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A Cosan comprou 4,9% da Vale em 2022, em tipo de operação até então nunca feita pelo grupo
Uma dúvida que vira e mexe aparece no mercado financeiro é o que a Cosan (CSAN3) vai fazer com a fatia bilionária que comprou da Vale (VALE3) em outubro do ano passado.
Na época, as ações da Cosan reagiram em queda e surgiram dúvidas sobre o retorno do investimento, já que a participação de 4,9% comprada é minoritária, ao contrário das outras empresas sob o guarda-chuva da holding .
Porém, a companhia obteve um assento no conselho de administração da mineradora e afirma ver muito potencial de valor na Vale, que está em um setor que acredita ser estratégico para estar posicionado.
Apesar de reiterar o potencial, quando questionada sobre oportunidades, a empresa não quis bater o martelo sobre a possibilidade de vender parte das ações ou comprar mais durante evento com analistas, o Cosan Day.
Além disso, explicou que sua posição na Vale se dá por meio de uma operação que possa justamente manter o que chamou de “opcionalidade”.
Segundo Leo Pontes, CEO da Cosan Investimentos - veículo criado para administrar investimentos da Cosan - a participação na Vale traz novidades para a Cosan como grupo, já que pela primeira vez a empresa não está com o controle operacional e acionário de outra companhia.
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“É diferente. É um ativo líquido e irreplicável”, afirmou Pontes a analistas.
O executivo também disse que a mineradora se encaixa em um dos objetivos da Cosan, que é ter ativos com potencial de fazer uma transação energética, com uma mineração de baixo carbono.
Além disso, Pontes destacou que a mineradora brasileira tem bons fundamentos e é uma boa pagadora de dividendos a acionistas.
Para o CEO da Cosan, Luis Henrique Guimarães, a Vale ainda é um ativo seguro e uma companhia com boa governança corporativa.
Na avaliação do CEO, que é quem ocupa um assento no conselho de administração da companhia, ainda há um aprendizado sobre o setor e a complexa operação de uma grande mineradora.
O CEO da Cosan ainda reforçou que a cooperação com a Vale se dará por meio da atuação no conselho de administração e que vê oportunidades de a empresa gerar mais valor a acionistas.
“Minha participação no conselho está bastante produtiva, a dinâmica funciona bem e as alavancas de valor que a gente via são as mesmas. Um exemplo é a maneira como ela se organiza e a jornada de base metals”, afirmou Guimarães.
Recentemente, a Vale vendeu 13% do negócio de metais básicos, que explora outros metais além do minério de ferro, como cobre, níquel, cobalto, entre outros.
Para analistas ouvidos nas últimas semanas pelo Seu Dinheiro, a venda não foi bem precificada pelo mercado e pode ainda trazer bastante rentabilidade para a companhia.
Quando analistas e jornalistas insistem na pergunta sobre a fatia da Vale e se haveria vantagens em aproveitar a queda acumulada dos papéis no ano, elevando a participação, os diretores mostram que no momento estão confortáveis com os 4,9% atuais.
As ações da mineradora caem mais de 20% no ano e vem sendo negociadas abaixo da média histórica, impactadas principalmente por uma desaceleração da seu principal comprador, a China.
Segundo Ricardo Lewin, CFO da Cosan, eles também estão confortáveis em correr riscos caso as ações subam ou desçam.
“Criamos uma estrutura para nos proteger de downside [potencial de baixa]. Temos uma participação direta de 1,7% na Vale e uma participação collarizada de 3,2%. A Vale tem extrema liquidez, também é fácil de nos desfazermos em caso de necessidade”, explicou.
A participação chamada de collarizada é uma forma de se proteger no caso de volatilidade do preço do ativo adquirido, e é feita por meio de operações com derivativos.
De acordo com o CEO da Cosan Investimentos, a forma escolhida para manter a participação na Vale dão “opcionalidade” e tempo necessário para premissas desse investimento se confirmarem ou não.
“A medida que se confirma, ganhamos exposição direta. Estamos comprovando as premissas, mas ainda vai completar um ano essa empreitada, é recente. A Vale é um grande ativo e acreditamos bastante no potencial que ela tem, queremos fazer parte disso”, afirmou.
O foco do investidor continua na dívida da empresa, a reestruturação da estrutura de capital e o resultado potencial para os acionistas minoritários
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