Empréstimo sem garantias, foco nos clientes sem conta em banco e juros mais baixos: as armas do will Bank para crescer e aparecer
Hoje com 4 milhões de clientes, o will Bank pretende atender o público que os grandes bancos costumam rejeitar

Com juros mais baixos do que a média cobrada pelos grandes bancos, o will Bank lançou um novo produto de empréstimo pessoal sem garantias chamado Emprestaí.
O crédito pode ser contratado diretamente pelo aplicativo e deve ser de, no mínimo, R$ 100. De acordo com o will Bank, serão cobrados juros a partir de 3,99% ao mês — o que corresponde a uma taxa acumulada de 59,9% ao ano.
Seria quase a metade da média de 7,66% ao mês cobrada nos principais bancos do país, segundo a pesquisa mensal do Procon-SP realizada no começo de maio. A taxa anualizada chega a 142,5%.
É importante ressaltar que, nos bancos, as taxas de juros variam de um cliente para outro, dependendo da situação cadastral, do valor pago como entrada (se for o financiamento de uma compra) e das garantias consideradas na operação.
O lançamento do empréstimo pessoal sem garantias é mais um passo do will Bank para avançar no segmento de clientes desbancarizados, ou seja, aqueles que não têm nenhuma conta em banco.
Foco no Nordeste
Hoje com 4 milhões de clientes, a fintech nasceu em maio de 2017, mas foi batizada com outro nome: Meu pag!. Naquela época, a empresa já começou a operar com cartão de crédito e conta de pagamentos, meses antes do Nubank lançar a sua NuConta.
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Os primeiros investidores foram os fundadores da administradora de cartões private label Avista, de onde havia saído seu cofundador e CEO, Felipe Félix. Em 2021, houve um reposicionamento de marca que culminou com a mudança do nome para will Bank.
O apelo do will Bank para alcançar a população desbancarizada está focado regionalmente no Nordeste, onde se concentra 60% da sua base de clientes.
No ano passado, a fintech iniciou um esforço de marketing trazendo famosos que poderiam ajudar a angariar esses clientes, como o humorista piauiense Whindersson Nunes, a cantora maranhense Pabllo Vittar e a cantora baiana Simone Mendes, entre outros.
O investimento nas campanhas publicitárias e o desenvolvimento de novos produtos fizeram com que o will Bank encerrasse o ano de 2022 no vermelho pela primeira vez na sua história. Para reduzir custos, a fintech cortou funcionários no primeiro semestre deste ano.
“Infelizmente, tivemos de tomar essa decisão dura, mas tomamos o mais rápido possível para não ter que fazer novo”, afirmou Félix ao Seu Dinheiro.
Crédito para os sem crédito
O desafio de crescer passa pelo fato de que hoje há centenas de fintechs brasileiras com serviços parecidos. Para buscar um diferencial, o will Bank decidiu oferecer crédito para quem sequer tem histórico no Registrato, o sistema do Banco Central que compila o que o indivíduo tem de dívidas.
“Desde o começo optamos por montar um produto para o desbancarizado. O banco tradicional nunca conseguiu atender esse cliente por ter um custo operacional alto que não permite que esse cliente seja rentável”, disse Félix.
O will Bank, assim, desenvolveu uma estratégia de crescimento utilizando educação financeira na forma de experiência gamificada. O crédito concedido é uma fração do que determinado cliente poderia ter e a fintech vai ensinando o que ele precisa fazer para elevar seu score e ganhar aumento de limite.
A tecnologia do motor de crédito do will Bank foi criada dentro de casa, o que, segundo Félix, dá autonomia para testar modelos com maior velocidade de aprendizado e reação a situações adversas.
No início da pandemia, por exemplo, a taxa de aprovação de crédito no will Bank foi reduzida em 80%. Mas em maio de 2020, a fintech colocou na rua 15 modelos de crédito simultâneos para entender o que iria ter melhor desempenho. Três meses depois, voltou a aprovar clientes.
Inadimplência
Com o aumento da inadimplência, que está focada justamente em cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantias — o escopo do produto que o will Bank acaba de lançar —, Félix não parece muito preocupado e acredita que o endividamento das famílias atingiu o pico.
Sem abrir os números exatos, o CEO do will Bank diz que, no momento, o índice chegou ao mesmo patamar de janeiro de 2020, enquanto o restante do mercado está 30% maior do que estava antes da pandemia.
“Performar melhor do que eles, principalmente no nosso público, deixa a gente animado”, disse o CEO.
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