Usiminas (USIM5): sócios chegam a acordo para definir quem manda na siderúrgica
Nippon Steel, que controla a Usiminas ao lado da Ternium, vai vender parte de suas ações para o sócio, que assim passará a dar as cartas na siderúrgica

A Nippon Steel deu o primeiro passo para o que pode se tornar o desembarque do capital da Usiminas (USIM5). O grupo japonês fechou um acordo para vender uma parte de suas ações para a Ternium, com quem divide o controle da siderúrgica brasileira.
Vale lembrar que Nippon e Ternium nunca morreram de amores um pelo outro. Os sócios inclusive passaram por um longo conflito que só terminou em 2018, quando firmaram o acordo de acionistas que está em vigor atualmente.
De lá para cá, as coisas aparentemente acalmaram e evoluíram para o acordo anunciado hoje. O negócio prevê a venda de 9,74% das ações ordinárias (USIM3) da Usiminas da Nippon para o grupo ítalo-argentino por R$ 10,00 cada. Esse valor equivale a aproximadamente R$ 687 milhões.
Os papéis com direito a voto da Usiminas possuem menos liquidez, mas fecharam a R$ 7,39 ontem da B3, em alta de 0,54%. Ou seja, a Nippon está recebendo um bom prêmio para se desfazer de parte de suas ações.
Assim, a participação dos japoneses na Usiminas passará para 22,8% das ações, enquanto que a Ternium ficará com 49,5% dos papéis que dão direito a voto. O grupo que controla a siderúrgica conta ainda com a Previdência Usiminas, com 4,8% das ações ON.
Ternium vai mandar na Usiminas
O acordo para a Ternium aumentar a participação na Usiminas ocorreu após os acionistas avaliarem que "uma liderança mais forte" é necessária para a siderúrgica.
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Qualquer um dos sócios poderia exercer esse papel, mas a escolha da Ternium se deu pela maior presença do grupo na América Latina, de acordo com comunicado da Usiminas.
Com o aumento da participação, a Ternium passará a ter mais poder na siderúrgica brasileira. O novo acordo de acionistas prevê, por exemplo, que o grupo indicará a maioria dos membros do conselho de administração, além do CEO e outros quatro integrantes da diretoria.
Já a Nippon ficará com o direito de escolher o presidente do conselho e o diretor vice-presidente de tecnologia e qualidade. Por fim, a Previdência Usiminas permanece com os mesmos direitos previstos no acordo de acionistas anterior.
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Sayonara, Nippon?
Não há no documento que trata da negociação das ações entre os acionistas nenhuma indicação de que a Nippon venderá a participação restante na Usiminas. Mas o novo acordo estipulou algumas possibilidades em que os japoneses podem deixar o controle da siderúrgica.
A primeira estabelece que, dois anos após a conclusão do negócio, a Ternium ganhará o direito de comprar as ações da Nippon que fazem parte do acordo. O grupo japonês também poderá fazer o mesmo e vender seus papéis para o sócio.
A Nippon poderá ainda desvincular ações remanescentes do grupo de controle e vende-las no mercado após dar o direito de preferência ao sócio.
Por fim, vale destacar que o negócio entre Nippon e Ternium depende da aprovação dos órgãos reguladores, como o Cade. Veja aqui a íntegra do fato relevante da Usiminas sobre o acordo entre os acionistas.
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