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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

STOCK PICKERS

É possível ganhar dinheiro com ações durante crises — e três dos maiores investidores do Brasil revelam 15 apostas na bolsa brasileira

Batizados de “gênios do stock picking”, Camilo Marcantonio, Octavio Magalhães e Christian Faricelli abrem o jogo sobre como escolher bons ativos para lucrar na B3

Camille Lima
Camille Lima
5 de julho de 2024
8:03 - atualizado às 19:57
Bandeira do Brasil e gráfico de ações representando o Ibovespa e as ações brasileiras
Imagem: Canva Pro / Montagem: Bruna Martins

A aversão ao risco ganhou lugar no coração de quem investe em ações no Brasil — especialmente diante do sobe e desce do Ibovespa nos últimos meses. Mas para três dos maiores investidores do País, é possível ganhar dinheiro com a bolsa brasileira mesmo durante crises. 

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É um consenso entre Camilo Marcantonio, CIO da Charles River; Octavio Magalhães, diretor de investimentos da Guepardo; e Christian Faricelli, portfolio manager na Absolute Investimentos, que a B3 possui oportunidades aos investidores.

Porém, para os chamados gênios do “stock picking”, não basta ações baratas para lucrar com a bolsa. É preciso encontrar papéis de qualidade a preços atrativos — e é assim que eles conquistaram retornos expressivos com investimentos em renda variável.

O trio abriu o jogo sobre as maiores posições dos fundos das gestoras durante o Stock Picking Day, um evento online gratuito realizado pelo Market Makers, em parceria com o Money Times

Você confere as principais apostas dos gestores aqui!

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As ações no portfólio da Guepardo

Um dos requisitos da Guepardo Investimentos para investir em ações é que a companhia tenha um modelo de negócio “fácil de entender e difícil de imitar.”

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“É ter a disciplina de não comprar coisa cara, acima do target, e tentar não cair nas armadilhas de value trap, que são empresas descontadas do valor intrínseco, mas ruins”, afirmou.

Além disso, para Magalhães, existe outra qualidade para buscar em ações: empresas com acionistas controladores definidos.

“Empresa com dono é muito melhor do que corporation, mas desde que o dono também seja bom”, afirmou. “A gente gosta quando a empresa tem um líder de referência que seja bom, que entregue, que saiba alocar capital e fazer aquisição.”

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De olho em tudo isso, a maior posição dos fundos da gestora é a Klabin (KLBN11), uma das maiores empresas de papel e celulose do Brasil.

Para Magalhães, a alta do dólar tem contribuído com a companhia — mas esse não é o principal motivo por trás do otimismo.

Na realidade, segundo o gestor, a Klabin aproveitou os últimos anos para fazer investimentos (capex) em novos projetos e agora colhe os frutos em volume e em Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

“As ações sofrem quando essas empresas estão em ciclo de investimento. Quando esse capex acaba, elas começam a colher os frutos. Os projetos estão sendo realizados com taxas internas de retorno (TIRs) maravilhosas e, quando começa a entrar fluxo de caixa, a ação deslancha. A Klabin vai andando por tranches”, disse o gestor.

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Outra grande aposta da Guepardo na bolsa brasileira é a Allos (ALOS3), uma empresa muito barata, descontada e que está “alocando bem capital”, nas palavras do gestor. 

Para Magalhães, a ação atualmente negocia a múltiplos baixos em relação aos pares, considerando o portfólio de qualidade que possui.

A gestora ainda abocanhou uma fatia relevante na Vulcabrás (VULC3), dona da Mizuno e Olympikus, no follow-on da companhia realizado no início deste ano.

“A Vulcabrás é outro papel líder de mercado, desalavancado, com um e-commerce super azeitado, linha de produção impecável, fabricação, distribuição e logística com qualidade e tecnologia.”

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Além disso, a companhia atualmente se encontra com uma geração muito forte de caixa — e deve distribuir novos dividendos polpudos aos acionistas.

As apostas da Charles River

Gestora independente com mais de R$ 2,8 bilhões sob administração, a Charles River aposta na tese do “value investing” para lucrar com ações.

“O value investing procura oportunidades onde a maioria não está vendo, mas isso é exceção, não é regra. Na regra, o grupo geralmente está certo”, afirmou Camilo Marcantonio.

Uma das maiores apostas da Charles River na bolsa brasileira é a BrasilAgro (AGRO3) — uma posição que a gestora já carrega há uma década.

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“Na nossa visão, nunca o preço da ação encontrou o valor justo, então [AGRO3] esteve o tempo inteiro no nosso portfólio”, afirmou 

Outros quatro papéis que a gestora possui forte exposição são Tupy (TUPY3), Banco ABC Brasil (ABCB3), PetroRecôncavo (RECV3) e Ternium (TXSA34).

“A gente tem uma visão positiva da PetroRecôncavo por causa do track record mais consolidado operacionalmente entre essas junior oils [petroleiras juniores]; temos confiança no histórico operacional deles”, disse.

  • Você está preparado para ajustar sua carteira este mês? Descobrimos as principais recomendações dos analistas da Empiricus Research no novo episódio do “Onde Investir”; confira aqui 

Absolute abre sete ações que tem na carteira

Conhecida por ficar fora dos holofotes do mercado, mas brilhar na performance com ações, a Absolute Investimentos abriu as apostas no mercado brasileiro durante o bate-papo com o Market Makers. 

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“A gente não acha que a bolsa está de graça, tem assimetrias boas, mas tem nuvem em cima”, afirmou Christian Faricelli.

É por isso que, ainda que a bolsa esteja “muito barata” no Brasil, o gestor afirma que a diversificação é importante para evitar a volatilidade do mercado doméstico. 

“No médio/longo prazo, a gente nunca sabe quando vai acertar, por isso, diversificar é uma boa forma de mitigar risco”, afirmou o gestor.

“O capital para investir não é infinito. É uma discussão quase que diária para entender onde o capital será mais bem alocado”, acrescentou.

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Uma das estratégias da Absolute é não apenas encontrar empresas “muito boas” como também negócios que se contrabalanceiam.

É de olho nessa filosofia de investimentos que a gestora possui uma diversificação no setor de “regulados” — que incluem companhias de energia elétrica — e em shoppings.

Uma das apostas da Absolute no setor de energia é a Equatorial (EQTL3), considerada uma empresa “incrível” em termos de gestão, com grande assimetria e que deve gerar um valor “enorme” na Sabesp (SBSP3) como acionista de referência, segundo Faricelli. 

Outro papel na carteira é a Eletrobras (ELET3) — que os analistas avaliam como descontada na bolsa e com taxas internas de retorno (TIRs) “razoáveis”.

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Já do lado de shoppings, o gestor afirma “gostar de todas” as empresas. “Allos (ALOS3) tem qualidade de portfólio ainda não precificada pelo mercado. Iguatemi (IGTI3) tem um dos melhores ativos do mundo. O valuation dessas empresas é muito razoável. São empresas boas que vão conseguir gerar acima da inflação no longo prazo.”

Por sua vez, em ações domésticas, Faricelli prefere apostar em “negócios muito bons e que continuem crescendo”, como as ações da Localiza (RENT3) e da Vivara (VIVA3) — em que é possível confiar no negócio apesar das nuvens que pairam sobre as companhias.

Outro setor que chama a atenção é o de saúde. Para o gestor, o segmento possui muitos pontos fortes em um horizonte longo de investimento e ficou barato após a pandemia do novo coronavírus.

“O ‘pós-covid’ foi muito duro para o setor, vários hospitais e planos de saúde estão sofrendo muito e precisam subir preço. A Rede D’or conseguiu passar por isso muito bem e o mercado vai seguir”, afirmou.

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Para Faricelli, as estrelas se alinharam para a Rede D’Or (RDOR3): a companhia teve uma das melhores execuções do Brasil, está mais rentável e enfrenta uma competição fragilizada. 

Assista ao bate-papo completo no YouTube do Market Makers:

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