Gol (GOLL4) tem prejuízo bilionário no 2T24 — e, para o BTG Pactual, é hora de vender as ações
Ainda no vermelho, a aérea continuou a queimar caixa no segundo trimestre; o fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 477 milhões
Os céus das finanças parecem continuar nebulosos para a Gol (GOLL4), que registrou um prejuízo líquido de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2024, revertendo o lucro de R$ 556 milhões visto no mesmo período do ano passado.
Em termos ajustados, as perdas chegam a R$ 1 bilhão, excluindo fatores como os ganhos com variação cambial de R$ 2,7 bilhões e as despesas não recorrentes de R$ 336 milhões da recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11).
- O céu é o limite? Ação que já subiu 142% desde setembro ainda tem upside de 73%, segundo a Empiricus; confira o ticker
Ainda no vermelho, a aérea continuou a queimar caixa no segundo trimestre. A Gol reportou no período um fluxo de caixa operacional negativo de R$ 477 milhões.
A companhia atribuiu o resultado à decisão comercial de reduzir temporariamente o montante de factoring de recebíveis.
As ações GOLL4 iniciaram o pregão desta quinta-feira (15) em queda. Por volta das 10h09, os papéis recuavam 3,48%, negociados a R$ 1,1q. No acumulado do ano, a desvalorização chega a 87%.
Outras linhas do balanço da Gol (GOLL4) no 2T24
A receita líquida da Gol (GOLL4) encolheu 5% em comparação com o segundo trimestre de 2024, para R$ 3,93 bilhões.
Leia Também
Tesla perde liderança para a BYD após queda nas vendas de veículos elétricos
De acordo com a empresa, o faturamento foi pressionado pelo fechamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, e pela queda na oferta de assentos disponíveis por quilômetro na operação de passageiros.
Efeito das fortes chuvas que se abateram recentemente sobre o Rio Grande do Sul, a situação gerou uma perda de aproximadamente R$ 120 milhões para a Gol.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) encolheu 56,8%, totalizando R$ 410 milhões no segundo trimestre, enquanto o caixa total da companhia chegou a R$ 2,6 bilhões no fim de junho.
Os empréstimos e financiamentos contabilizados da Gol chegaram a R$ 19 bilhões no fim do trimestre. Dessa cifra, cerca de R$ 5,5 bilhões são relativos ao financiamento na modalidade “debtor in possession” (DiP loan) do plano de reestruturação de dívidas da aérea.
Confira outros destaques do balanço:
- Endividamento líquido: R$ 25,8 bilhões (+26% a/a)
- Dívida bruta total: R$ 29,2 bilhões (+33,3% a/a)
- Alavancagem (dívida líquida ajustada sobre Ebitda dos últimos 12 meses): 5,1 vezes
Para o BTG Pactual, apesar das perdas, o resultado “fraco” de abril a junho veio em linha com as expectativas, impactado pela sazonalidade do período e pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Na avaliação dos analistas, o mercado deve acompanhar as atualizações do lado da reestruturação de dívidas nos EUA, além de monitorar os volumes e rendimentos, preços de combustível, volatilidade cambial e frota.
O banco manteve recomendação de venda para as ações GOLL4 devido à “baixa visibilidade no processo de recuperação judicial nos EUA e à potencial diluição do patrimônio”.
Os analistas reiteraram o preço-alvo de R$ 1 para os papéis da Gol para os próximos 12 meses, o que implica em uma desvalorização potencial de 13% em relação ao último fechamento.
A crise financeira da Gol (GOLL4)
Em meio ao balanço mais negativo no segundo trimestre, é importante lembrar ainda que a Gol encontra-se no meio de uma recuperação judicial nos Estados Unidos, que teve início em janeiro deste ano.
De acordo com o plano financeiro para os próximos cinco anos, a empresa precisa refinanciar cerca de US$ 2 bilhões em dívidas para conseguir sair da recuperação judicial.
A companhia também precisaria de uma injeção de capital de US$ 1,5 bilhão por meio da emissão de novas ações. No entanto, a Gol não entrou em detalhes sobre como será feita a emissão.
Com o plano de reestruturação, a Gol busca retornar a capacidade doméstica aos níveis pré-pandemia até 2026.
Para apoiar essa expansão, a aérea espera que a frota da companhia cresça para 169 aviões até 2029. Porém, para dar sustentação financeira ao plano, a companhia aérea deve sacrificar a margem Ebitda.
Segundo o plano quinquenal da Gol, a empresa ainda pretende realizar um aumento de capital da ordem de US$ 1,5 bilhão em algum momento dentro dos próximos cinco anos.
Em julho, o tribunal de falências concedeu extensões dos períodos exclusivos da empresa para protocolar e solicitar votos em um plano de reorganização.
A companhia tem até 21 de outubro para apresentar o plano, mas poderá pedir para o tribunal norte-americano outras prorrogações de prazos antes de sair do Chapter 11.
No início deste mês, a companhia aérea recebeu uma aprovação da corte dos EUA para uma negociação com o Santander (SANB11), o Banco do Brasil (BBAS3) e o Bradesco (BBDC4) para uma linha garantida para a cessão (factoring) de recebíveis.
EMAE desiste de compra de debêntures da Light (LIGT3) e rescinde acordo com BTG Pactual; entenda o motivo
O acordo havia sido firmado em setembro de 2025, mas ainda dependia da aprovação prévia da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
Prio (PRIO3) anuncia aumento de capital no valor de R$ 95 milhões após exercício de opções de compra de ações
Diluição dos acionistas deve ser pequena; confira os detalhes da emissão das novas ações PRIO3
Marisa (AMAR3) ganha disputa na CVM e mantém balanços válidos
Colegiado da CVM acolheu recurso da varejista, derrubou entendimento da área técnica e afastou a exigência de reapresentação de balanços de 2022 a 2024 e de informações trimestrais até 2025
Dasa (DASA3) quer começar o ano mais saudável e vende hospital por R$ 1,2 bilhão
A companhia anunciou a venda do Hospital São Domingos para a Mederi Participações Ltda, por cerca da metade do que pagou há alguns anos
Por R$ 7, Natura (NATU3) conclui a venda da Avon Internacional e encerra capítulo turbulento em sua história
A companhia informou que concluiu a venda da Avon Internacional para o fundo Regent LP. O valor pago pela operação da marca foi simbólico: uma libra, cerca de R$ 7
Cyrela (CYRE3) aprova aumento de capital de R$ 2,5 bilhões e criação de ações preferenciais para bonificar acionistas
Assembleia de acionistas aprovou bonificação em ações por meio da emissão de papéis PN resgatáveis e conversíveis em ações ordinárias, com data-base de 30 de dezembro
Ressarcimento pelos CDBs do Banco Master fica para 2026
Mais de um mês depois de liquidação extrajudicial do Banco Master, lista de credores ainda não está pronta.
Cosan (CSNA3): Bradesco BBI e BTG Pactual adquirem fatia da Compass por R$ 4 bilhões, o que melhora endividamento da holding
A operação substitui e renegocia condições financeiras da estrutura celebrada entre a companhia e o Bradesco BBI em 2022
Petz e Cobasi: como a fusão das gigantes abre uma janela de oportunidade para pet shops de bairro
A união das gigantes resultará em uma nova empresa com poder de negociação e escala de compra, mas nem tudo está perdido para os pequenos e médios negócios do setor, segundo especialistas
Casas Bahia aprova aumento de capital próprio de cerca de R$ 1 bilhão após reestruturar dívida
Desde 2023, a Casas Bahia vem passando por um processo de reestruturação que busca reduzir o peso da dívida — uma das principais pedras no sapato do varejo em um ambiente de juros elevados
Oi (OIBR3) não morreu, mas foi quase: a cronologia de um dos maiores desastres da bolsa em 2025
A reversão da falência evitou o adeus definitivo da Oi à bolsa, mas não poupou os investidores: em um ano marcado por decisões judiciais inéditas e crise de governança, as ações estão entre as maiores quedas de 2025
Cogna (COGN3), Cury (CURY3), Axia (AXIA3) e mais: o que levou as 10 ações mais valorizadas do Ibovespa em 2025 a ganhos de mais de 80%
Com alta de mais de 30% no Ibovespa no ano, há alguns papéis que cintilam ainda mais forte. Entre eles, estão empresas de educação, construção e energia
R$ 90 bilhões em dividendos, JCP e mais: quase 60 empresas fazem chover proventos às vésperas da taxação
Um levantamento do Seu Dinheiro mostrou que 56 empresas anunciaram algum tipo de provento para os investidores com a tributação batendo à porta. No total, foram R$ 91,82 bilhões anunciados desde o dia 1 deste mês até esta data
Braskem (BRKM5) é rebaixada mais uma vez: entenda a decisão da Fitch de cortar o rating da companhia para CC
Na avaliação da Fitch, a Braskem precisa manter o acesso a financiamento por meio de bancos ou mercados de capitais para evitar uma reestruturação
S&P retira ratings de crédito do BRB (BSLI3) em meio a incertezas sobre investigação do Banco Master
Movimento foi feito a pedido da própria instituição e se segue a outros rebaixamentos e retiradas de notas de crédito de agências de classificação de risco
Correios precisam de R$ 20 bilhões para fechar as contas, mas ainda faltam R$ 8 bilhões — e valor pode vir do Tesouro
Estatal assinou contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos, mas nova captação ainda não está em negociação, disse o presidente
Moura Dubeux (MDNE3) anuncia R$ 351 milhões em dividendos com pagamento em sete parcelas; veja como receber
Cerca de R$ 59 milhões serão pagos como dividendos intermediários e mais R$ 292 milhões serão distribuídos a título de dividendos intercalares
Tupy (TUPY3) convoca assembleia para discutir eleição de membros do Conselho em meio a críticas à indicação de ministro de Lula
Assembleia Geral Extraordinária debaterá mudanças no Estatuto Social da Tupy e eleição de membros dos conselhos de administração e fiscal
Fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes já impactou mais de 15 milhões de pessoas — e agora quer conceder crédito
Rede Mulher Empreendedora (RME) completou 15 anos de atuação em 2025
Localiza (RENT3) e outras empresas anunciam aumento de capital e bonificação em ações, mas locadora lança mão de ações PN temporárias
Medidas antecipam retorno aos acionistas antes de entrada em vigor da tributação sobre dividendos; Localiza opta por caminho semelhante ao da Axia Energia, ex-Eletrobras
