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Tatiana Vaz

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Log (LOGG3) dobra lucro no 3T24 e CEO ainda vê amplo espaço para crescer, mas cenário macro preocupa

Empresa de galpões logísticos mantém planos de expansão, mas juro menor e cumprimento do arcabouço fiscal ajudariam negócio, diz CEO da Log

Tatiana Vaz
30 de outubro de 2024
18:36 - atualizado às 7:55
Log - Galpão em Fortaleza

Quanto mais empresas produzem e os brasileiros compram, mais espaço de armazenamento e distribuição são necessários para as entregas, motivo que contribuiu para a Log Commercial Properties (LOGG3) dobrar o lucro líquido no terceiro trimestre de 2024. 

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No período, o resultado da empresa de galpões logísticos atingiu R$ 97,1 milhões, um incremento de 99,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

O balanço do terceiro trimestre, divulgado nesta quarta (30) depois do fechamento do mercado, traz dados positivos em outras frentes. A Log registrou vendas recordes de R$ 1,5 bilhão, com margem bruta de 38%, um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) 77% maior, de R$ 136,2 milhões, e uma redução da dívida líquida para R$ 442,1 milhões, valor 16,8% menor em relação ao trimestre anterior.

Do total das transações realizadas ao longo do ano, cerca de R$ 914 milhões foram recebidos à vista, recursos usados para suportar tanto o plano de crescimento quanto a estratégia de recompra de ações. 

Desafios operacionais 

Números tão expressivos assim também estão relacionados à falta de concorrência e oferta de qualidade no segmento, defende Sérgio Fischer, presidente-executivo da Log. Fato que contribui para a empresa expandir sua operação com certa facilidade, de acordo com ele.  

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“O Brasil tem uma carência muito grande neste tipo de negócio, então existe aí uma avenida de crescimento gigantesca do setor para o país, com uma demanda  que não está sendo atendida com a qualidade que deveria”, disse ele em entrevista ao Seu Dinheiro

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Fischer conta que hoje a grande concorrência da Log em capitais são os galpões regionais, muitos deles situados próximos às grandes cidades, mas com estruturas que não comportam a qualidade necessária para atuar no segmento.

 Isso significa a oferta de locais mal iluminados  e modelos pouco ajustáveis em tamanho para atender grandes empresas. 

 “Acaba que muitos clientes chegam até nós quando comparam o que eles usam hoje com o local que ofertamos, por isso não temos preocupação operacional de não crescermos ou não acharmos novos espaços para comprar e alugar”, afirmou.  

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De acordo com Fischer, o Brasil hoje conta com 170 milhões de metros quadrados de galpões, sendo que apenas 20% contam com essa estrutura melhor para atender aos distribuidores.

 A Log possui hoje uma fatia pequena deste universo: são 50 projetos logísticos (chamam assim pois são modulares, uma unidade é dividida em vários galpões, se necessário) que cobrem uma área bruta locável de 1 milhão de metros quadrados. “Ainda há muito o que fazer”, diz. 

Por esses motivos, o desafio para a empresa, acredita Fischer, é muito mais macroeconômico do que operacional atualmente. A retomada da trajetória de queda de juros,  aliada com o comprometimento do governo de manter o arcabouço fiscal, faria muita diferença para o negócio, já que afetaria também os clientes.

 “A questão macro é uma preocupação sim, porque sabemos que a melhora trará mais investimentos e crescemos junto do todo”.

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Investimentos e novos horizontes 

A empresa tem planos de entregar 2 milhões de m2 de área bruta locável em 22 regiões do país até 2028.

 De janeiro a setembro deste ano, a empresa entregou 254 mil metros quadrados de ABL em cinco estados, aproximadamente 134 mil deles apenas no terceiro trimestre Detalhe: 68% destas novas unidades estão pré-locadas. 

“Até dezembro teremos uma nova unidade em Curitiba, 100% locada para uma distribuidora de remédios farmacêuticos, outra em Cuiabá e mais uma em Campo Grande, que atenderão distribuidores diversos de e-commerce”, conta o CEO da Log, que estima 300 mil funcionários de terceiros trabalhando hoje em todas as unidades da empresa espalhadas pelo país.   

A demanda é tanta, segundo ele, que contribui para a taxa de vacância estar equilibrada em 0,44%, valor muito abaixo da média de 9% do setor.

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Programa de recompra 

Para os próximos meses, a companhia deve seguir com o programa de recompra de ações que, até o momento, resultou na aquisição e cancelamento de 14,3 milhões de ações, com um desconto médio de 40% sobre o valor patrimonial dos ativos (NAV). Esse movimento representa cerca de 14% do capital social da companhia.

A LogOG desenvolveu essa estratégia de recompra de ações de forma mais consistente a partir dos últimos anos. “Por meio dela, reforçamos a operação, geramos retorno maior aos acionistas e mostramos que, de fato, acreditamos no negócio”, diz Fischer. 

Ao mesmo tempo, em linha com a estratégia de redução de custos financeiros, a LOG emitiu Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) no valor de R$ 300 milhões com uma taxa competitiva de CDI+0,37% e prazo médio de 5,2 anos. Esse valor vai permitir o pré-pagamento de dívidas mais onerosas dentro de um período de tempo mais longo. 

Essa decisão fez com que a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida ajustada e EBITDA, fosse reduzida para 1,07x (quanto menor esse número, melhor estruturada financeiramente é avaliada empresa).

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Nada mal para uma empresa que quer correr em várias direções enquanto oferta um estacionamento seguro de armazenagem para os clientes. 

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