É possível ganhar dinheiro com ações durante crises — e três dos maiores investidores do Brasil revelam 15 apostas na bolsa brasileira
Batizados de “gênios do stock picking”, Camilo Marcantonio, Octavio Magalhães e Christian Faricelli abrem o jogo sobre como escolher bons ativos para lucrar na B3

A aversão ao risco ganhou lugar no coração de quem investe em ações no Brasil — especialmente diante do sobe e desce do Ibovespa nos últimos meses. Mas para três dos maiores investidores do País, é possível ganhar dinheiro com a bolsa brasileira mesmo durante crises.
É um consenso entre Camilo Marcantonio, CIO da Charles River; Octavio Magalhães, diretor de investimentos da Guepardo; e Christian Faricelli, portfolio manager na Absolute Investimentos, que a B3 possui oportunidades aos investidores.
Porém, para os chamados gênios do “stock picking”, não basta ações baratas para lucrar com a bolsa. É preciso encontrar papéis de qualidade a preços atrativos — e é assim que eles conquistaram retornos expressivos com investimentos em renda variável.
O trio abriu o jogo sobre as maiores posições dos fundos das gestoras durante o Stock Picking Day, um evento online gratuito realizado pelo Market Makers, em parceria com o Money Times.
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As ações no portfólio da Guepardo
Um dos requisitos da Guepardo Investimentos para investir em ações é que a companhia tenha um modelo de negócio “fácil de entender e difícil de imitar.”
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“É ter a disciplina de não comprar coisa cara, acima do target, e tentar não cair nas armadilhas de value trap, que são empresas descontadas do valor intrínseco, mas ruins”, afirmou.
Além disso, para Magalhães, existe outra qualidade para buscar em ações: empresas com acionistas controladores definidos.
“Empresa com dono é muito melhor do que corporation, mas desde que o dono também seja bom”, afirmou. “A gente gosta quando a empresa tem um líder de referência que seja bom, que entregue, que saiba alocar capital e fazer aquisição.”
De olho em tudo isso, a maior posição dos fundos da gestora é a Klabin (KLBN11), uma das maiores empresas de papel e celulose do Brasil.
Para Magalhães, a alta do dólar tem contribuído com a companhia — mas esse não é o principal motivo por trás do otimismo.
Na realidade, segundo o gestor, a Klabin aproveitou os últimos anos para fazer investimentos (capex) em novos projetos e agora colhe os frutos em volume e em Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
“As ações sofrem quando essas empresas estão em ciclo de investimento. Quando esse capex acaba, elas começam a colher os frutos. Os projetos estão sendo realizados com taxas internas de retorno (TIRs) maravilhosas e, quando começa a entrar fluxo de caixa, a ação deslancha. A Klabin vai andando por tranches”, disse o gestor.
Outra grande aposta da Guepardo na bolsa brasileira é a Allos (ALOS3), uma empresa muito barata, descontada e que está “alocando bem capital”, nas palavras do gestor.
Para Magalhães, a ação atualmente negocia a múltiplos baixos em relação aos pares, considerando o portfólio de qualidade que possui.
A gestora ainda abocanhou uma fatia relevante na Vulcabrás (VULC3), dona da Mizuno e Olympikus, no follow-on da companhia realizado no início deste ano.
“A Vulcabrás é outro papel líder de mercado, desalavancado, com um e-commerce super azeitado, linha de produção impecável, fabricação, distribuição e logística com qualidade e tecnologia.”
Além disso, a companhia atualmente se encontra com uma geração muito forte de caixa — e deve distribuir novos dividendos polpudos aos acionistas.
As apostas da Charles River
Gestora independente com mais de R$ 2,8 bilhões sob administração, a Charles River aposta na tese do “value investing” para lucrar com ações.
“O value investing procura oportunidades onde a maioria não está vendo, mas isso é exceção, não é regra. Na regra, o grupo geralmente está certo”, afirmou Camilo Marcantonio.
Uma das maiores apostas da Charles River na bolsa brasileira é a BrasilAgro (AGRO3) — uma posição que a gestora já carrega há uma década.
“Na nossa visão, nunca o preço da ação encontrou o valor justo, então [AGRO3] esteve o tempo inteiro no nosso portfólio”, afirmou
Outros quatro papéis que a gestora possui forte exposição são Tupy (TUPY3), Banco ABC Brasil (ABCB3), PetroRecôncavo (RECV3) e Ternium (TXSA34).
“A gente tem uma visão positiva da PetroRecôncavo por causa do track record mais consolidado operacionalmente entre essas junior oils [petroleiras juniores]; temos confiança no histórico operacional deles”, disse.
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Absolute abre sete ações que tem na carteira
Conhecida por ficar fora dos holofotes do mercado, mas brilhar na performance com ações, a Absolute Investimentos abriu as apostas no mercado brasileiro durante o bate-papo com o Market Makers.
“A gente não acha que a bolsa está de graça, tem assimetrias boas, mas tem nuvem em cima”, afirmou Christian Faricelli.
É por isso que, ainda que a bolsa esteja “muito barata” no Brasil, o gestor afirma que a diversificação é importante para evitar a volatilidade do mercado doméstico.
“No médio/longo prazo, a gente nunca sabe quando vai acertar, por isso, diversificar é uma boa forma de mitigar risco”, afirmou o gestor.
“O capital para investir não é infinito. É uma discussão quase que diária para entender onde o capital será mais bem alocado”, acrescentou.
Uma das estratégias da Absolute é não apenas encontrar empresas “muito boas” como também negócios que se contrabalanceiam.
É de olho nessa filosofia de investimentos que a gestora possui uma diversificação no setor de “regulados” — que incluem companhias de energia elétrica — e em shoppings.
Uma das apostas da Absolute no setor de energia é a Equatorial (EQTL3), considerada uma empresa “incrível” em termos de gestão, com grande assimetria e que deve gerar um valor “enorme” na Sabesp (SBSP3) como acionista de referência, segundo Faricelli.
Outro papel na carteira é a Eletrobras (ELET3) — que os analistas avaliam como descontada na bolsa e com taxas internas de retorno (TIRs) “razoáveis”.
Já do lado de shoppings, o gestor afirma “gostar de todas” as empresas. “Allos (ALOS3) tem qualidade de portfólio ainda não precificada pelo mercado. Iguatemi (IGTI3) tem um dos melhores ativos do mundo. O valuation dessas empresas é muito razoável. São empresas boas que vão conseguir gerar acima da inflação no longo prazo.”
Por sua vez, em ações domésticas, Faricelli prefere apostar em “negócios muito bons e que continuem crescendo”, como as ações da Localiza (RENT3) e da Vivara (VIVA3) — em que é possível confiar no negócio apesar das nuvens que pairam sobre as companhias.
Outro setor que chama a atenção é o de saúde. Para o gestor, o segmento possui muitos pontos fortes em um horizonte longo de investimento e ficou barato após a pandemia do novo coronavírus.
“O ‘pós-covid’ foi muito duro para o setor, vários hospitais e planos de saúde estão sofrendo muito e precisam subir preço. A Rede D’or conseguiu passar por isso muito bem e o mercado vai seguir”, afirmou.
Para Faricelli, as estrelas se alinharam para a Rede D’Or (RDOR3): a companhia teve uma das melhores execuções do Brasil, está mais rentável e enfrenta uma competição fragilizada.
Assista ao bate-papo completo no YouTube do Market Makers:
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