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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

O QUE FAZER AGORA

Como lucrar com o Trump Trade: 4 investimentos que ganham com a volta do republicano à Casa Branca — e o dilema do dólar

De modo geral, os investidores se preparam para um mundo com dólar forte com Trump, além de mais inflação e juros

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
6 de novembro de 2024
11:28 - atualizado às 15:07
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (EUA).
Donald Trump - Imagem: Official White House/Shealah Craighead

O tabuleiro dos ativos do mercado financeiro já começou a se movimentar com a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais nos Estados Unidos. De modo geral, os investidores se preparam para um mundo com dólar forte, além de mais inflação e juros — pelo menos no curto prazo.

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A volta do republicano à Casa Branca deu um novo gás ao chamado Trump Trade, como ficou conhecido o movimento do mercado na expectativa das medidas econômicas do governo.

Tanto as bolsas norte-americanas como o dólar amanheceram em alta, com a perspectiva de cortes de impostos que impulsionem a economia e os resultados das empresas. Mas o impacto mais vigoroso veio do bitcoin, que alcançou as máximas históricas ainda na madrugada desta quarta-feira.

Por outro lado, as taxas dos títulos norte-americanos (Treasurys) dispararam, diante da visão de que o novo governo Trump será leniente com a questão fiscal nos EUA.

Para o resto dos mercados, em particular o brasileiro, a vitória de Trump representa mais uma pressão negativa. Não por acaso, o Ibovespa inicia os negócios do dia em queda e o real se enfraquece ainda mais em relação ao dólar.

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Como o mercado costuma se antecipar aos movimentos da economia e da política, a dúvida é se ainda é possível lucrar com o Trump Trade. O Seu Dinheiro traz para você a resposta e também aponta quatro ativos, aqui e lá fora, que tendem a ganhar com a mudança de inquilino na Casa Branca.

Leia Também

1 - Bitcoin e criptomoedas

O mercado financeiro não perde tempo. Os investidores começaram a ajustar as posições para uma vitória de Trump quando o adversário ainda era Joe Biden.

A substituição do atual presidente dos EUA por Kamala Harris como a candidata democrata embolou o jogo, mas de certo modo os preços no mercado já apontavam o favoritismo de Trump.

Nenhum ativo refletiu melhor as chances do republicano voltar à Casa Branca do que o bitcoin. Antigo crítico, Trump se "converteu" em defensor das das moedas digitais, o que empolgou a comunidade cripto.

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Desse modo, a expectativa é que o novo governo retire as barreiras que ainda existem sobre esse mercado na maior economia do planeta.

Mas depois de uma alta acumulada de mais de 70% em dólares neste ano e nas máximas históricas, o bitcoin pode subir ainda mais ou as cotações atuais já refletem o cenário positivo para o mercado cripto?

"A vitória não só de Trump como também a de candidatos pró-cripto na Câmara e no Senado sugere uma nova fase para o setor, com maior clareza regulatória esperada", diz Valter Rebelo, analista de criptoativos na Empiricus Research.

Assim, as criptomoedas têm espaço para testar novos patamares mesmo após a reação forte de hoje. Rebelo vê potencial para o bitcoin cruzar a marca dos US$ 150 mil — ou seja, ainda pode dobrar em relação aos níveis atuais.

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Vale ponderar que qualquer exposição a criptomoedas deve ocorrer de forma comedida. Dado o alto risco e volatilidade desse mercado, os especialistas apontam de 1% a 2% do portfólio em cripto.

2 - Bolsa americana

Uma primeiras medidas econômicas de Donald Trump após reassumir a presidência dos Estados Unidos deve ser um pacote de corte de impostos. Essa política deve representar dinheiro na veia das empresas norte-americanas, incluindo aquelas com ações em bolsa.

As empresas da chamada velha economia são as que mais têm a ganhar com Trump. Isso inclui as ações dos bancos e da indústria do petróleo, por exemplo.

Mas nem todas as companhias devem se beneficiar de um governo Trump, pelo menos em um primeiro momento.

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Para a equipe do UBS Wealth Management, o setor de tecnologia deve sofrer no curto prazo com as tarifas que administração deve impor sobre produtos de fora. "Mas não acreditamos que isso deva superar a história do crescimento estrutural no médio prazo", escreveram os analistas.

O banco suíço projeta o S&P500, principal índice das bolsas norte-americanas, em 6.600 pontos no fim de 2025, o que representa um potencial de alta de 15% em relação ao fechamento de ontem.

ASSISTA TAMBÉM: TRUMP ELEITO: E AGORA, O QUE SERÁ DA MAIOR ECONOMIA DO MUNDO?

3 - Ouro

Um dos efeitos colaterais das políticas de Trump deve ser uma inflação rodando acima dos níveis históricos nos Estados Unidos. Além disso, os cortes de impostos tentem a piorar o déficit fiscal da economia norte-americana. Nesse sentido, ativos de proteção e reserva de valor ganham destaque.

A expectativa para a vitória de Trump já levou parte do mercado a se refugiar no ouro, que alcançou marcas históricas neste ano. Curiosamente, o metal reage em queda nesta quarta-feira, mas a ampla expectativa do mercado é de novas altas.

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Vale lembrar que, além da inflação, o ouro também costuma ser o ativo preferido como proteção contra o cenário geopolítico.

4 - Uma ação brasileira

Enquanto a vitória de Trump pesa sobre a bolsa brasileira, uma ação brilha praticamente sozinha nesta quarta-feira na B3: a Gerdau (GGBR4). E não é por acaso.

Os papéis da siderúrgica sobem mais de 5% após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre. Mas parte da reação positiva do mercado hoje vem do Trump Trade.

Afinal, a Gerdau tem parte relevante das operações nos Estados Unidos e tende a ganhar com medidas como a imposição de tarifas ao aço estrangeiro e corte de impostos.

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Além disso, as ações da Gerdau estão baratas na comparação com as concorrentes norte-americanas e ganham com um dólar forte em relação ao real, de acordo com o BTG Pactual.

O dilema do dólar

Por falar em dólar, boa parte do Trump Trade indicado nesta matéria envolve posições diretas ou indiretas na moeda norte-americana. Mas ainda que a visão geral seja a de um dólar forte, a trajetória do câmbio na nova gestão do republicano não é consenso.

Isso porque, na comparação com outras moedas fortes, boa parte do ajuste já aconteceu, de acordo com o UBS. Isso significa que hoje há mais espaço para o dólar cair do que se fortalecer ainda mais, na visão dos analistas.

Enquanto isso, a moeda norte-americana também vem dando uma boa surra no real ao longo deste ano. Mas nesse caso, o destino do câmbio hoje depende mais do governo brasileiro. Isso porque a vitória de Trump aumenta a urgência do anúncio de medidas de ajuste fiscal.

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Se o governo anunciar algum pacote consistente de corte de gastos, a tendência é que a pressão sobre o câmbio diminua. Do contrário, a moeda pode testar novas máximas e atingir rapidamente o patamar de R$ 6,00.

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