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IPCA de junho mostrou deflação 0,08% em relação a maio e inflação de 3,16% em 12 meses, o que marca seu retorno ao centro da meta

A missão do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de levar o IPCA para o centro da meta foi concluída com sucesso.
O índice medido pelo IBGE entrou em território deflacionário em junho, recuando 0,08% em relação a maio. No acumulado em 12 meses, a inflação saiu de 3,94% em maio para 3,16% em junho.
Divulgados na manhã desta terça-feira (11), os números vieram praticamente em linha com as estimativas coletadas pelo serviço de notícias em tempo real Broadcast, de -0,10% no mês e +3,14% em 12 meses.
Uma parte do processo de desinflação em andamento pode ser atribuída à política monetária restritiva. Desde agosto do ano passado, a taxa Selic encontra-se em 13,75% ao ano, nível que tem sido duramente criticado pelo Palácio do Planalto e representantes de importantes setores da economia.
Nos últimos meses, porém, a inflação tem caído em ritmo mais acelerado.
Desde março, o IPCA acumulado em 12 meses encontra-se dentro da banda aceita pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para a inflação de 2023, que vai de 1,75% a 4,75%.
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O objetivo de Campos Neto, porém, era conduzir uma convergência da inflação ao chamado centro da meta — 3,25%.
Hoje, com a inflação em 12 meses a 3,16% em junho, é possível afirmar que a viagem ao centro da meta foi concluída.
O desafio agora é mantê-la nesse nível nos próximos meses.
Com isso, a expectativa dos investidores volta-se para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, no início de agosto.
Nos últimos dias, construiu-se entre os participantes do mercado financeiro um consenso de que a taxa Selic não tem mais por que ficar em 13,75% ao ano.
As discussões agora giram em torno da magnitude do corte. A maior parte do mercado acredita em uma redução de 25 pontos-base na taxa básica de juro.
“A velocidade de arrefecimento [da inflação] está aquém da projetada” disse Andréa Angelo, economista da Warren Rena.
De acordo com Mirella Hirakawa, economista sênior da AZ Quest, apesar de o índice cheio ter vindo em linha com as expectativas apresentadas pelo BC no Relatório Trimestral de Inflação de junho, a pressão sobre os preços dos serviços subjacentes deve manter o Copom vigilante.
"Apesar de ainda esperar o início do corte da Selic em agosto para 13,50%, a probabilidade de cortes tempestivos diminui", afirma ela.
Antes do próximo Copom, os economistas ainda terão à disposição os dados da prévia oficial da inflação de julho (IPCA-15) para recalibrar as estimativas.
Segundo a mais recente edição do boletim Focus, divulgada ontem, o mercado antevê a Selic em 12,00% ao ano em dezembro.
A mesma Focus ainda mostra o IPCA a 4,95% no fim de 2023, apenas 0,2 ponto porcentual acima do teto da meta.
No entanto, mesmo com a perspectiva de que a inflação voltará a ganhar força no segundo semestre, um número cada vez maior de economistas começa a projetar a inflação oficial dentro da meta no fim do ano.
A Warren, por exemplo, estima o IPCA a 4,75% no fim de 2023, exatamente no teto da meta.
Para Roberto Campos Neto, colocar a inflação dentro da meta tornou-se quase uma questão de honra. Afinal, o BC ganhou autonomia em 2021 e, depois disso, não conseguiu mais cumprir a meta.
Mais por causa de choques externos — como pandemia, guerra e inflação e juros em alta nas economias desenvolvidas — do que por causa da política monetária restritiva.
O fato é que, mesmo que a viagem ao centro da meta tenha sido concluída, o BC precisará seguir vigilante com a inflação. E já poderá treinar para 2025, quando entrará em vigor o regime de acompanhamento contínuo da meta de inflação.
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