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O fundo já havia incorporado o yuan em sua cesta de moedas de trocas internacionais em 2016 e destacou que “o BCRA aderiu cedo a esta tendência global”
A crise na Argentina ganhou mais um capítulo com o interesse do Banco Central do país (BCAR, em espanhol) numa eventual aceleração do processo de troca do dólar pelo yuan — ou renminbi, como é chamada a moeda da China — para transações internacionais.
Se você não está por dentro do aumento da importância da moeda chinesa no cenário internacional, recomendo ler a sequência de matérias especiais sobre o abandono do dólar por países emergentes. Aqui você pode ler as partes quatro, três, dois e um.
O BCRA organizou um encontro com entidades financeiras locais para falar sobre os benefícios do uso do yuan como moeda de trocas internacionais e difundir a operação entre os entes do mercado financeiro local. Miguel Ángel Pesce, presidente da autoridade monetária portenha, presidiu a palestra.
O uso de moeda chinesa no lugar do dólar tem sido o mecanismo utilizado pelo país para escapar da crise cambial. Uma intensa seca nas plantações da Argentina reduziu as exportações e fez a nação vizinha ter uma forte escassez de dólares em caixa.
A mudança foi vista com bons olhos, especialmente por um dos principais credores do país: o Fundo Monetário Internacional (FMI) — a quem a Argentina deve US$ 45 bilhões.
O fundo já havia incorporado o yuan em sua cesta de moedas de trocas internacionais em 2016 e destacou que “o BCRA aderiu cedo a esta tendência global com o primeiro swap cambial feito com o Banco Popular da China [PBoC, na sigla em inglês]”.
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O debate econômico tomou o centro do país antes das eleições, que devem acontecer em outubro deste ano. Candidatos de todos os campos políticos tentam dominar a narrativa sobre o que fazer com as contas públicas argentinas.
Afinal, a inflação por lá deve chegar a 120% ao ano, segundo expectativas do mercado. As reservas internacionais em dólar caíram 18,6% no mesmo período, somando aproximadamente US$ 35 milhões segundo o balanço mais recente do BC da Argentina.
“O sistema de pagamento em yuan contribui para objetivos mais abrangentes, como a gestão prudente das reservas internacionais, além de facilitar a produção, o emprego, as exportações nacionais, e preservar as condições de crescimento e estabilidade financeira da Argentina”, acrescentou o FMI no encontro com o BCRA.
Segundo o documento do BCRA, o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês), o maior banco em ativos sob custódia do mundo, fará a compensação das trocas em yuan.
A instituição será utilizada como clearing house, ou seja, poderá fazer transações tanto em pesos argentinos quanto em yuans, sem a necessidade do uso do dólar. O esquema abaixo facilita o entendimento de como essa operação irá acontecer:

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