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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

A VIDA DEPOIS DA FRAUDE

Americanas (AMER3) tem prejuízo de R$ 2,2 bilhões em 2023 e decide parar de divulgar projeções financeiras

Apesar das perdas robustas no ano passado, a cifra é 82,8% menor do que o montante de R$ 13,22 bilhões registrado em 2022

Camille Lima
Camille Lima
15 de agosto de 2024
9:04
Fachada de loja da Americanas (AMER3)
Fachada de loja da Americanas (AMER3). - Imagem: Divulgação

Após uma sequência de adiamentos, a Americanas (AMER3) enfim divulgou na noite da última quarta-feira (15) os últimos resultados financeiros pendentes. O balanço consolidado de 2023 trouxe um prejuízo acumulado de R$ R$ 2,272 bilhões.

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Apesar das perdas robustas, a cifra é 82,8% menor do que o montante de R$ 13,22 bilhões registrado em 2022, considerando os números reapresentados após a descoberta da fraude de resultados.

Segundo a varejista, o resultado do ano passado foi negativamente marcado pelo impacto operacional da crise financeira e da redução de receitas, com custos adicionais da investigação e da recuperação judicial, parcialmente compensados por impactos tributários. 

“Os últimos 18 meses foram marcados por grandes desafios: a revelação de inconsistências contábeis, que posteriormente foram identificadas como uma complexa fraude de resultados, a Recuperação Judicial e a necessidade de reconstrução da Americanas. Esses eventos impactaram o resultado do período, com queda relevante na receita e contabilização de prejuízos recordes”, escreveu a empresa, no balanço.

Na avaliação da Americanas, a aprovação do plano de recuperação judicial e a execução da reestruturação abrem caminho para a “expectativa da companhia para gerar lucro tributável em 2024”, o que possibilitou o reconhecimento de impostos diferidos no valor de R$ 4,8 bilhões no quarto trimestre de 2023.

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Além da publicação dos números atrasados, a varejista anunciou na noite de ontem que decidiu parar de divulgar as projeções financeiras (guidance) para os próximos trimestres. 

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Segundo a empresa, a decisão permite que a companhia “reavalie a expectativa de desempenho futuro”.

Outras linhas do balanço da Americanas (AMER3) em 2023

A receita líquida caiu 42,1% no comparativo anual, encerrando 2023 em um patamar de R$ 14,94 bilhões, pressionada pela forte redução do canal digital e por problemas de abastecimento nas lojas físicas logo após o pedido de recuperação judicial. 

Por sua vez, a dívida líquida da varejista chegou a R$ 33,45 bilhões no ano passado, aumento de 20,8% na comparação com o ano fechado de 2022, enquanto o endividamento bruto somou R$ 39,43 bilhões no período.

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Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), indicador usado para mensurar a geração de caixa, foi negativo em R$ 2,8 bilhões, melhora de 56,9% na base anual.

Enquanto isso, o volume de vendas (GMV) total caiu 45,9% em relação a 2022, para R$ 22,7 bilhões. O montante foi impactado pela forte perda de confiança com o canal digital, cujo GMV encolheu 75,7% após a revelação da fraude contábil multibilionária na varejista.

Na avaliação da Americanas, o desempenho negativo no canal online é atribuído à estratégia de diminuir o volume de vendas do 1P — vendas de mercadorias próprias — e migrar categorias relevantes para o 3P — vendas no marketplace —, com o objetivo de melhorar a rentabilidade da operação. 

Os números do primeiro semestre de 2024

A Americanas (AMER3) ainda apresentou o balanço acumulado do primeiro semestre deste ano — finalmente colocando em dia as divulgações trimestrais.

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A companhia teve um prejuízo de R$ 1,4 bilhão entre janeiro e junho de 2024, cifra 55,9% menor frente a igual intervalo de 2023.

A varejista afirma que a queda do prejuízo vista na primeira metade de 2024 "dá continuidade aos impactos positivos iniciais da nova estratégia de negócios e esforços de transformação da administração".

Veja como ficaram algumas das principais linhas do balanço da Americanas nos seis primeiros meses de 2024 em relação ao mesmo período do ano anterior:

  • Receita líquida: R$ 6,8 bilhões (-2,6% a/a)
  • Ebitda: R$ 1,34 bilhão, revertendo as perdas de R$ 1,18 bilhão do 1S23
  • GMV total: R$ 10,1 bilhões (-9% a/a)
  • Dívida líquida: R$ 38,879 bilhões, piora de 16,2% sobre o consolidado de 2023

LEIA TAMBÉM: Receba em primeira mão as análises dos balanços das maiores empresas do varejo, segundo os analistas da Empiricus Research. 

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Relembre o caso Americanas (AMER3)

Vale relembrar que a Americanas (AMER3) protagonizou um dos maiores escândalos contábeis da história do mercado de capitais no Brasil.

Em janeiro do ano passado, a varejista entrou com um pedido de recuperação judicial diante do agravamento da situação financeira da companhia.

À época, a empresa comandada pelo famoso trio de empresários formado por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles somava dívidas no valor de R$ 43 bilhões com bancos e fornecedores, além de questões trabalhistas.

Após adiar várias vezes seu balanço, foram confirmadas fraudes na casa das dezenas de bilhões de reais. Em relação a 2021, o “maior lucro da história” da Americanas converteu-se em um prejuízo líquido de R$ 6,237 bilhões.

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E o prejuízo da varejista mais do que dobrou em 2022. A Americanas fechou aquele ano com R$ 12,912 bilhões no vermelho.

Já a fraude contábil foi estimada em R$ 25,2 bilhões, muito próximo do rombo calculado quando a Americanas admitiu que o episódio ia muito além de "inconsistências contábeis".

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