Rodolfo Amstalden: separar ruído de sinal? Boa sorte
Em tese, o ruído deveria ser ignorado pelo investidor, enquanto os sinais deveriam ser receber atenção — mas a teoria é diferente da prática
Dentre as máximas das cartilhas de finanças, figura a lição: o bom investidor deve saber diferenciar ruído de sinal.
Enquanto o sinal fornece informações preciosas sobre a tendência confiável para o médio e longo prazo, os ruídos produzem inúmeras distrações de curto prazo, indutoras de decisões ruins.
Logo, nada melhor do que jogar fora o ruído e ficar apenas com o sinal.

Porém, assim como tudo o que é pregado pelos caga-regras do mercado financeiro, é muito mais fácil falar do que fazer.
A primeira dificuldade deriva da enorme desproporção entre ruído e sinal, percebida intuitivamente pela volatilidade dos retornos em bolsa ou pelo mapeamento das notícias.
Dado o alargamento de seus desvios-padrão, o Ibovespa pode tranquilamente cair ou subir 1% (em módulo) em um pregão, sem que isso signifique nada.
Leia Também
Os riscos e as oportunidades com Trump na Venezuela e Groelândia: veja como investir hoje
Rodolfo Amstalden: medindo a volatilidade implícita do trade eleitoral
E, para cada cem notícias publicadas diariamente nas capas dos principais jornais de economia e finanças, talvez uma ou duas permaneçam relevantes daqui a 12 meses.
Ruído x sinal: mais parecidos do que se imagina
Já a segunda dificuldade tem menos a ver com quantidades e mais a ver com a qualidade do ruído.
Quando ouvimos o conselho politicamente correto de jogar fora o ruído e ficar com o sinal, imaginamos a casca no lixo, para se deleitar com a banana; ou o fone de ouvido que cancela os barulhos insuportáveis do trânsito paulistano, permitindo que você ouça a guitarra de Ritchie Blackmore em alta fidelidade.
Na prática, entretanto, a separação entre joio e trigo é bem mais complicada, pois o joio tem uma exímia habilidade de se disfarçar de trigo.
Via de regra, os assuntos que se provam ruído a posteriori são seríssimos enquanto lideram a pauta diária ou semanal. Não é nada óbvio descartá-los, fazer troça deles ou — ainda pior — negociar contra eles.
A demissão truculenta de Castello Branco culminará na derrocada de Petrobras; o embate entre Lula e Campos Neto destruirá o relacionamento entre a Fazenda e o Banco Central; a deflação vista no IPCA cheio não é tão boa assim quando mergulhamos nos detalhes de sua composição.
Não só o diabo está nos detalhes como os detalhes são o próprio diabo.
Dois lados da mesma moeda
Nada fácil, entende?
O ruído estúpido, casca de banana, moto buzinando, nem chega a fazer preço. O ruído que importa é quase sempre fruto de debates legítimos, de altíssimo nível, mas que só levam a ruas sem saída.
Ironicamente, porém, esses debates "inúteis" nos levam a pensar, pensar, pensar, em múltiplas possibilidades, o tempo inteiro, indo para frente e para trás, para frente e para trás, lapidando a tendência que se forma.
Por isso, arrisco-me a dizer que não haveria sinal algum se não houvesse ruído.
Felipe Miranda: Notas sobre a Venezuela
Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina
A ação do mês, o impacto do ataque dos EUA à Venezuela no petróleo, e o que mais move os mercados hoje
A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity
O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?
O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?
FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias
China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado
As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas
Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025
Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente
Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres
Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026
A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência
Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky
Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)
FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque
Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs
O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia
Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores
De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar
Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026
Tony Volpon: Uma economia global de opostos
De Trump ao dólar em queda, passando pela bolha da IA: veja como o ano de 2025 mexeu com os mercados e o que esperar de 2026
Esquenta dos mercados: Investidores ajustam posições antes do Natal; saiba o que esperar da semana na bolsa
A movimentação das bolsas na semana do Natal, uma reportagem especial sobre como pagar menos imposto com a previdência privada e mais
O dado que pode fazer a Vale (VALE3) brilhar nos próximos dez anos, eleições no Brasil e o que mais move seu bolso hoje
O mercado não está olhando para a exaustão das minas de minério de ferro — esse dado pode impulsionar o preço da commodity e os ganhos da mineradora
A Vale brilhou em 2025, mas se o alerta dessas mineradoras estiver certo, VALE3 pode ser um dos destaques da década
Se as projeções da Rio Tinto estiverem corretas, a virada da década pode começar a mostrar uma mudança estrutural no balanço entre oferta e demanda, e os preços do minério já parecem ter começado a precificar isso
As vantagens da holding familiar para organizar a herança, a inflação nos EUA e o que mais afeta os mercados hoje
Pagar menos impostos e dividir os bens ainda em vida são algumas vantagens de organizar o patrimônio em uma holding. E não é só para os ricaços: veja os custos, as diferenças e se faz sentido para você
Rodolfo Amstalden: De Flávio Day a Flávio Daily…
Mesmo com a rejeição elevada, muito maior que a dos pares eventuais, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem chance concreta de seguir em frente; nem todas as candidaturas são feitas para ganhar as eleições
Veja quanto o seu banco paga de imposto, que indicadores vão mexer com a bolsa e o que mais você precisa saber hoje
Assim como as pessoas físicas, os grandes bancos também têm mecanismos para diminuir a mordida do Leão. Confira na matéria
As lições do Chile para o Brasil, ata do Copom, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje
Chile, assim como a Argentina, vive mudanças políticas que podem servir de sinal para o que está por vir no Brasil. Mercado aguarda ata do Banco Central e dados de emprego nos EUA
Chile vira a página — o Brasil vai ler ou rasgar o livro?
Não por acaso, ganha força a leitura de que o Chile de 2025 antecipa, em diversos aspectos, o Brasil de 2026