EUA querem controlar exportação de chips de ponta para China e deter avanço da Inteligência Artificial no país — ações da Nvidia e da Intel pagam a conta
Por volta das 11h30, as ações da Nvidia (NVDA) recuavam 5%, cotadas a US$ 437,89; já os papéis da Intel (INTC) caíam 2,17%, a US$ 35,76
A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China começou no governo de Donald Trump e teve seus mais recentes capítulos amenizados pela pandemia de covid-19 e a atual gestão de Joe Biden. Porém, a relativa trégua entre os países pode estar perto do fim com as novas restrições ao gigante asiático no ramo dos semicondutores.
De acordo com o The Wall Street Journal, o Departamento de Comércio norte-americano afirmou nesta terça-feira (17) que irá “restringir significativamente” as exportações de semicondutores — chamados genericamente de “chips” — de Inteligência Artificial (IA), um segmento cuja produção é dominada pela China.
Mas essas restrições também tornarão as vendas no país mais difíceis e empresas como Nvidia e Intel devem ser as mais afetadas.
A medida do governo norte-americano começou com um rumor em junho deste ano e ganhou mais força com o discurso dos EUA de prevenir brechas de segurança. Na época, o anúncio foi duramente criticado por empresas do setor.
De acordo com Colette Kress, CFO da Nvidia, há uma grande demanda pelo mercado de semicondutores, o que não deve impactar os resultados da empresa imediatamente. Porém, pondera, que no longo prazo essas medidas impactam as oportunidades dos EUA de criar uma indústria competitiva.
Por volta das 11h30, as ações da Nvidia (NVDA) recuavam 5%, cotadas a US$ 437,89; já os papéis da Intel (INTC) caíam 2,17%, a US$ 35,76. O Nasdaq, a bolsa de tecnologia na qual ambas empresas são negociadas, caía 0,60% no mesmo horário.
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Semicondutores e o desenvolvimento militar
Gina Raimondo, secretária do Departamento de Comércio, afirmou que o objetivo é restringir o acesso da China aos semicondutores de ponta, “que poderiam gerar avanços em IA e levar a computadores mais sofisticados”.
Vale lembrar que os semicondutores são usados em uma série de aparelhos eletrônicos, como celulares, computadores, televisores, carros e — tanto no caso da China quanto dos Estados Unidos — no desenvolvimento de tecnologia militar.
Em outras palavras, a medida também serve para que os EUA não fiquem atrás na corrida tecnológica contra os chineses.
Assim, as novas regras dão mais poderes aos EUA para determinar quais produtos e empresas podem ou não exportar, em nome da segurança nacional.
Chips de última geração, como os produzidos pela Nvidia e pela Intel, são proibidos até receberem uma licença especial.
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Novas regras para semicondutores
Outras categorias de chips estão em uma “zona cinzenta” mas, ainda assim, será exigido que o governo seja notificado. Se as autoridades julgarem necessário, as vendas podem ser suspensas.
“Os chips usados para produtos de consumo, incluindo smartphones, laptops e jogos, não exigirão licenças para exportação”, disse Gina Raimondo.
As novas regras também devem conter os envios de chips para a China através de outros países.
As restrições à exportação incluem subsidiárias estrangeiras de empresas chinesas e outros 21 países.
Críticas da China — e uma retaliação
As autoridades chinesas criticaram as medidas, afirmando que elas violam as regras do comércio internacional e desestabilizarem a indústria global de semicondutores Além disso, a China acusa os EUA de tentarem limitar o crescimento econômico do país.
Como consequência, Pequim anunciou uma retaliação ao país: proibir a venda de chips fabricados pela Micron Technology — que tem sede nos EUA — e restringir as exportações de materiais essenciais para a fabricação dos semicondutores.
Mesmo sob as restrições norte-americanas, as empresas chinesas ainda podem comprar alguns equipamentos para a fabricação dos semicondutores de empresas asiáticas e europeias.
Vale ressaltar que nem todos os aliados dos EUA impuseram restrições tão rigorosas a Pequim.
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