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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SELEÇÃO DE TECNOLOGIA

Novo queridinho no pedaço: Totvs (TOTS3) é rebaixada pelo JP Morgan — e uma ação gringa agora é a favorita dos analistas

O banco revisou para baixo a recomendação para as ações TOTS3 para “neutro” e reduziu o preço-alvo para R$ 36

Camille Lima
Camille Lima
26 de março de 2024
12:19
Totvs (TOTS3)
Fachada da Totvs (TOTS3) - Imagem: Divulgação

Considerada até então uma das queridinhas da bolsa brasileira no setor de tecnologia, a Totvs (TOTS3) acaba de perder a liderança nos campeonatos do mercado financeiro, na visão do JP Morgan — enquanto um novo favorito gringo desponta na seleção dos analistas.

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O banco revisou para baixo a recomendação para as ações TOTS3 de “outperform” — equivalente a “compra” — para “neutro” e reduziu o preço-alvo para R$ 36 para dezembro de 2024, mas ainda implica em um potencial de valorização de 19% em relação ao último fechamento.

Apesar do rebaixamento, a Totvs não caiu para a lanterna da seleção do JP Morgan. Na realidade, as ações TOTS3 ainda ocupam o segundo lugar no ranking de favoritos na cobertura de tecnologia dos analistas na América Latina.

Quem assumiu a liderança foi o Mercado Livre (MELI34), com recomendação de compra dos analistas para o papel, enquanto o terceiro lugar na tabela é puxado pela Locaweb (LWSA3), que possui avaliação neutra.

As ações da Totvs operam em queda no pregão desta terça-feira (26). Por volta das 12h, os papéis TOTS3 caíam 4,83%, negociados a R$ 28,78. No acumulado de 2024, a desvalorização chega a 13%.

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Confira a cobertura de mercados em tempo real do Seu Dinheiro aqui.

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O rebaixamento da Totvs (TOTS3)

Um dos pilares da tese mais conservadora do JP Morgan para a Totvs (TOTS3) é a redução das estimativas operacionais dos analistas para a companhia.

O banco prevê uma rentabilidade menor no segmento de Gestão devido às “tendências mais difíceis” do quarto trimestre de 2023. Já para a receita da divisão, os analistas projetam um crescimento de receita recorrente de 14,6% em 2024 e de 14,2% no ano que vem.

As perspectivas menores para o segmento de Gestão da Totvs levaram a um corte de 7% nas projeções do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para o fim de 2024, além de uma redução de 9% na estimativa de lucro ajustado para este ano.

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Além disso, os analistas preveem ganhos limitados da empresa de tecnologia no curto prazo, com poucos catalisadores nos próximos trimestres.

Na avaliação do JP Morgan, existe um potencial de alta reduzido para o ritmo de crescimento de software, uma vez que a Techfin, joint venture entre Totvs (TOTS3) e Itaú (ITUB4), ainda está em fase inicial e deve apresentar os primeiros resultados de novos produtos só no segundo semestre. 

Para os analistas, os resultados da joint venture da Totvs com o Itaú devem ser fracos na primeira metade deste ano, com Ebitda negativo, devido à fraqueza da sazonalidade aliada ao aumento dos custos sem receitas adicionais para amortização.

Ação da Totvs (TOTS3) está cara?

Além das perspectivas conservadoras de curto prazo, o valuation da Totvs (TOTS3) é uma das preocupações do JP Morgan para as ações.

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Segundo o banco, por um lado, o papel pode ser considerado caro, já que a empresa é negociada a um múltiplo de 23 vezes a relação preço sobre lucro (P/L) para 2024, enquanto o lucro por ação deve subir a uma taxa de crescimento anual composto (CAGR) de 18% entre 2024 e 2027. 

Em contrapartida, o levantamento de soma das partes sobre o portfólio da empresa sugere vantagem em relação aos pares internacionais, com um rendimento (yield) de R$ 35 para hoje e R$ 38 para dezembro.

Para o banco, a companhia possui potencial de alta limitado para os próximos trimestres — mas continua a chamar atenção em um horizonte de investimento mais alongado.

“Ainda gostamos do caso de longo prazo da Totvs e da mistura de atitude defensiva no negócio de ERP com o potencial de valorização da TechFin JV, ao mesmo tempo que recomendamos aos investidores que esperem por um melhor ponto de entrada”, escreveram os analistas, em relatório.

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Atualmente, os analistas avaliam que a TechFin tem o potencial de perturbar o setor bancário de pequenas e médias empresas através da incorporação de serviços financeiros no software de gestão (ERP) da Totvs, que está instalado em empresas que geram cerca de 25% do PIB brasileiro. 

“Essa iniciativa pode ser um divisor de águas para a Totvs, mas ainda deve levar vários trimestres até que seu potencial fique mais claro”, disse o JP Morgan.

Os riscos para a ação

Na análise do JP Morgan, existem três fatores que podem impulsionar o preço das ações da Totvs (TOTS3) em 2024:

  • Lançamento mais rápido do que o esperado dos novos produtos planejados para a TechFin, joint venture com o Itaú; 
  • Aceleração mais rápida do que o esperado da receita recorrente anualizada no produto de gestão principal; e 
  • Sinergias de vendas cruzadas maiores do que o esperado da plataforma Business Performance para o negócio de software de gestão (ERP).

Já do lado negativo, os analistas enxergam cinco pontos que podem fazer o papel da Totvs tropeçar na bolsa brasileira. O primeiro deles é justamente a TechFin, caso o desempenho do negócio não cresça de acordo com as expectativas.

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Outro risco para a Totvs são os spreads de crédito mais baixos ou dívidas inadimplentes mais altas nas operações da TechFin;

Os analistas ainda citam a compressão de margens à medida que a Totvs aumenta o número de soluções oferecidas e uma potencial perda de benefícios fiscais, incluindo juros sobre capital próprio (JCP).

O banco ainda destaca a possibilidade de o negócio de Business Performance não atingir as margens Ebitda esperadas no longo prazo, de 33%. 

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