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Grandes bancos e especialistas dizem que o ouro vai continuar em trajetória de alta; entenda os ventos que sopram em favor do metal precioso e como aproveitar esse momento
Os portos são espaços na costa ou na orla nos quais os navios podem realizar as operações de carga e descarga de mercadorias de maneira segura. No mercado financeiro, um ativo safe haven como o ouro é um porto seguro para o investidor que quer fugir de águas mais turbulentas.
E motivos não faltam para o mar seguir revolto: a guerra da Rússia contra a Ucrânia, que entrou no segundo ano; a operação de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza; e a desaceleração econômica global são apenas algumas das incertezas nas águas de quem investe na bolsa.
Isso sem falar em uma outra onda produzida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano): a expectativa era de que o afrouxamento monetário nos EUA começasse este mês, mas os recentes dados econômicos jogaram para junho as apostas do mercado.
Só na semana passada o ouro subiu cerca de US$ 50 (R$ 247, no câmbio atual), estimulado por dados fracos da indústria dos EUA e pela redução da pressão sobre os preços.
Mas foi nesta terça-feira (5), que o ouro atingiu uma nova máxima, ao passar dos US$ 2.100 por onça e ficar apenas a US$ 10 de bater um novo recorde — o ouro atingiu o pico em 4 de dezembro do ano passado, a US$ 2.135,40. Acompanhe nossa cobertura ao vivo dos mercados.
“Alguns fatores que explicam essa alta e a maior disponibilidade de recursos é uma delas. A bolsa americana, por exemplo, vem subindo e renovando recordes, e esse recurso fica disponível para diversificação em ouro", diz João Piccioni, CIO da Empiricus Gestão.
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"O investidor tem instrumento de reserva de valor e, nessa, o ouro ganha espaço. Os BCs também seguem comprando ouro e o ouro tem uma parcela relevante nas carteiras dos gestores”, acrescenta.
Na natureza, as ondas se formam pelo efeito do vento sobre o mar, que transfere parte de sua energia para a água. A força das ondas depende da intensidade e da duração do vento.
Hoje, os ventos que impulsionam o ouro vieram dos EUA: os investidores se posicionam para os depoimentos do presidente do Fed, Jerome Powell, no Congresso norte-americano na quarta-feira (6) e na quinta-feira (7).
Esses depoimentos, obrigatórios e semestrais, acontecem em meio a uma semana repleta de indicadores cruciais como o relatório de emprego (payroll), enquanto os investidores buscam pistas sobre os possíveis prazos para o corte dos juros pelo Fed. Atualmente, a taxa referencial está na faixa entre 5,25% e 5,50% ao ano.
Os preços do ouro tendem a ter uma relação inversa aos juros. À medida que as taxas caem, o ouro torna-se mais atrativo em comparação com investimentos alternativos como títulos de dívida, que entregam retornos menores em um ambiente de juros baixos.
O CIO da Empiricus Gestão, adverte, no entanto, que essas correlações estão mudando — o que não inviabiliza o investimento em ouro.
“Muitas das correlações que a gente conhece estão mudando. Esse movimento de alta do ouro, que muitos acham que é de agora, acontece desde 2019 e os juros subiram nesse período”, diz Piccioni.
"A diferença é que o investimento em ouro se popularizou, com grandes gestores como Ray Dalio, falando bastante sobre aportes no metal precioso", acrescenta.
De olho na disparada do ouro, muito investidor pode se perguntar se vale a pena atracar nesse porto seguro agora. E quem responde a essa pergunta é o CIO da Empiricus Gestão.
“Defendo uma posição perene no ouro — o investidor deve ter independente do momento. Dentro de uma alocação coerente e razoável, é importante ter uma parcela em ouro para se proteger de incertezas econômicas e geopolíticas”, afirma.
Mas Piccioni faz um alerta: é fundamental entender que apenas uma parte da alocação deve estar no ouro. “O ouro deve ser uma posição complementar ao portfólio e não uma exposição única e exclusiva”, diz.
O CIO da Empiricus Gestão cita os ETFs, aqueles fundos negociados em bolsa, como uma das maneiras de se expor ao metal precioso — na bolsa brasileira, o GOLD11.
“Temos o Empiricus Ouro, que também é uma opção para o investidor que busca essa exposição e que pode ser acessado via plataforma do BTG Pactual”, diz Piccioni.
Grandes bancos e especialistas acreditam que o ouro pode subir ainda mais. O Citi, por exemplo, já previu o metal precioso em US$ 3 mil por onça, embora seja necessária uma tempestade perfeita para isso.
O banco norte-americano cita o aumento de compras de ouro por parte de bancos centrais ao redor do mundo — um movimento que vem acontecendo nos últimos anos liderado por China e Rússia e que conta até com o Brasil —; uma recessão global profunda ou uma estagflação, que acontece quando a inflação dispara, o crescimento perde força e o desemprego aumenta.
Já a Empiricus trabalha com um cenário de US$ 2.500 para o ouro no final do ano. "Me parece que a medida que o mercado vai andando, a bolsa americana vai subindo e atingindo máximas, o caminho natural é que parte desses recursos vá para o ouro", diz Piccioni.
O UBS, por sua vez, diz que o Fed será o grande vento soprando o ouro para cima. “Esperamos que o ouro seja empurrado para cima por uma flexibilização do Fed. Além disso, isto vem acompanhado de um dólar mais fraco”, disse Joni Teves, estrategista de metais preciosos do banco no mês passado.
O UBS diz, inclusive, que as perspectivas para a prata, a “prima mais pobre”, também são otimistas.
A prata não é um refúgio geopolítico e ou porto seguro tão comum quanto o ouro — o que explica em parte o desempenho inferior ao do ouro nos últimos anos. Mas a situação poderá mudar quando o Fed começar a cortar os juros, segundo o UBS.
O CIO da Empiricus Gestão, no entanto, alerta que o investimento em prata tem mais sutilezas quando comparado ao ouro.
“A prata não é um ativo que guarda as mesmas características do ouro. A prata é mais abundante e tem muita demanda industrial. Além disso, traz mais questões de manutenção, armazenamento e tem mais problemas para tratarmos como reserva de valor”, diz Piccioni, que indica o Empiricus Prata, também via plataforma do BTG, para quem quiser se expor ao metal.
Hoje, o futuro da prata operava em leve alta, na casa dos US$ 23.800.
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