Light (LIGT3) apresenta novo plano de recuperação judicial, que prevê aporte de R$ 1,5 bilhão e pagamento a pequenos credores
Nova proposta prevê pagamento de pequenos investidores detentores de debêntures em até 90 dias; acionistas de referência se comprometem com aporte de R$ 1 bilhão

Em meio às negociações com credores para reestruturar sua dívida de R$ 11 bilhões, a Light (LIGT3) apresentou, na noite da última sexta-feira (23), um novo plano de recuperação judicial, que prevê o pagamento integral, em até 90 dias, de créditos no valor de até R$ 30 mil.
Com isso, serão contemplados cerca de 28 mil credores, ou 60% dos detentores de dívidas da empresa de energia. Vale lembrar que debêntures da Light chegaram a ser razoavelmente populares entre investidores pessoas físicas, que compraram esses papéis por meio de plataformas de investimento.
A nova proposta prevê ainda o aporte de novos recursos na empresa, no valor de até R$ 1,5 bilhão, sendo que os acionistas de referência (Nelson Tanure, Beto Sicupira e Ronaldo Cezar Coelho) têm a intenção de garantir a injeção de R$ 1 bilhão.
O preço de conversão dessa capitalização tomará como base a média de 60 dias das cotações anteriores à apresentação do plano, com warrant de duas ações para cada papel.
Em outros pontos colocados no plano está a conversão de até 40% dos créditos em ações da companhia via debêntures conversíveis. Esta opção está limitada a R$ 2,2 bilhões, enquanto o restante dos créditos será remunerado por IPCA mais 4% ao ano, com amortização em oito anos.
Há também a previsão de outras modalidades, como o "credor apoiador não conversor", que não receberá ações da companhia e terá 100% dos créditos remunerados a IPCA mais 2% ao ano, com amortização em 12 anos.
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Já o "credor apoiador financeiro" terá direito a remuneração pelo CDI mais 0,5% ao ano, com amortização em dez anos. Nesta categoria haverá a condição de disponibilizar linhas de derivativos cambial e de juros para a companhia e suas afiliadas, colaborando assim com a recuperação judicial.
Finalmente, o "credor não apoiador" será aquele que não aceitar nenhuma das opções anteriores. Ele receberá seu crédito em pagamento único no 15º ano, correspondente a 20% e corrigido pelo IPCA.
Em nota, porém, a Light informou que, "apesar de essa opção estar prevista no plano, a companhia não prevê pagamentos a nenhum credor nestas condições".
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Novo plano considera reais necessidades de investimento da empresa, diz Light
"A conclusão do processo de recuperação judicial da Light tem como premissa uma condição econômico-financeira que garanta a sua sustentabilidade. No entender da companhia, as propostas apresentadas pelos credores até agora não levavam em consideração as reais necessidades de investimento da empresa, que deverão aumentar, sobretudo, depois das novas regras para a renovação da concessão que ainda serão anunciadas. Por isso, a Light optou por apresentar um novo plano, onde atende as demandas apresentadas por credores e garante o cumprimento dos compromissos setoriais e com a sociedade", diz a companhia, na mesma nota.
A Light é responsável por uma área de concessão com 31 municípios no estado do Rio de Janeiro e pela distribuição de energia a 4,5 milhões de clientes e uma população de 12 milhões de habitantes. Seu plano de recuperação judicial original havia sido apresentado em julho de 2023.
Na avaliação de uma pessoa próxima às negociações, que falou com o Broadcast Energia sob a condição de anonimato, a proposta atual é uma tentativa de harmonizar a quitação das dívidas, especialmente com os pequenos investidores, e a sustentabilidade econômico-financeira, necessária para conseguir a renovação da concessão e a continuidade dos compromissos inerentes a ela.
"É um plano sustentável para a Light fazer jus às suas obrigações", disse a fonte ao serviço de notícias em tempo real do Estadão.
- Leia também: Para grandes credores da Light (LIGT3), não é possível aprovar novo plano de recuperação judicial da empresa
Credores costuram proposta alternativa
Enquanto a direção da Light tenta construir o seu plano de recuperação, parte dos credores tem buscado alinhavar uma proposta alternativa para a empresa, baseado em um racional mais favorável a este grupo.
Desde que a empresa entrou em RJ, uma das principais dificuldades encontradas tem sido o fato de a dívida ser muito pulverizada.
Além disso, uma parte dos detentores dos créditos tem mostrado resistência a aceitar as propostas colocadas pela empresa, que precisa de injeção de capital para destravar sua recuperação de forma sustentável.
Contudo, de acordo com uma fonte ligada à distribuidora fluminense, a proposta dos credores não seria sustentável, tendo em vista os desafios que a Light tem pela frente, de negociar a renovação de sua concessão e dar continuidade aos investimentos na rede.
"Não podemos ter um plano para credores que de certa forma embute uma insustentabilidade", comentou a fonte que também não quis ter o nome identificado.
Com Estadão Conteúdo
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