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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

REESTRUTURAÇÃO

Azul (AZUL4) salta 14% após abertura depois de acordo para trocar quase R$ 3 bilhões em dívidas com arrendadores e fabricantes por ações da aérea

Os lessores e OEMs receberão até 100 milhões de novas ações AZUL4 — isto representa um preço de R$ 30 por ação, seis vezes maior do que o valor de tela da Azul atualmente

Renan Sousa
Renan Sousa
8 de outubro de 2024
7:49 - atualizado às 14:20
Aeronave da companhia Azul estacionado, com céu azul ao fundo. AZUL4
Imagem: Divulgação

O acordo da Azul (AZUL4) com seus arrendadores (lessores) e fabricantes de equipamentos originais (OEMs, em inglês) finalmente saiu, algo que era amplamente aguardado pelo mercado.

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De acordo com o documento enviado à CVM, a empresa afirma que os arrendadores e OEMs concordaram em trocar suas dívidas com a Azul por uma participação equivalente em ações da empresa.

Assim, essa conversão totaliza aproximadamente R$ 3 bilhões, com os lessores e OEMs recebendo até 100 milhões de novas ações preferenciais AZUL4 — isto representa um preço de R$ 30 por ação, seis vezes maior do que o valor de tela da Azul atualmente.

Vale lembrar que a Azul vem passando por maus momentos na bolsa brasileira, perdendo mais de 60% do valor de mercado desde o começo de 2024. No fechamento dos negócios da última segunda-feira (7), as ações fecharam em queda de 2,21%, negociadas a R$ 5,75. 

Já na abertura desta terça-feira (8), as ações saltam 14,26%, sendo negociadas a R$ 6,56 por volta das 10h33.

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A companhia afirma que esses acordos representam uma parte significativa de um plano abrangente projetado para fortalecer a geração de caixa da Azul e melhorar sua estrutura de capital no futuro.

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Além disso, essa negociação está condicionada a mudanças em outras obrigações — o que inclui a obtenção de financiamento adicional. 

O documento também afirma que essas alterações de obrigações estão sujeitas à finalização da documentação vinculativa definitiva com os arrendadores e OEMs.

Por fim, a Azul afirma que as negociações continuam com os detentores dos 8% restantes das obrigações de emissão de ações, bem como com outras partes interessadas. 

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Vale destacar que, em meio a temores sobre a sustentabilidade financeira da companhia aérea, as agências de classificação de risco Moody’s e S&P Global Ratings recentemente rebaixaram as notas de crédito para a empresa.

Na visão dos analistas do JP Morgan, o anúncio está "quase em linha" com as expectativas. Isso porque os especialistas do banco norte-americano esperavam uma diluição entre 20% e 25% das ações após o acordo, e o apresentado pela Azul é de algo próximo a 23%.

"Ainda assim", seguem, "vemos com otimismo o anúncio, pois ele remove uma potencial notícia negativa de chapter 11", escrevem os analistas, em referência ao capítulo da lei norte-americana de reestruturação empresarial, o primeiro passo para a empresa decretar falência.

Contudo, o JP Morgan mantém a recomendação neutra para a Azul, preferindo nomes como Latam e Copa Airlines, que a recomendação é de compra.

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