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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

BALANÇO NEBULOSO

Gol (GOLL4) tem prejuízo bilionário no 2T24 — e, para o BTG Pactual, é hora de vender as ações

Ainda no vermelho, a aérea continuou a queimar caixa no segundo trimestre; o fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 477 milhões

Camille Lima
Camille Lima
15 de agosto de 2024
10:24
Avião da Gol (GOLL4)
Avião da Gol (GOLL4) - Imagem: Shutterstock

Os céus das finanças parecem continuar nebulosos para a Gol (GOLL4), que registrou um prejuízo líquido de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2024, revertendo o lucro de R$ 556 milhões visto no mesmo período do ano passado.

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Em termos ajustados, as perdas chegam a R$ 1 bilhão, excluindo fatores como os ganhos com variação cambial de R$ 2,7 bilhões e as despesas não recorrentes de R$ 336 milhões da recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11).

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Ainda no vermelho, a aérea continuou a queimar caixa no segundo trimestre. A Gol reportou no período um fluxo de caixa operacional negativo de R$ 477 milhões.

A companhia atribuiu o resultado à decisão comercial de reduzir temporariamente o montante de factoring de recebíveis.

As ações GOLL4 iniciaram o pregão desta quinta-feira (15) em queda. Por volta das 10h09, os papéis recuavam 3,48%, negociados a R$ 1,1q. No acumulado do ano, a desvalorização chega a 87%.

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Outras linhas do balanço da Gol (GOLL4) no 2T24

A receita líquida da Gol (GOLL4) encolheu 5% em comparação com o segundo trimestre de 2024, para R$ 3,93 bilhões.

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De acordo com a empresa, o faturamento foi pressionado pelo fechamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, e pela queda na oferta de assentos disponíveis por quilômetro na operação de passageiros.

Efeito das fortes chuvas que se abateram recentemente sobre o Rio Grande do Sul, a situação gerou uma perda de aproximadamente R$ 120 milhões para a Gol.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) encolheu 56,8%, totalizando R$ 410 milhões no segundo trimestre, enquanto o caixa total da companhia chegou a R$ 2,6 bilhões no fim de junho.

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Os empréstimos e financiamentos contabilizados da Gol chegaram a R$ 19 bilhões no fim do trimestre. Dessa cifra, cerca de R$ 5,5 bilhões são relativos ao financiamento na modalidade “debtor in possession” (DiP loan) do plano de reestruturação de dívidas da aérea.

Confira outros destaques do balanço:

  • Endividamento líquido: R$ 25,8 bilhões (+26% a/a) 
  • Dívida bruta total: R$ 29,2 bilhões (+33,3% a/a)
  • Alavancagem (dívida líquida ajustada sobre Ebitda dos últimos 12 meses): 5,1 vezes 

Para o BTG Pactual, apesar das perdas, o resultado “fraco” de abril a junho veio em linha com as expectativas, impactado pela sazonalidade do período e pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Na avaliação dos analistas, o mercado deve acompanhar as atualizações do lado da reestruturação de dívidas nos EUA, além de monitorar os volumes e rendimentos, preços de combustível, volatilidade cambial e frota.

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O banco manteve recomendação de venda para as ações GOLL4 devido à “baixa visibilidade no processo de recuperação judicial nos EUA e à potencial diluição do patrimônio”.

Os analistas reiteraram o preço-alvo de R$ 1 para os papéis da Gol para os próximos 12 meses, o que implica em uma desvalorização potencial de 13% em relação ao último fechamento.

A crise financeira da Gol (GOLL4)

Em meio ao balanço mais negativo no segundo trimestre, é importante lembrar ainda que a Gol encontra-se no meio de uma recuperação judicial nos Estados Unidos, que teve início em janeiro deste ano.

De acordo com o plano financeiro para os próximos cinco anos, a empresa precisa refinanciar cerca de US$ 2 bilhões em dívidas para conseguir sair da recuperação judicial.

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A companhia também precisaria de uma injeção de capital de US$ 1,5 bilhão por meio da emissão de novas ações. No entanto, a Gol não entrou em detalhes sobre como será feita a emissão.

Com o plano de reestruturação, a Gol busca retornar a capacidade doméstica aos níveis pré-pandemia até 2026.

Para apoiar essa expansão, a aérea espera que a frota da companhia cresça para 169 aviões até 2029. Porém, para dar sustentação financeira ao plano, a companhia aérea deve sacrificar a margem Ebitda.

Segundo o plano quinquenal da Gol, a empresa ainda pretende realizar um aumento de capital da ordem de US$ 1,5 bilhão em algum momento dentro dos próximos cinco anos.

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Em julho, o tribunal de falências concedeu extensões dos períodos exclusivos da empresa para protocolar e solicitar votos em um plano de reorganização.

A companhia tem até 21 de outubro para apresentar o plano, mas poderá pedir para o tribunal norte-americano outras prorrogações de prazos antes de sair do Chapter 11

No início deste mês, a companhia aérea recebeu uma aprovação da corte dos EUA para uma negociação com o Santander (SANB11), o Banco do Brasil (BBAS3) e o Bradesco (BBDC4) para uma linha garantida para a cessão (factoring) de recebíveis.

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