento.
"A saída voluntária contribuirá de forma determinante para a execução das estratégias de financiamento e crescimento da Kora, ampliando o leque de alternativas à disposição da companhia, além de permitir a redução de custos regulatórios e a simplificação e otimização da estrutura organizacional."
Vale destacar que a B3 (B3SA3), dona da bolsa de valores brasileira, decidiu abrir nesta semana uma consulta pública para revisar as regras do Novo Mercado.
A principal novidade da proposta é a possibilidade de a bolsa colocar o selo do Novo Mercado de uma determinada companhia em revisão como medida cautelar. Essa revisão pode acontecer antes mesmo da instalação de um eventual processo.
A sugestão de mudança no regulamento da B3 acontece depois do caso Americanas (AMER3). A varejista permaneceu no Novo Mercado por mais de dez meses após a revelação do maior caso de fraude contábil da história do mercado brasileiro até receber suspensão da bolsa.
Outras possíveis novidades incluem o aumento na representatividade de membros independentes nos conselhos para, no mínimo, 30% do total e penalidades de inabilitação de até 10 anos para empresas que não cumprirem as regras de fiscalização.
O valor corresponde a R$ 0,33 por ação, reforçando a estratégia da companhia de manter uma política robusta de remuneração aos acionistas
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