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Para Marcel Saraiva, gerente de vendas da divisão Enterprise da Nvidia no Brasil, país precisa seguir um caminho para realizar o sonho da soberania de IA
As lendas contam que o El Dorado seria uma cidade construída totalmente em ouro, localizada em algum ponto da América Latina. Alguns acreditavam que a localização seria no México, outros no Peru e há quem diga que esse povoado estaria no coração da Amazônia. Seja como for, existe um tesouro localizado sim no Brasil — e quem vem desbravando o ramo é a Nvidia (NVDC34).
Não entenda mal: a empresa com mais de um trilhão de valor de mercado não mudou do ramo de inteligência artificial (IA) para o da mineração do dia para a noite. Pelo contrário: enquanto muitos apostam que a demanda por IA deveria diminuir a qualquer momento, a Nvidia enxerga espaço para navegar com tranquilidade.
Isso porque o segmento de Data Centers, responsável por 90% das receitas totais, é o “coração” do negócio de inteligência artificial e, só no último terceiro trimestre deste ano, as receitas com o armazenamento de informações cresceram 112%, para US$ 30,8 bilhões.
Um novo recorde para uma empresa acostumada a bater recordes.
“A demanda por Inteligência Artificial foi aumentando a participação desse segmento dentro da Nvidia e hoje é uma peça importante dos negócios e uma das mais importantes”, afirma Marcel Saraiva, gerente de vendas da divisão Enterprise da Nvidia no Brasil.
“E o Brasil tem a oportunidade de ser um dos maiores fornecedores de energia limpa para os data centers e, com isso, atrair empresas nacionais e multinacionais para cá”, afirma o executivo.
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Assim como a extração do ouro exige algumas técnicas específicas para seu tratamento e comercialização, os data centers são um diamante bruto que precisa ser trabalhado.
Recapitulando, data centers são ambientes que armazenam as informações que, entre outras coisas, são utilizadas para o treinamento de IAs generativas, como o ChatGPT.
Em uma aproximação grosseira, são as bibliotecas onde a IA vai buscar a informação quando você faz a pergunta — e é lá que elas também guardam o caminho para respostas futuras parecidas, mecanismo conhecido como “inferência”, no jargão do setor.
Acontece que para cada pergunta, o ChatGPT consome aproximadamente 0,0029 kWh de energia — o equivalente a manter uma lâmpada incandescente ligada por três minutos. O consumo de uma pergunta para o chatbot mais famoso do mundo é dez vezes maior que uma pesquisa no Google.
Assim, não é exagero dizer que a Inteligência Artificial consome muita energia elétrica e o aumento da demanda por soluções para o ramo também demanda um consumo ainda maior.
E é aí que entra o Brasil.
Em um relatório publicado em julho deste ano, o Itaú BBA apontou o Brasil como o terreno fértil para o desenvolvimento dos data centers. O país une espaço físico disponível com uma matriz energética diversificada e, principalmente, renovável.
Ou seja, o Brasil tem as características que o mundo deseja para a criação de uma Inteligência Artificial verde e sustentável.
No entanto, há quem critique o fato de o mundo enxergar o Brasil apenas como um grande armazém de dados.
Para Marcel, da Nvidia, é crucial que o país siga o cronograma estipulado pelo Plano Nacional de Inteligência Artificial (PBIA), plano que estabelece a criação de um Núcleo de IA do governo brasileiro, para garantir o que ele chamou de soberania digital.
“Não basta querer fazer a coisa toda do zero. É preciso ter antes um certo poder computacional para conseguir criar algo em cima”, explica.
“E como você faz isso? Através de duas coisas: taxação e regulação. A reforma tributária pode ter um papel crítico nesse ecossistema, em especial na parte de maquinário, e a lei deve trazer a segurança para quem trouxer um data center para cá para poder trabalhar com segurança e dados protegidos.”
Para o executivo da Nvidia, há uma “sinalização interessante” do governo federal para realizar investimentos no desenvolvimento e promoção de IA no Brasil. Em números, o PBIA inclui um investimento de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028 para essas finalidades.
No início de novembro, a nova linha de chips Blackwell da Nvidia teve um problema de superaquecimento nas máquinas. De acordo com o executivo da empresa, em virtude de uma falha durante o processo de selagem dos produtos — “que foi rapidamente solucionada após a identificação”, disse.
Mesmo assim, à época, as ações da Nvidia negociadas em Nova York chegaram a operar em queda durante alguns dias.
Vale dizer que a linha Blackwell é uma das apostas de chips de alto rendimento para substituir o carro-chefe da Nvidia, que atualmente é a linha de GPUs H200. Essa transição de um produto para o outro tende a enfrentar solavancos.
Entretanto, o executivo da empresa espera por uma “transição suave” para a nova linha.
“Nos próximos trimestres, o mix de venda da família Blackwell deve se somar com o bom desempenho de vendas do H200 e deve ajudar a gente a continuar tendo um bom desempenho e boas margens”, comenta Saraiva.
Saraiva destacou o desempenho superior da Blackwell em "inferência", o processo de execução de modelos de IA, que tem 30 vezes o desempenho da geração anterior. O serviço permite a operação mais eficiente e econômica dos serviços de inteligência artificial.
Mas o que o investidor quer saber é: ainda dá para aproveitar e investir nas ações da Nvida, mesmo a empresa tendo mais que dobrado de valor de mercado no último ano?
Quem dá a resposta são os analistas do Itaú BBA, que mantiveram a recomendação de outperform para as ações da Nvidia, o equivalente à compra dos papéis.
Vale dizer que, em março deste ano, o Itaú BBA “inventou” uma nova classificação de recomendação para as ações da Nvidia, uma “dupla recomendação de compra”, nas palavras do relatório. Desde então, os analistas mantêm o otimismo com a empresa.
No entanto, enquanto ela olhava para dentro de seu negócio, as concorrentes se movimentavam. Agora, ela precisará correr se quiser se manter como uma competidora relevante no jogo do varejo brasileiro
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