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Projeto complementar ao edifício cartão-postal de Lina Bo Bardi terá 14 andares; financiamento foi feito 100% com doações de pessoas físicas
Nos últimos meses, quem passa pela Avenida Paulista encontra um certo trânsito de pedestres entre as ruas Itapeva e Peixoto Gomide. O causador do “engarrafamento” é nada menos do que o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, que está em obras de expansão.
Mas os transtornos vão passar – e os benefícios vão ficar, espera-se. A instituição revelou que vai inaugurar o novo prédio em março de 2025.
Portanto, se você pretendia visitar o MASP no futuro próximo, talvez compense esperar mais um pouco para poder conhecer o novo edifício, nomeado Pietro Maria Bardi, em homenagem ao primeiro diretor artístico do museu.
“Com esse projeto de expansão, o MASP assume uma estrutura semelhante à dos museus internacionais, com a capacidade de receber cerca de 2 milhões de visitantes, alinhado às necessidades de uma grande metrópole global como a cidade de São Paulo”, disse o diretor-presidente Heitor Martins.
A construção estava inicialmente orçada a R$ 180 milhões, mas acabou custando R$ 250 milhões no final das contas. O mais surpreendente da cifra é que o projeto foi 100% financiado por doações de pessoas físicas.
“Viabilizar a construção desse prédio por meio de doações é o coroamento do novo modelo administrativo do MASP, uma instituição que tem seus pilares calcados na sociedade civil”, afirma Martins.
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Segundo o presidente do comitê “MASP em Expansão”, Ronaldo Cezar Coelho, esta se trata da maior operação de filantropia brasileira com apoio de famílias, sem incentivos fiscais ou quaisquer estímulos governamentais.
Vale ressaltar que, assim como outros museus ao redor do mundo, a instituição tem um programa de apoio financeiro, em que apreciadores da arte e outros apoiadores pagam um valor que ajuda a viabilizar os projetos. Em troca, eles têm benefícios exclusivos e prioridades no acesso ao museu.
No caso, o “Amigo MASP” varia entre R$ 158 e R$ 525 por ano.
Lado a lado da construção principal, que se tornou ícone arquitetônico e cartão postal da capital, a nova ala do MASP é um prédio de 14 andares, que vai aumentar significativamente os espaços para as exposições e para outras atividades culturais, como cursos e serviços de restauro de obras.
Ao todo, serão cinco galerias expositivas e duas galerias multiuso; além de restaurante, lojas, salas de aula e laboratório de restauro, segundo informações do site oficial. A bilheteria, que antes ficava no célebre “vão do MASP”, será transferida para o Pietro.
Outra mudança estrutural bem significativa é a construção de um túnel subterrâneo que fará a integração entre as duas alas. O espaço está previsto para o segundo semestre do ano que vem.

Nas palavras da instituição, “trata-se do feito mais significativo na história do museu após a transferência da rua 7 de Abril, na sede dos Diários Associados, para a Avenida Paulista, em 1968.”
O prédio principal foi projetado pela renomada e premiada arquiteta modernista Lina Bo Bardi, que também é responsável pelo SESC Pompeia. Já o novo edifício é uma co-autoria de Júlio Neves com o escritório METRO Arquitetos Associados, dos sócios Martin Corullon e Gustavo Cedroni.
A ideia é que as duas obras arquitetônicas se complementem. Enquanto o monumento cartão-postal se destaca pelos detalhes em vermelho, o edifício Pietro tem tons mais sólidos e acinzentados.
“Não conheço outra estrutura similar no Brasil. Acredito que o MASP em expansão será um caso ímpar de planejamento e modernidade em nosso país”, afirma Neves.
“Apostamos em um visual limpo, uma fachada homogênea, para não criar ruídos nessa relação. Ao mesmo tempo, o design monolítico, inspirado nas tipologias dos museus verticais, como os de Nova York, se destaca no entorno, conferindo-lhe um caráter próprio”, complementa Corullon.
Um dos motivos para a expansão do museu é o fato de que apenas pouco mais de 1% do acervo de aproximadamente 11 mil obras está exposto atualmente.
Com o edifício Pietro, que vai somar um espaço 66% maior à estrutura física, a instituição vai ampliar o número de mostras e exposições. No total, contando o vão livre, o MASP terá um espaço de 21.863 m 2 para realizar as atividades culturais e artísticas.
Para o ano que vem, serão feitas cinco exposições inaugurais, cujos temas ainda não foram divulgados.
Apesar disso, o museu já revelou que o ano de 2025 será dedicado às “Histórias da Ecologia”, promovendo discussões sobre a relação entre o ser humano e o meio ambiente. Em março, na inauguração da nova ala, também haverá uma mostra sobre a história do espaço.
“O acervo do MASP vem crescendo. Nosso plano é que o 2º andar e o 2º subsolo do edifício Lina sejam dedicados às exposições de longa-duração, com obras que pertencem à coleção do museu. Já as novas galerias do edifício Pietro deverão ser ocupadas com exposições temporárias”, conta o diretor artístico Adriano Pedrosa.
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