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Conhecida como rainha cripto, Ruja Ignatova não é vista desde 2017 — e especula-se que isso tenha relação com seu suposto envolvimento com um mafioso búlgaro
Ruja Ignatova encabeça a lista de mulheres mais procuradas do FBI, a polícia federal norte-americana. O que ela fez para chegar a essa posição é uma daquelas histórias nas quais a realidade supera a ficção.
Nascida na Bulgária em 1980 e criada na Alemanha, Ruja Ignatova trilhou uma carreira de sucesso no mundo das finanças até 2014.
Foi quando ela lançou a OneCoin e ficou conhecida pelos apelidos de “doutora Ruja” e "rainha cripto".
Mediante a promessa de retornos financeiros que deixariam na pista os ganhos observados durante o primeiro grande boom do bitcoin (BTC), Ruja captou US$ 4,5 bilhões junto a investidores de todo o mundo para sua suposta criptomoeda alternativa.
Na cotação de hoje, o montante superaria os R$ 20 bilhões. Sim, bilhões. Você não leu errado.
A OneCoin parecia um grande negócio. No entanto, o suposto token não passava de um elaborado esquema de fraude.
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Não se tratava nem de um clássico sistema de pirâmide. Também não era uma criptomoeda. A OneCoin simplesmente não existia.
Em outubro de 2017, quando os investigadores apertaram o cerco, Ruja Ignatova embarcou em um voo da Ryanair de Sófia com destino a Atenas para nunca mais ser vista.
E o fato de a OneCoin não ter deixado nenhum rastro digital foi decisivo para que Ruja Ignatova fugisse com todo o dinheiro de seus clientes.
Até hoje, no entanto, os investigadores não sabem ao certo se ela está simplesmente escondida ou se acabou assassinada.
Grande parte dessa dúvida deve-se às pessoas com quem Ruja Ignatova se envolveu no período em que a OneCoin a ajudou a atrair US$ 4,5 bilhões para seu esquema.
O aperto do cerco à “rainha cripto” coincidiu com uma investigação da polícia búlgara sugerindo a existência de um vínculo entre Ruja Ignatova e um chefão do crime organizado de seu país de nascença.
A identidade do criminoso em questão nunca foi divulgada publicamente. De acordo com uma investigação da emissora pública britânica BBC, no entanto, ele seria Hristoforos Nikos Amanatidis, mais conhecido como Taki.
Acredita-se que Taki seja o maior chefão do crime organizado búlgaro. Ele é suspeito de narcotráfico, grandes roubos, lavagem de dinheiro e uma longa lista de assassinatos e outros itens do código penal.
Guardadas as devidas proporções, Taki estaria para o crime organizado da Bulgária como estiveram Pablo Escobar para a Colômbia, El Chapo para o México ou Marcola e Fernandinho Beira-Mar para o Brasil.
“Taki é um fantasma. Você nunca o vê. Só escuta falar dele. Ele fala com você através de terceiros”, relatou à emissora o ex-vice-primeiro-ministro búlgaro Ivan Hristanov, que no passado atuou em investigações de agentes públicos supostamente subornados por Taki.
Agora, documentos da Europol aos quais a BBC teve acesso levantam a suspeita de que Taki teria recorrido à rede financeira que sustentava a OneCoin para lavar dinheiro.
E, de acordo com Hristanov, a única pessoa capaz de proteger Ruja de todas as investigações, inclusive estrangeiras, seria Taki.
O comentário está em linha com o relato de uma fonte da BBC segundo a qual a rainha cripto pagaria a Taki 100 mil euros por mês por proteção.
Não é surpresa que Taki seja elusivo. Embora seu paradeiro seja desconhecido, acredita-se que ele viva atualmente em Dubai.
E essa suspeita também o conecta à “doutora Ruja”, assim chamada por causa de um doutorado supostamente cursado em Oxford.
Consta das investigações que a rainha cripto teria comprado um apartamento luxuoso em Dubai.
Também há informações consistentes de que o emirado teria sido o destino da fortuna roubada por Ruja de seus clientes.
Os documentos anexados à investigação da Europol sugerem mais conexões financeiras e também pessoais entre eles.
Taki seria o padrinho da filha de Ruja e imóveis de propriedade da rainha cripto estariam sendo usados por seu grupo criminoso.
Quem vazou esses documentos à BBC foi Frank Schneider, que no passado trabalhou com Ruja. Segundo ele, sua ex-chefe teria se envolvido com “bandidos e gangsters”.
Meses depois de vazar os documentos, Schneider desapareceu. Detalhe: ele estava em prisão domiciliar na França e aguardava extradição para os Estados Unidos, onde seria julgado pela fraude envolvendo a OneCoin.
O montante do roubo e o desaparecimento de Ruja Ignatova atraíram a atenção da mídia e dos documentaristas.
Além da BBC, diversos outros veículos tentam descobrir o paradeiro da rainha cripto.
Em 2022, o jornalista búlgaro Dimitar Stoyanov e seus colegas no bird.bg obtiveram acesso a um relatório encontrado na residência de um policial assassinado.
Segundo o documento, um informante da polícia diz ter ouvido do cunhado de Taki que Ruja teria sido assassinada por ordem do chefão do crime organizado.
De acordo com o relato, a rainha cripto teria sido morta no fim de 2018. O corpo dela teria sido desmembrado e lançado em algum ponto do Mar Jônico.
Vale ressalvar que o informante chamou a atenção para o estado de embriaguez do cunhado de Taki no momento do relato.
No entanto, a autenticidade do documento policial foi confirmada por autoridades búlgaras.
Na avaliação de pessoas próximas ao grupo criminoso, o mais provável é que Ruja tenha se transformado em uma vulnerabilidade para Taki, que queria se distanciar da fraude da OneCoin.
De qualquer modo, o corpo de Ruja Ignatova nunca foi encontrado e não há nenhuma investigação formal em curso por falta de evidências de que ela tenha, de fato, sido assassinada.
Em 2022, por exemplo, a polícia grega realizou uma operação por meio da qual pretendia capturar Ruja. Ela teria sido avistada no país. Mas Ruja não foi encontrada.
Além disso, com tanto dinheiro, ela conseguiria financiar uma vasta rede de acobertamento.
O fato é que a rainha cripto continua encabeçando a lista de mulheres mais procuradas pelo FBI.
Caso esteja protagonizando um brilhante e até agora bem sucedido plano de fuga, Ruja Ignatova completou 44 anos em 30 de maio último.
*Com informações da BBC.
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