Ambipar sofre novo enquadro da CVM após disparada “atípica” das ações na bolsa — e empresa tenta explicar a escalada de AMBP3
Este é o segundo chamado da autarquia em três semanas em busca de respostas para a robusta valorização de AMBP3 na B3 em um período tão curto de tempo

Depois de quadriplicar de valor na bolsa brasileira em apenas um mês, a Ambipar (AMBP3) recebeu um novo enquadro da CVM, a xerife do mercado de capitais brasileiro, sobre a disparada “atípica” das ações na B3.
Afinal, só no último pregão, os papéis da empresa de gestão de resíduos saltaram 28,90% fora do Ibovespa, para a marca de R$ 66,90 — o maior patamar de preços da história da companhia na bolsa.
Este é o segundo chamado da autarquia em três semanas em busca de respostas para a robusta valorização de AMBP3 na B3 em um período tão curto de tempo.
Além dos pedidos de esclarecimento, é possível encontrar no site da autarquia a abertura de um processo administrativo contra a Ambipar no fim de junho de 2024 — período este que coincide com o início do movimento de alta das ações AMBP3 na bolsa.
Em resumo, o mercado continua sem explicações concretas sobre o que estaria por trás do forte impulso das ações em um período tão curto de tempo — mas a Ambipar tentou dar algumas possíveis respostas à valorização.
As respostas da Ambipar (AMBP3) ao enquadro da CVM
Em resposta aos novos questionamentos da CVM, a Ambipar voltou a afirmar que não tem conhecimento do que poderia justificar essas oscilações tão intensas das ações AMBP3 na bolsa.
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Entretanto, a companhia disse que “a administração tem trabalhado constantemente para o atingimento da meta de redução de alavancagem constante” — e a própria mudança de diretores financeiro (CFO) e de relações com investidores (DRI) realizada nas últimas semanas estaria ligada a esse objetivo.
Uma das potenciais justificativas citadas pela companhia para a alta das ações na B3 seria o avanço na concretização de projetos para desmobilização de ativos nos últimos dias.
Essas iniciativas fazem parte da revisão do modelo de alocação do ativo imobilizado da companhia, segundo comunicado ao mercado.
“Tais projetos ainda estão em fase final de negociação; se e quando implementados, serão divulgados ao mercado nos termos da regulamentação aplicável”, escreveu a empresa.
A empresa de Tércio Borlenghi Junior ainda ressaltou que as expectativas com o balanço do segundo trimestre de 2024 “podem estar afetando as negociações das ações”.
Vale destacar que a empresa adiantou a publicação dos números do 2T24 do dia 15 de agosto para a próxima quinta-feira (8).
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O salto das ações AMBP3 na bolsa brasileira
É importante lembrar que, em termos de fundamento, nada mudou radicalmente na Ambipar (AMBP3) no último mês.
Afinal, uma das principais preocupações do mercado com as finanças da empresa era o patamar de endividamento da companhia.
Ainda que um processo de desalavancagem já esteja em curso, até o trimestre passado o nível ainda era considerado elevado — e ainda não há indícios de que essa situação tenha mudado.
Mas mesmo com a falta de respostas concretas, há alguns fatores que poderiam explicar parte do movimento da Ambipar (AMBP3) na bolsa brasileira, segundo analistas e gestores consultados pelo Seu Dinheiro.
A alta se intensificou há cerca de um mês, quando os investidores começaram a especular sobre os planos do sócio fundador e CEO da companhia, Tércio Borlenghi Junior, para a companhia.
Afinal, após garantir uma fatia relevante da empresa na oferta de ações (follow-on) realizada no ano passado, Borlenghi Junior continuou a construir posição na Ambipar, elevando sua fatia para 73,135% do capital social.
Essa situação inclusive levantou especulações no mercado sobre a necessidade de o CEO ser obrigado a fechar o capital da empresa, já que, no entendimento de alguns investidores, o executivo supostamente teria ultrapassado o limite de um terço das ações da empresa em circulação (free float) na bolsa.
Além do controlador, a Ambipar lançou um programa de recompra de ações, o que também ajudou a sustentar as cotações. Por fim, os fundos da Trustee DTVM — que supostamente têm o empresário Nelson Tanure como cotista — também entraram na ponta compradora e abocanharam 11,03% do capital da companhia.
Não está claro se a Trustee atua de forma independente ou em conjunto com o controlador da Ambipar. Seja como for, a pressão compradora levou a um movimento de short squeeze com as ações na B3.
Basicamente, o short squeeze acontece quando investidores com posições vendidas (short) desfazem suas apostas na queda do papel e recompram a ação para cobrir a posição, consequentemente elevando ainda mais os preços.
As compras realizadas nas últimas semanas pelo controlador e pela Trustee reduziram a quantidade de papéis da Ambipar em circulação no mercado. Com isso, os investidores vendidos têm de pagar cada vez mais caro para zerar as posições.
Ao mesmo tempo, a quantidade de ações disponíveis para aluguel — necessário para manter a posição vendida — diminuiu, o que provocou uma explosão das taxas. Assim, um investidor que queira tomar ações da Ambipar alugadas pagava taxas de quase 250% na semana passada.
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