Shein costura parceria com a dona da Artex, da MMartan e da Casa Moysés para ter acesso a 2 mil fornecedores brasileiros
O entendimento foi assinado com a Coteminas, que é comandada por Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente do primeiro governo Lula

A Shein parece realmente disposta a cumprir a promessa de investir e produzir no Brasil depois que o governo Lula recuou na taxação das varejistas asiáticas. A empresa chinesa com sede em Cingapura anunciou nesta quinta-feira (20) que assinou um memorando de entendimento com a Companhia de Tecidos Norte de Minas (CTNM4), a Coteminas.
A ideia é que 2 mil dos clientes confeccionistas da brasileira passem a ser fornecedores da Shein para atendimento do mercado doméstico e da América Latina. O memorando também inclui um financiamento para capital de trabalho e um contrato de exportação de produtos para o lar.
Em carta divulgada mais cedo, a Shein mencionava a parceria comercial sem dizer o nome da empresa brasileira. A varejista asiática também se comprometeu com um investimento inicial de R$ 750 milhões para “aumentar a competitividade de fabricantes têxteis brasileiras”, além da geração de cerca de 100 mil novos empregos no País.
Após reunião hoje com representantes da Shein, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a afirmar que a varejista asiática pretende nacionalizar 85% de suas vendas em quatro anos, com produtos feitos aqui.
"Uma coisa para nós muito importante também é que vejam o Brasil não só como mercado consumidor, mas como uma economia de produção", disse Haddad na ocasião.
A reunião com a Shein foi acompanhada do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva — que também é presidente da Coteminas.
Leia Também
JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
- Ainda tem dúvidas sobre como fazer a declaração do Imposto de Renda 2023? O Seu Dinheiro preparou um guia completo e exclusivo com o passo a passo para que você “se livre” logo dessa obrigação – e sem passar estresse. [BAIXE GRATUITAMENTE AQUI]
Quem está por trás da Coteminas
A Conteminas é controlada pela holding Springs Global, que também tem sob seu guarda-chuva a Coteminas Argentina e a AMMO Varejo.
A AMMO Varejo, que chegou a ensaiar a abertura de capital (IPO) em julho de 2021, tem a licença perpétua da marca Santista, firmada com a Santista Têxtil Ltda, e é proprietária das marcas Artex, MMartan e Casa Moysés.
Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas, é filho de José de Alencar — ex-vice-presidente do primeiro governo Lula — que chegou a ser cotado, no final do ano passado, para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Como presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva foi quem intermediou o entendimento entre o governo e a Shein, segundo o próprio Haddad.
As dívidas da Coteminas
O entendimento com a Shein pode ter vindo em boa hora para a Coteminas. Reportagem recente da Folha apurou que a empresa de Josué Gomes da Silva voltou a atrasar o pagamento de seus funcionários depois de 11 dias sem realizar depósitos em fevereiro.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Blumenau, Gaspar e Indaial (Sintrafite), Carlos Alexandre Maske, os salários voltaram a atrasar, desta vez, por oito dias.
E os problemas da Coteminas não param por aí: os credores também bateram na porta da empresa. No último dia 12, a Coteminas também foi alvo de um requerimento de falência na 2ª Vara Empresarial de Montes Claros (MG).
Shein e Coteminas: uma mão lava a outra?
Se, de um lado, a Coteminas parece enfrentar alguns problemas financeiros, de outro, a Shein também não está livre de imbróglios no Brasil — além da questão tributária, o governo mirou nas asiáticas após pressão de varejistas brasileiras, cujos negócios estavam sendo afetados pela concorrência vinda do Oriente.
Mas tudo parece endereçado agora. Haddad disse hoje que a Shein aderiu ao plano de conformidade da Receita Federal.
"Estão dispostos a fazer aquilo que for necessário para normalizar as relações com o Ministério da Fazenda", afirmou Haddad. "Segundo eles, se a regra valer para todo mundo, absorverão os custos dessa conformidade."
Haddad disse ainda que o governo pretende solucionar a questão da taxação do e-commerce seguindo o exemplo de países desenvolvidos, com um imposto digital.
O ministro também afirmou que a alternativa atende a sinalização do presidente Lula, que pediu uma solução administrativa negociada com o comércio eletrônico.
Antes da Shein, Lula na China
Na recente viagem que fez à China, acompanhando Lula, Haddad foi questionado sobre a pressão para a taxação das compras de produtos chineses.
Na ocasião, ele afirmou que é preciso garantir igualdade de tratamento entre empresas estrangeiras e brasileiras e disse que iria acabar com a isenção do imposto sobre compras pelos correios de até US$ 50 feitas por pessoas físicas.
O governo até tentou esta última medida, mas diante da reação negativa nas redes sociais, voltou atrás.
"A concorrência tem de ser leal, entre empresas brasileiras e estrangeiras", defendeu Haddad na China. Questionado sobre a Shein na ocasião, Haddad chegou a dizer que não conhecia a empresa, e costumava apenas comprar livros na Amazon.
A empresária Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, é uma das que tem criticado publicamente a diferença de tratamento tributário entre as varejistas chinesas e brasileiras.
Em evento recente em Porto Alegre, disse que é impossível competir quando a empresa nacional paga 37% de imposto ao governo e as concorrentes asiáticas não pagam nada.
"Eu sempre digo que não pagar imposto é um negócio da China. Isso vai tirar o emprego do Brasil", disse.
REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) tenta ganhar fôlego com aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões; veja o que muda para acionistas
21 de outubro de 2026 - 20:42BALANÇO DO 3T26
Bradsaúde (SAUD3): lucro sobe 14,4% e dividendos chegam a R$ 1 bilhão, mas ‘dor de cabeça’ volta a atacar
21 de outubro de 2026 - 18:34TEM MAIS POR VIR
A festa ainda não acabou: B3 (B3SA3) pode subir mais 27% e pagar bons dividendos, diz Santander
21 de outubro de 2026 - 16:23VISÃO DE GESTORES
“Parece que não pode ver um real sobrando”: por que acordo com o Einstein reacende dúvidas sobre uso do caixa da Ânima (ANIM3)
21 de outubro de 2026 - 14:45BALANÇO DECEPCIONOU?
WEG (WEGE3) cai mais de 7% com balanço pressionado por dólar e tarifas; exagero ou sinal de alerta?
21 de outubro de 2026 - 14:19FORA DO AR
Bons resultados da Netflix (NFLX) vêm de ‘ajuste de última hora’, e futuro preocupa, diz analista; veja os números
21 de outubro de 2026 - 14:07OPORTUNIDADE OU ARMADILHA
O pior já passou? Bradsaúde (SAUD3) encara custos maiores e lucro pressionado no 3T26. É hora de fugir ou comprar?
21 de outubro de 2026 - 11:13PRÉVIA DO BALANÇO
Bradesco (BBDC4) chega ao balanço com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, mas ainda precisa convencer que a virada veio para ficar
21 de outubro de 2026 - 6:13DE OLHO NA SELIC
Vamos (VAMO3) já subiu 106% no ano com a ajuda do trade eleitoral. Ainda há espaço para ganhar mais?
20 de outubro de 2026 - 18:45PÁGINA VIRADA
Americanas (AMER3) vira a página da recuperação judicial, mira nova fase e dispara 25% na B3; o que esperar da varejista?
20 de outubro de 2026 - 17:23NEGÓCIO DA CHINA?
Inter (INTR) ri, enquanto Wiz (WIZC3) chora: entenda a operação que fez as ações de seguradora despencarem 20%
20 de outubro de 2026 - 16:25Saiu caro demais?
Ânima (ANIM3) fecha parceria com o Einstein, mas preço acende alerta entre analistas e ações caem mais de 11% na B3; entenda
20 de outubro de 2026 - 16:09PRÉVIA DOS BALANÇOS
Nem todo bancão vai sair ileso: o que esperar dos balanços de Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil no 3T26
20 de outubro de 2026 - 6:12CONTA EM ABERTO
Raízen (RAIZ4): recuperação extrajudicial avançou, mas credores estão longe de saber quanto vão recuperar no fim do processo, diz BB Investimentos
17 de outubro de 2026 - 15:02NOVA FASE
Tem ações da Braskem? Nova oferta da controladora permite venda dos papéis, mas nem todo acionista pode participar; entenda
17 de outubro de 2026 - 11:01FIQUE POR DENTRO
A noite na bolsa: os anúncios de Cosan (CSAN3), Rede D´Or (RDOR3), XP(XPBR31) e mais
16 de outubro de 2026 - 19:51APOSTA RENOVADA
O Itaú (ITUB4) quer mais energia: bancão injeta mais R$ 1,77 bilhão em subsidiária da Eneva (ENEV3)
16 de outubro de 2026 - 11:09FORA DE CIRCULAÇÃO
Banco Central decreta liquidação da cooperativa de crédito Credipaiva após “grave violação” de regras
16 de outubro de 2026 - 9:26MERCADO EM EXPANSÃO
Rival da B3 quer estrear em 2027 e promete reduzir custos e ampliar opções para quem investe em ações, ETFs e FIIs
15 de outubro de 2026 - 17:10DOS MIMOS ÀS PROTEÍNAS