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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REAÇÃO AO RESULTADO

Klabin (KLBN11) supera expectativa com balanço forte e lucro quase três vezes maior no 3T24 — mas esse bancão ainda não recomenda compra 

O lucro líquido chegou a R$ 729 milhões entre julho e setembro, uma alta de 197,5% em relação ao mesmo período de 2023

Camille Lima
Camille Lima
4 de novembro de 2024
11:01 - atualizado às 12:15
Klabin (KLBN11), empresa de papel e celulose
Klabin (KLBN11), empresa de papel e celulose - Imagem: Divulgação / Montagem Seu Dinheiro

Os acionistas da Klabin (KLBN11) receberam um motivo para celebrar nesta segunda-feira (4) chuvosa: um balanço mais forte que o esperado pelos analistas no terceiro trimestre de 2024.

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O lucro líquido da gigante de papel e celulose chegou a R$ 729 milhões entre julho e setembro. Isso significa que o montante praticamente triplicou em relação ao mesmo período de 2023, com uma alta de 197,5% em base anual.

A reação inicial ao resultado do 3T24 foi positiva. As units da Klabin (KLBN11) subiam 2,43% por volta das 12h, negociadas a R$ 21,53. No ano, os papéis acumulam valorização da ordem de 9% na B3.

Veja outros destaques do balanço da Klabin no 3T24:

A receita líquida total da Klabin (KLBN11) chegou a R$ 4,99 bilhões entre julho e setembro, avanço de 14% em relação a igual intervalo do ano passado. 

Segundo a empresa, o desempenho reflete o aumento de preço da celulose em todas as fibras e de “containerboard”, além do crescimento no volume de vendas de papéis e embalagens e a valorização do dólar sobre as exportações no período. 

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A companhia ainda alcançou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado — indicador usado para mensurar a capacidade de geração de caixa de uma empresa — de R$ 1,8 bilhão, aumento de 33% na base anual.

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Confira outras linhas do balanço do 3T24:

  • Fluxo de caixa livre (FCF): R$ 485 milhões, revertendo a queima de R$ 237 milhões no 3T23;
  • Endividamento líquido: R$ 29,5 bilhões, +41% a/a;
  • Alavancagem (em reais): 4,1 vezes, +0,7 vez a/a;
  • Custo caixa total por tonelada: R$ 3.091, +4% a/a;
  • Investimentos: R$ 767 milhões, -30% a/a.

O volume total de vendas, excluindo madeira, teve leve retração de 3% no comparativo anual, a 938 mil toneladas. O desempenho foi impulsionado pelo segmento de papéis, que teve aumento de 25% nas vendas de papel-cartão e de 31% em “containerboard”.

Com balanço forte no 3T24, é hora de comprar Klabin (KLBN11)? Não segundo esse bancão 

De acordo com o Itaú BBA, o resultado do terceiro trimestre foi “sequencialmente mais fraco”, pressionado por volumes mais fracos do segmento de celulose e os custos mais altos no segmento de papel e embalagens. No entanto, os números ainda vieram melhores que as projeções dos analistas.

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Para o BTG Pactual, o balanço da Klabin foi resiliente e superou as expectativas mais conservadoras do banco, com uma forte geração de fluxo de caixa livre apoiada pelo efeito positivo do capital de giro.

O fluxo de caixa livre ajustado da companhia no trimestre, que desconsidera fatores discricionários e projetos de expansão, foi de R$ 1,14 bilhão. Com isso, o rendimento de FCF ajustado (yield) foi de 12,7% nos últimos doze meses.

“Olhando para o futuro, com o aumento de caixa de R$ 1,8 bilhão do Projeto Plateau e a nova política de dividendos, esperamos que a alavancagem diminua gradualmente”, projetou o banco. 

Na visão dos analistas, a Klabin é uma empresa bem administrada, de baixa volatilidade e crescimento diversificado, oferecendo um porto seguro, principalmente em um cenário de real mais fraco. 

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“Agora vemos a empresa mais comprometida com os esforços de desalavancagem, a fim de sustentar um balanço patrimonial mais saudável”, disse o BTG.

Vale lembrar que a Klabin anunciou na semana passada novas políticas de dividendos e de endividamento.

Agora, a companhia estipula como limite de endividamento durante ciclos de investimento um múltiplo de alavancagem de 3,9 vezes por um período de 12 meses. Já do lado dos proventos, o novo plano reduziu os valores distribuídos aos investidores para uma faixa de 10% a 20% do Ebitda ajustado. 

Para os analistas, a Klabin ainda é uma boa pedida para manter a exposição ao dólar. Nas contas do banco, a cada 10% de depreciação do real frente à divisa norte-americana, o Ebitda da produtora de papel e celulose deve registrar um impacto positivo de 13%.

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Na avaliação do BTG Pactual, a Klabin está preparada para se beneficiar de ventos favoráveis ​​na maioria de suas unidades de negócios no curto prazo — o que deve gerar um impulso de lucros “decente” nos próximos trimestres. 

Segundo os analistas, o mercado ainda não colocou na conta das projeções para a Klabin o potencial crescimento de resultados — especialmente do lado das tendências positivas para "kraftliner" e papelão ondulado, diante do avanço dos projetos Puma II e Figueira.

Apesar das perspectivas otimistas, o BTG avalia que ainda não é hora de comprar Klabin. O banco possui recomendação neutra para KLBN11 devido ao valuation mais premium em relação aos pares setoriais regionais. Hoje, a empresa é avaliada a um múltiplo de 7 vezes a relação entre valor de firma e Ebitda de 2025.

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