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Bancos mantiveram a recomendação de compra para os papéis da empresa após a divulgação do balanço, ressaltando o momento positivo no setor elétrico
Seguindo a temporada de balanços do terceiro trimestre, os números da Eletrobras (ELET3) divulgados ontem (6) surpreenderam o mercado, especialmente o salto no lucro.
De acordo com o balanço da companhia de energia, o lucro líquido somou R$ 7,195 bilhões, um avanço de 387,3% em relação ao lucro de R$ 1 bilhão registrado um ano antes.
A Eletrobras afirmou que o resultado foi positivamente impactado pelo reconhecimento da remensuração dos ativos de transmissão após a revisão tarifária periódica (RTP) de 2024, no montante de R$ 5,417 bilhões.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 11,964 bilhões no terceiro trimestre, equivalente a uma alta de 164,1% na comparação anual e mais que o dobro dos R$ 5,4 bilhões esperados por analistas da LSEG.
A receita operacional líquida da companhia atingiu R$ 11,043 bilhões no período, o que representa uma elevação de 25,8% na comparação com o mesmo período de 2023.
A companhia de energia reportou ainda uma dívida líquida ajustada 4,5% maior do que a totalizada no terceiro trimestre de 2023, para R$ 40,85 bilhões.
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Segundo a XP Investimentos, o Ebitda ajustado regulatório — Ebitda societário somando aos ativos e passivos regulatórios — de R$ 6,165 bilhões superou as expectativas, impulsionado pela reversão de provisões e o bom desempenho da hidrelétrica Tucuruí.
Para os analistas do BTG Pactual, a Eletrobras apresentou resultados melhores que o esperado. O banco destacou, entre outros números, as despesas operacionais da empresa. Segundo os analistas, “uma boa notícia”.
Entre janeiro e setembro, os custos e despesas operacionais caíram de R$ 16,3 bilhões para R$ 12,4 bilhões de ano para ano, segundo o balanço da Eletrobras.
O BTG observou, no entanto, que não é possível saber exatamente quanto de energia foi vendida pela Eletrobras. Mas com os preços subindo cerca de R$ 5 por Megawatt-hora (MWh) vendido — mais do que a inflação do período —, a companhia pode ter assinado bons contratos.
Os analistas do banco ainda descreveram a Eletrobras como uma “road to dividends” (caminho para dividendos, em português), por consideraram que a companhia de energia está em uma trajetória para se tornar uma forte pagadora de dividendos no futuro.
“Acreditamos que a empresa começará a pagar bons dividendos em 2026, com base nos resultados de 2025. Isso deve ajudar a valorizar suas ações, aproximando-a de outras empresas pagadoras de dividendos (que hoje são mais caras que a Eletrobras)”, diz o BTG.
Até lá, os analistas afirmam que o preço das ações da empresa de energia deverá ser influenciado pelos preços de contratos de energia de três a cinco anos.
Por conta disso, o BTG mantém recomendação de compra para ELET3 da Eletrobras, com preço-alvo de R$ 59, um potencial de alta de 61% sobre o fechamento anterior.
O Itaú BBA, por sua vez, considerou os resultados mistos, ressaltando que o Ebitda ajustado ficou abaixo da expectativa do banco, mas com aumento em relação a 2023.
Segundo o BBA, apesar dos efeitos pontuais e da variação nas previsões do mercado, a empresa revisou para cima o preço da energia em todos os seus contratos, o que sugere um movimento de vendas ativo, aproveitando o aumento nos preços de energia no período.
Essa estratégia é vista como positiva, de acordo com os analistas do Itaú BBA, mas a falta de informações sobre vendas futuras ainda pode frustrar alguns investidores.
O Itaú BBA reiterou classificação “outperform” para os papéis ELET3 da Eletrobras, recomendação equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 59,6 até o final de 2024. O valor representa uma alta de 63% sobre o preço do fechamento anterior da ação.
A redução de custos com “pessoal, material, serviços e outros” (PMSO) também ficou abaixo do esperado, diz o BBA. ”Esperávamos uma redução significativa anual, como reflexo do processo de reestruturação e dos programas de demissão voluntária”.
Em teleconferência, o CEO da Eletrobras, Ivan Monteiro, ressaltou o trabalho de otimização da estrutura da Eletrobras que vem sendo realizado desde 2022, após a privatização, com foco na redução de custos e melhoria de processos e eficiência operacional.
Segundo o executivo, a companhia projeta encerrar este ano com custos PMSO abaixo de R$ 7 bilhões, valor que será reduzido para R$ 6 bilhões em 2025 e chegará a R$ 5,5 bilhões em 2026.
“Essa é a trajetória, que vai estar nas peças orçamentárias que a companhia vai submeter na diretoria executiva e no conselho de administração, é um compromisso inabalável… achamos absolutamente factível atingir essa performance”, disse Monteiro.
Na visão do UBS BB, a Eletrobras apresentou resultados fortes, com receitas e Ebitda superando as estimativas do banco, embora tenham ficado mais em linha com o mercado.
Os bons resultados foram principalmente impulsionados pelo contrato da usina de Tucuruí, que aumentou as receitas em R$ 1,3 bilhão. Além disso, o PMSO continuou a diminuir devido ao processo de reestruturação da gestão, destacaram os analistas em relatório.
“Acreditamos que esses resultados mais fortes reforçam nossa visão de que a empresa continuará a gerar valor para os acionistas, ampliando seus contratos enquanto reduz os empréstimos obrigatórios e as despesas operacionais”, afirma o UBS BB.
O banco manteve recomendação de compra para ELET6, ações preferenciais de classe B da Eletrobras. O preço-alvo é de R$ 53, uma alta de 28% sobre o fechamento anterior.
A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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