Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Livro fechado

Sem final feliz: Livraria Cultura tem falência decretada pela Justiça de São Paulo

A histórica Livraria Cultura, fundada em 1947, não cumpriu com os acordos firmados na recuperação judicial e teve a falência decretada

Victor Aguiar
Victor Aguiar
9 de fevereiro de 2023
20:14 - atualizado às 18:39
Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo
Imagem: Livraria Cultura

Nem todo livro termina numa nota positiva — e, ao que tudo indica, a história da Livraria Cultura não terminará com todos felizes para sempre. Há pouco, a Justiça de São Paulo decretou a falência da histórica rede de lojas; o grupo estava em recuperação judicial desde 2018.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em decisão proferida há pouco, o juiz Ralpho Monteiro Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo, recapitula os problemas recentes da companhia e adota um tom quase literário em sua argumentação — até chegar à trágica conclusão.

"É notório o papel da Livraria Cultura, de todos conhecida", diz o juiz. "Notória a sua (até então) importância, e não apenas para a economia, mas para as pessoas, para a sociedade, para a comunidade não apenas de leitores, mas de consumidores em geral".

A crise da Cultura ocorreu em paralelo à de outra grande rede de livrarias: a Saraiva (SLED3;SLED4), esta uma companhia de capital aberto e que também entrou em recuperação judicial em 2018. Em meio à evasão de clientes, queda nas vendas, custos em alta e inúmeras questões trabalhistas, o setor como um todo entrou em colapso.

A queda da Cultura e da Saraiva, no entanto, não representou o fim da história das livrarias. Longe disso: o que parece ter ficado no passado é o modelo de megalojas, cujos custos e despesas operacionais mostraram-se inviáveis sob o ponto de vista de gestão estratégica.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em seu lugar, uma série de redes com unidades de menor porte — ou livrarias "de bairro", com atendimento personalizado e clima mais intimista —, começaram a surgir nos principais centros urbanos, injetando sangue novo no setor e trazendo um alento à comunidade editorial e aos amantes da literatura.

Leia Também

  • O Seu Dinheiro acaba de liberar um treinamento exclusivo e completamente gratuito para todos os leitores que buscam receber pagamentos recorrentes de empresas da Bolsa. [LIBERE SEU ACESSO AQUI]

Livraria Cultura: histórica, para o bem ou para o mal

"É de todos também sabida a impressão que a Livraria Cultura deixou para o Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, que a descreveu como uma linda livraria, uma catedral de livros, moderna, eficaz e bela", continua o juiz Ralpho Monteiro, referindo-se à unidade localizada no prédio do Conjunto Nacional, em São Paulo (SP) — uma espécie de cartão-postal da cidade.

A loja em questão, aliás, era uma das duas que ainda estavam com as portas abertas; a outra está localizada no Bourbon Shopping Country, em Porto Alegre (RS). De resto, o grupo contava apenas com as operações on-line.

No auge do sucesso, a Livraria Cultura chegou a ter lojas em 16 cidades brasileiras — as grandes capitais, como Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador e Recife eram os principais centros de atuação do grupo, fundado por Eva Herz em 1947 — a família segue no controle das operações até hoje.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A pandemia foi um golpe particularmente duro nos planos para tentar reerguer o grupo: antes da Covid-19, ainda havia 15 unidades físicas espalhadas pelo país; no começo do ano, esse número caiu para três — uma unidade no shopping Market Place, em São Paulo, foi encerrada nas últimas semanas.

"Mas a despeito disso tudo, e de ter este juízo exata noção desta importância, é com certa tristeza que se reconhece, no campo jurídico, não ter o Grupo logrado êxito na superação da sua crise", diz o juiz.

A Livraria Cultura localizada no Conjunto Nacional, em São Paulo (SP). Foto: Divulgação

Ossos pendurados no teto

Ao entrar na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, não há como desviar os olhos do enorme esqueleto suspenso no teto — uma espécie de dragão ou criatura mística que representa o caráter fantasioso da literatura. Os ossos pendurados, no entanto, parecem ser uma metáfora do que restou da empresa.

A decisão proferida pela Justiça de São Paulo cita os inúmeros descumprimentos, por parte da Livraria Cultura, dos acordos firmados com os credores no plano de recuperação. Da falta de prestação de contas ao não pagamento dos honorários da administradora judicial, há uma série de falhas no processo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Está muito evidente que as devedoras não estão empregando esforços para o seu soerguimento", escreve o Juiz Ralpho Monteiro. "A recuperação [judicial] foi pensada para socorrer apenas os devedores que realmente demonstrarem condições de se recuperar, posto que o seu processamento deve amparar somente devedores viáveis".

Outro ponto crítico para a decretação da falência da Livraria Cultura é a falha no cumprimento das questões trabalhistas: segundo a decisão, a empresa deixou de quitar os créditos devidos aos ex-empregados — o pagamento deveria ter sido feito até junho de 2021.

Em nota enviada ao Seu Dinheiro, a Livraria Cultura diz que recebeu a decisão de falência "com grande surpresa", e que pretende recorrer; a empresa ainda diz que as operações físicas e on-line continuam funcionando normalmente. Veja abaixo a íntegra do posicionamento:

A Livraria Cultura informa com grande surpresa a decisão que chegou no final da tarde de 09/02. Nesse momento iremos analisar a decisão do juiz, mas pretendemos recorrer pois entendemos que há soluções mais apropriadas à empresa, buscando sua recuperação, que não a falência. As operações das duas lojas físicas (Conjunto Nacional em São Paulo, e Bourbon Shopping Country em Porto Alegre), site e demais canais mantém-se normalmente em funcionamento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Livraria Cultura faliu. Qual será o destino da Saraiva?

A Saraiva também não tem tido vida fácil: na bolsa, suas ações amargam perdas expressivas — os papéis preferenciais SLED4, mais líquidos, fecharam cotados a R$ 1,33 e estão próximos a retornarem novamente à casa dos centavos, mesmo após um grupamento agressivo, na proporção de 35 para um.

Dito isso, após um período de forte impasse no plano de recuperação judicial, com enorme dificuldade para a venda de ativos, a Saraiva parece melhor posicionada para conseguir superar a situação financeira crítica. Em agosto do ano passado, a companhia aprovou junto aos credores a conversão de parte da dívida em ações.

A proposta prevê a conversão de R$ 163 milhões do endividamento envolvido na recuperação judicial em ações — o que, na prática, vai diluir o capital social da companhia, transformando-a numa empresa pulverizada na bolsa. Os débitos a serem equacionados, caso tudo dê certo, ainda ficariam na casa dos R$ 300 milhões.

A Saraiva tem 33 lojas físicas em operação, sendo que o estado de São Paulo concentra a maior parte delas, com 11 unidades — há, ainda, as operações online da companhia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O livro da Saraiva, assim, ainda parece em aberto; já a história da Livraria Cultura parece chegar às páginas finais com um desfecho sombrio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
INVESTIR PARA CRESCER

Nubank (ROXO34) anuncia investimentos de R$ 45 bilhões no Brasil em 2026; para onde irá este dinheiro?

27 de abril de 2026 - 13:15

Enquanto o Nubank avança em seus investimentos, o mercado aguarda os resultados para entender se essa expansão virá acompanhada de mais riscos

ALTA RENDA NO RADAR

Na rota do luxo entre Brasil e Miami: JHSF (JHSF3) compra operação de aviação executiva nos EUA e reforça ambições internacionais

27 de abril de 2026 - 12:01

A Embassair oferece uma plataforma completa de serviços para a aviação executiva, incluindo abastecimento de aeronaves e atendimento a passageiros, com operação 24 horas por dia

AÇÕES COMO GARANTIA

Do grupo Mover ao Bradesco BBI: acionistas da Motiva (MOTV3) vendem participação para pagar dívida bilionária

27 de abril de 2026 - 10:57

A companhia tem 37 concessões em rodovias, aeroportos e trilhos e pode mudar de mãos para pagar dívida entre Bradesco e Grupo Mover

NEGOCIAÇÕES ACALORADAS

O nó da Raízen (RAIZ4): empresa faz nova proposta aos credores, mas bate o pé para manter Ometto no comando, diz jornal

27 de abril de 2026 - 10:01

A companhia tenta levantar até R$ 5 bilhões em novo capital e negocia alternativas com credores, que pressionam por mudanças na governança e discutem conversão de dívida em participação acionária

SAI LATACHE, ENTRA MAK

Oncoclínicas (ONCO3): sócio da Latache renuncia aos cargos de vice-presidente, CFO e diretor de RI

27 de abril de 2026 - 9:28

A empresa teve três CFOs em menos de três meses. Camille Loyo Faria, ex-Americanas e ex-Oi, durou pouco mais de um mês no cargo, e deu espaço à Vieira, agora substituído por Quintino

PRÉVIA DOS BALANÇOS

Itaú (ITUB4) vai ser o grande destaque da safra do 1T26 ou o Bradesco (BBDC4) encosta? O que esperar dos balanços dos bancos

27 de abril de 2026 - 6:11

Inadimplência, provisões e pressão no lucro devem dominar os balanços do 1T26; veja o que esperar dos resultados dos grandes bancos

DE OLHO NA AGENDA

Temporada de balanços ganha força: Vale (VALE3), Santander (SANB11) e WEG (WEGE3) divulgam resultados; veja o calendário da semana

26 de abril de 2026 - 16:42

Bancos e indústria chegam com projeções otimistas para o 1T26, enquanto o mercado monitora sinais sobre demanda e rentabilidade

REGRAS DO MERCADO

Por que a Ecopetrol não precisa fechar o capital da Brava Energia (BRAV3)?

25 de abril de 2026 - 16:02

As partes envolvidas, Ecopetrol e demais acionistas, estruturaram a operação como formação de controle, e não como transferência de controle

FUSÕES

Sabesp (SBSP3) avalia transformar a EMAE em uma subsidiária integral

25 de abril de 2026 - 14:25

A Sabesp afirmou que avalia incorporar a totalidade das ações da EMAE por meio de uma relação de troca

COMPRA OU VENDA?

Rali do Bradesco (BBDC4) impressiona, mas XP mantém pé no freio e prefere ficar de fora

25 de abril de 2026 - 12:45

Mesmo com execução melhor que o esperado e recuperação operacional em curso, analistas avaliam que juros altos, competição e upside limitado justificam recomendação neutra para BBDC4

FIM DA NOVELA?

Petrobras (PETR4) e IG4 selam acordo pela Braskem (BRKM5); XP diz que movimento pode “destravar” reestruturação

24 de abril de 2026 - 19:50

Novo acordo prevê paridade no conselho e decisões conjuntas; analistas destacam maior influência da estatal em meio à fragilidade financeira da Braskem

A CERVEJA ESQUENTOU

Nem a Copa do Mundo salva a Ambev (ABEV3): Safra rebaixa ação e aumenta preço-alvo

24 de abril de 2026 - 16:15

Banco eleva preço-alvo de ABEV3 para R$ 16, mas avalia que mercado ignora pressão de margens e já precifica cenário positivo

VALE A PENA?

Brava (BRAV3) pode ter novo dono: colombiana compra 26% da junior oil e propõe OPA; o que muda para o investidor?

24 de abril de 2026 - 9:54

A estatal colombiana pretende, ainda, lançar uma OPA (oferta pública de ações) para comprar mais 25% das ações, com preço de R$ 23, prêmio de 27,8%

O ÚLTIMO A SAIR...

Sem CEO e sem CFO? Alliança Saúde (AALR3) vive onda de renúncias no comando; presidente sai após menos de um ano no cargo

24 de abril de 2026 - 9:26

Renúncia de Ricardo Sartim amplia incertezas enquanto empresa negocia dívidas e tenta reorganizar o caixa

SINAL AMARELO

Adeus, compra: JP Morgan rebaixa Klabin (KLBN11) e elege única favorita em papel e celulose; veja qual

23 de abril de 2026 - 19:45

Banco vê falta de gatilhos para a Klabin no curto prazo e cenário mais desafiador para a fibra longa e reforça aposta em concorrente

PONTO DE VIRADA

Depois de cortar 80% da dívida, Ocyan mira novos contratos da Petrobras (PETR4); estratégia pode até gerar dividendos

23 de abril de 2026 - 16:32

Ocyan entra em nova fase após reestruturação, com foco em contratos da Petrobras e crescimento sustentável no setor de óleo e gás

PRESSÃO MADE IN CHINA

Localiza (RENT3) sofre com invasão de carros chineses, mas há esperanças; ação pode subir até 25%, segundo o BTG

23 de abril de 2026 - 16:03

O banco mantém a recomendação de compra para a ação, além de ser a ação preferida do setor — ela é negociada a 13 vezes o preço da ação sobre o lucro estimado

O ‘PLANO GALÁXIA’

‘Não vai ser fácil’: o recado da CEO do Banco do Brasil (BBAS3) sobre 2026 — e o que vem depois da crise

23 de abril de 2026 - 14:25

Após forte pressão nos balanços, o BB reformula a estratégia de crédito rural — e quer destravar crescimento em um mercado ainda pouco explorado; veja o que dizem os executivos

O CONTRA-ATAQUE DO BB

O “novo Banco do Brasil” (BBAS3): como o banco tenta virar a página da inadimplência no agro — e saltar no crédito privado

23 de abril de 2026 - 12:34

Após forte pressão nos balanços, o BB reformula a estratégia de crédito rural — e quer destravar crescimento em um mercado ainda pouco explorado; veja o que dizem os executivos

EM RECUPERAÇÃO

Indefinido: veja o que a Raízen (RAIZ4) disse à CVM sobre as negociações com credores

23 de abril de 2026 - 10:31

Entre as propostas apresentadas também estaria a saída de Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan (CSAN3), da presidência do conselho da Raízen

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia