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OS EFEITOS DA RJ

Perda milionária: Gol (GOLL4) vale R$ 179,31 milhões a menos após entrar em recuperação judicial nos EUA

A companhia aérea passou a valer R$ 1,99 bilhão, ficando abaixo de R$ 2 bilhões pela primeira vez desde março de 2023

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27 de janeiro de 2024
16:01 - atualizado às 15:25
Avião da Gol (GOLL4)
Avião da Gol (GOLL4) - Imagem: Shutterstock

As ações da Gol (GOLL4) caíram 8,07% na sexta-feira (26), encerrando o dia cotadas a R$ 5,92, após o anúncio do Chapter 11, equivalente à recuperação judicial nos EUA. O papel da companhia aérea teve a maior queda do Ibovespa, e essa desvalorização significou uma perda de R$ 179,31 milhões no valor de mercado da aérea. 

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A empresa passou a valer R$ 1,99 bilhão, ficando abaixo de R$ 2 bilhões pela primeira vez desde março de 2023.

Apesar dos rumores de recuperação judicial circularem desde dezembro do ano passado, a queda da sexta reflete as dúvidas dos investidores sobre o futuro da Gol.

Para o analista da Genial Ygor Araújo, o DIP Financing de US$ 950 milhões, uma modalidade de crédito específica para empresas em situação financeira difícil, é uma boa notícia. 

O financiamento foi prometido pelos bondholders (detentores de títulos de dívida) da Abra, controladora da Gol, como parte do processo de recuperação. 

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Araújo destaca que esse dinheiro garante a continuidade da operação da companhia, "mas o cenário permanece incerto".

Leia Também

Outros efeitos que a Gol também sentiu

As agências de classificação de risco S&P e Fitch rebaixaram o rating da Gol para nível de default. 

A Fitch aponta que o Chapter 11 é um desdobramento da dificuldade da negociação com os arrendadores de aeronaves e dos atrasos na entrega de novos aviões. 

A agência estima a dívida com os lessores (arrendarores de aeronaves) de R$ 9,8 bilhões. Para a S&P, a Gol ainda enfrenta um "pesado fardo de dívida".

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Atenção às entregas da Gol

O analista da Ajax Asset Rafael Passo também aponta o cronograma de entrega das novas aeronaves como um dos pontos a serem monitorados no processo de recuperação da Gol. 

Nos documentos apresentados à corte norte-americana ao pedir o Chapter 11, a Gol listou a demora na entrega dos aviões como uma das causas do desequilíbrio de caixa. 

Em conversa com jornalistas, o CEO da Gol, Celso Ferrer, afirmou que já está recebendo as aeronaves atrasadas "com rapidez".

O Citi Bank avalia que ainda não está claro a recepção do anúncio da recuperação judicial pelos passageiros, mas o evento "pode causar algum impacto negativo na demanda", diz relatório. 

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Para os analistas do banco, o Chapter 11 reduz significativamente as chances da Abra, controladora da Gol, realizar um IPO. Essa hipótese vinha sendo aventada pelo mercado desde a formação da holding com a Avianca, em 2022.

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O pedido da Gol nos EUA

O pedido do Chapter 11 da Gol, que garante uma interrupção na execução das dívidas e impede a retomada de aeronaves, foi aceito na tarde de sexta pela corte de falências de Nova York. 

A empresa agora aguarda a aprovação pela Justiça norte-americana do DIP Financing de US$ 950 milhões. Desse total, US$ 350 milhões já entrariam na companhia assim que o juiz americano autorize provisoriamente a transação. Outros US$ 150 milhões virão com a autorização final.

Segundo documentos apresentados pela Gol no processo do Chapter 11, há R$ 17,19 bilhões (US$ 3,5 bilhões) em ativos e R$ 40,77 bilhões (US$ 8,3 bilhões) em passivos. 

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Desse passivo, R$ 20,6 bilhões (US$ 4,2 bilhões) são em financiamentos pendentes, sendo R$ 10,3 bilhões (US$ 2,1 bilhões) em dívidas garantidas por ativos da empresa.

Renúncia fiscal das aéreas

A Gol, a Latam e a Azul receberam R$ 6,5 bilhões em renúncias fiscais em 2021, de acordo com dados liberados na quinta-feira, 25, no Portal da Transparência do governo federal.

A Gol, que passa pelo processo de recuperação judicial nos EUA, recebeu R$ 1,8 bilhão em desonerações do Fisco.

A companhia aérea que recebeu mais benefícios foi a Latam, com R$ 3,7 bilhões. Em terceiro lugar está a Azul, com R$ 949 milhões.

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Do total de 23 mil empresas beneficiadas que tiveram seus nomes divulgados pela Receita, a Petrobras está em primeiro lugar, com R$ 29,5 bilhões em renúncias. A Vale vem em seguida, com R$ 19,2 bilhões. Juntas, as duas empresas representam 22,6% do valor total que o governo deixou de recolher.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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