A hora da Vale (VALE3) chegou? Produção de minério cresce e vendas acompanham; confira os números da mineradora no 2T24
Havia expectativa em torno do desempenho da companhia entre abril e junho por conta da desaceleração da economia chinesa, que afeta diretamente a demanda por minério de ferro

A Vale (VALE3) iniciou a terça-feira (16) assombrada pela cautela dos investidores — as ações da mineradora apareceram entre as maiores baixas do Ibovespa e acabaram terminando o dia em queda de 1,11%. A preocupação era justificada: a desaceleração da China pressionou os preços do minério de ferro e aumentaram as expectativas pelos resultados operacionais da companhia brasileira.
Depois do fechamento do mercado, a Vale informou que a produção de minério de ferro somou 80,6 milhões de toneladas métricas (Mt) no segundo trimestre de 2024, o que representa uma alta de 2,4% em base anual. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve aumento de 13,8%.
A produção de pelotas, por sua vez, somou 8,9 Mt no segundo trimestre de 2024, o que representa uma queda de 2,4% em base anual, mas uma alta de 5,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Já as vendas de minério de ferro avançaram 7,3% entre abril e junho na comparação com o mesmo período de 2023 e deram um salto de 25% na base trimestral, para 79,8 Mt.
As vendas dos finos de minério somaram 68,5 Mt, alta de 8,2% ano a ano e de 30,4% trimestre contra trimestre, enquanto as vendas de pelotas alcançaram 8,9 Mt, praticamente estáveis na comparação anual (+0,6%) e uma queda de 3,9% em termos trimestrais.
"O desempenho da Vale no segundo trimestre foi marcado por um aumento significativo de 7,3% ano a ano nas vendas de minério de ferro e por um desempenho consistente do S11D, alcançando recorde de produção para um segundo trimestre", diz a Vale em nota.
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Os preços praticados pela Vale
O relatório também mostrou que os preços dos finos de minério de ferro ficaram praticamente estáveis no segundo trimestre de 2024 ante o mesmo período de 2023, caindo 0,3%, para US$ 98,2 por tonelada. Na comparação trimestral, houve baixa de 2,5%.
Já os preços das pelotas de minério recuaram 2% na mesma comparação, para US$ 157,20. Em base trimestral, houve queda de 8,6%.
Em termos de comparação, nesta terça-feira (16) o contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para entrega em setembro de 2024, fechou em queda de 0,96%, cotado a US$ 113,50.
Outros metais da Vale
A produção de cobre da Vale totalizou 78,6 mil toneladas (kt) no segundo trimestre de 2024, uma queda de 0,3% em base anual e uma baixa de 4% na comparação com os três meses imediatamente anteriores.
As vendas de cobre subiram 3,1% ano a ano, mas caíram 0,9% em termos trimestrais, para 76,1 kt, enquanto os preços alcançaram US$ 9.202, uma alta de 31% ano a ano e de 19,7% trimestre contra trimestre.
A produção de níquel, por sua vez, diminuiu 24,4% entre abril e junho na comparação com o mesmo período do ano anterior, e foi também 29,4% menor em base trimestral, totalizando 27,9 kt.
As vendas de níquel totalizaram 34,3 kt, o que representa uma queda de 14,9% em base anual, mas uma alta de 3,6% na comparação trimestral. O preço alcançou US$ 18.638, queda de 19,2% ano a ano, mas um aumento de 10,6% trimestre contra trimestre.
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O que esperar os resultados financeiros
De maneira geral, o Santander espera que as mineradoras apresentem resultados trimestrais melhores no segundo trimestre de 2024, explicados por volumes mais fortes devido à sazonalidade positiva da produção e custos menores.
No caso da Vale, a expectativa é por resultados mais fortes, com volumes de vendas mais fortes e custos ligeiramente mais baixos, mais do que compensando os preços realizados do minério de ferro mais fracos.
O Santander projeta Ebitda de US$ 4 bilhões para a Vale no período, o que representará um aumento de 14% em base trimestral. Os números do banco foram calculados antes da divulgação do relatório de produção de hoje.
Já a Genial Investimentos projeta receita líquida de US$10,2 bilhões para a Vale entre abril e junho, uma alta de 19,1% na comparação trimestral e de 5,7% em termos anuais.
O Ebitda ajustado deve chegar a US$ 4,1 bilhões (+15,6% t/t; +9,7% a/a) e o lucro líquido, US$ 2,1 bilhões (+8,2% t/t; +56,4% a/a). A casa lembra que pode revisar as projeções após os dados operacionais de hoje.
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