Guerra nuclear iminente? Putin cancela acordo e acelera “relógio do fim do mundo” após visita de Biden à Ucrânia
Assinado por Barack Obama, então presidente dos EUA, e Dmitry Medvedev, seu equivalente russo à época, o tratado previa o mútuo monitoramento do arsenal nuclear dos países

O conflito entre Rússia e Ucrânia está prestes a completar um ano na próxima sexta-feira (24) e pode entrar em uma reta final potencialmente destrutiva. As ameaças de um ataque nuclear fizeram o simbólico “relógio do fim do mundo” se aproximar da meia-noite.
O novo passo do presidente Vladimir Putin foi afirmar que Moscou irá suspender sua participação no último grande tratado de controle de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia, conhecido como New Start.
Assinado por Barack Obama, então presidente dos EUA, e Dmitry Medvedev, seu equivalente russo à época, em 2010 — entrando em vigor apenas em 2011 —, o tratado prevê o mútuo monitoramento do arsenal nuclear dos países.
Porém, o acompanhamento do armamento russo havia sido suspenso em virtude da guerra com a Ucrânia, e o acirramento de tensões elevou a expectativa do Ocidente por um ataque nuclear ao país.
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New Start e a guerra nuclear iminente
Putin criticou os termos do New Start durante um discurso na Assembleia Federal da Rússia, em Moscou. O presidente russo culpa a visita surpresa de Joe Biden, seu opositor e ocupante do mesmo cargo nos Estados Unidos, à Ucrânia.
"Eles querem nos dar uma derrota estratégica e estão se intrometendo em nossas instalações nucleares", disse Putin.
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Sem apresentar provas, ele ainda afirma que “se os Estados Unidos realizarem testes [com armas nucleares], nós o faremos. Ninguém deve ter a perigosa ilusão de que a paridade estratégica global pode ser destruída".
Do outro lado…
Em relatório enviado ao Congresso americano no mês passado, o Departamento de Estado dos EUA concluiu que a Rússia já havia violado o tratado ao cortar armas nucleares de longo alcance, recusando-se a permitir inspeções no local e rejeitando os pedidos de Washington para discutir suas preocupações.
Foi a primeira vez que os EUA acusaram a Rússia de violar o tratado, o que ocorreu em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Moscou por causa da guerra na Ucrânia.
Após a visita ao país invadido, Biden deve fazer um discurso ainda nesta terça-feira (21) na Polônia, um dia depois de oferecer apoio contínuo dos EUA à Ucrânia durante visita surpresa a Kiev.
As ameaças de uma guerra nuclear
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, chamou a ação de Putin de "profundamente infeliz e irresponsável". Já Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, disse que isso torna o mundo um lugar mais perigoso e pediu a Putin que reconsidere sua posição.
Do outro lado, Putin afirmou ao legislativo que já havia assinado um decreto há uma semana para colocar “novos sistemas estratégicos terrestres em serviço de combate”, sem especificar o que isso significa ou a que sistema estaria se referindo.
O relógio do fim do mundo e o tamanho do arsenal nuclear
Mas qual seria a proporção de uma investida — ou guerra — nuclear?
Estados Unidos e Rússia dominam cerca de 90% das ogivas nucleares mundiais. Segundo dados de fevereiro de 2022, ambos possuíam cerca de 11 mil armas do tipo — 5.977 do lado russo e 5.550 para os norte-americanos.
Não é novidade que os dois países não se bicam desde os anos 1940. E o crescimento do arsenal nuclear global levantou a possibilidade de a própria humanidade dar cabo no pequeno planeta azul que orbita o sol.
O tal “relógio do fim do mundo” citado anteriormente é um dos medidores encontrados para dizer se estamos perto de colocar um ponto final na história da humanidade. Em linhas gerais, quando o ponteiro atingir a meia noite, a primeira bomba atômica dará início ao apocalipse.
O crescimento das tensões entre Rússia e Ucrânia fez os especialistas ajustarem o relógio para 90 segundos da meia-noite — o mais perto do fim do mundo desde a sua criação em 1947.
O final da guerra fria, em 1953, foi outro momento crítico para a humanidade: o marcador deu apenas dois minutos para o juízo final.
*Com informações do Broadcast e Reuters
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