Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Efeito Americanah

“Americanas” virou termo maculado, talvez para sempre – sinônimo de coisa ruim, fraude contábil e, ainda pior, medo de desdobramentos sistêmicos. Seu quase homônimo “Americanah” continua representando um deleite literário, rico em emoções e lições de vida.

13 de fevereiro de 2023
18:21 - atualizado às 19:43
Americanas efeito congelamento Avenida Brasil
Montagem com fachada de loja da Americanas - Imagem: Pinterest / Montagem Brenda Silva

Em 16 de janeiro, escrevi neste mesmo espaço:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Diante de um choque exógeno inesperado, muitos ativos caem de maneira igual, sem muita distinção. A diferenciação ocorre no pós-pânico. (…) Num primeiro momento, as coisas caminham muito em função do “beta”, ou seja, conforme a sensibilidade do ativo às condições sistêmicas, desconsiderando suas características idiossincráticas. O micro fica atrás do macro. Num segundo momento, entram as virtudes e os defeitos individuais.”

Embriagados com o (legítimo) temor sobre a política fiscal brasileira e vislumbrando uma possível crise de crédito, batemos numa cortina de fumaça capaz de dificultar a devida diferenciação entre as companhias. O diabo estará sempre nos detalhes. Uma pequena nuance pode representar símbolos e performances bem distintas.

“Americanas" virou termo maculado, talvez para sempre – sinônimo de coisa ruim, fraude contábil e, ainda pior, medo de desdobramentos sistêmicos. Seu quase homônimo “Americanah" continua representando um deleite literário, rico em emoções e lições de vida.

O texto de janeiro alertava para o risco de nos perdermos em argumentos macro e incorrermos numa postura niilista de “não há o que se comprar na Bolsa brasileira."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O barato pode sair ainda mais caro

Passado cerca de um mês, a sugestão prospectiva ganha contornos concretos. O setor bancário talvez seja o exemplo mais contundente.

Leia Também

Enquanto Bradesco e Santander apresentaram resultados trimestrais assustadores, patinando em ROEs baixos, lutando contra inadimplência em alta, sofrendo no nicho de seguros e, para o caso do primeiro, com EBT negativo, Itaú deu um show.

O “banco de engenheiro” mostrou que há vida além de Americanas. Calibrou bem o crescimento da carteira, sem grandes soluços no crédito, colheu frutos de sua modernização e maior digitalização e controle de custos e despesas. “Itaú sendo Itaú”.

Hoje, negocia a 1,6x seu valor patrimonial e a 7x lucros. Pode não ser um espetáculo em termos de upside, mas compõe bem um portfólio num momento que requer capacidade de se defender dos juros altos, balanço forte, marca reconhecida e afins. Em momentos de crise, o dinheiro flui para os donos do capital. Cá estamos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Hoje à noite, sai Banco do Brasil e também esperamos resultados bastante positivos. Problema aqui é se você topa ou não o risco de estatais federais – eu até encaro as estaduais, como Sabesp, mas vejo o risco de uma deterioração rápida dos lucros no caso do uso dessas empresas para se fazer política pública.

Como ninguém sabe direito medir o risco disso, prefiro observar de fora. O barato sempre pode ficar ainda mais barato.

Amanhã sai Nubank e, considerando o nicho de atuação semelhante ao de Bradesco, a perspectiva não é muito auspiciosa. Ação do banco pegou carona na recente alta da Nasdaq. Turma até mistura joio e trigo, até que os resultados trimestrais mostrem quem é quem. Entendemos que o valuation de Nubank não condiz com sua realidade objetiva.

Ainda entre os bancos, saiu hoje os números trimestrais do BTG. Obviamente, estou conflitado no assunto. Mas, sob uma análise fria, você enxerga um ROE de 20,8% mesmo com o evento Americanas, acima do soft guidance de 20% e em nível muito saudável.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O banco teria feito 22,1% de ROE sem o impacto extraordinário, o que é formidável e não muito alinhado aos patamares atuais de valuation, abaixo de 2x valor patrimonial. Diversificação importante de receitas e tese alinhada à visão de “all weather stock”.

É evidente que sofre com menor atividade de ECM (emissão de ações), mas tem conseguido compensar isso com robustez de DCM (emissão de dívida) e M&A (fusões e aquisições). Asset management, consumer banking e carteira crédito crescendo em ritmo forte, enquanto sales & trading roda com receita superior a R$ 1 bi por trimestre.

Ok, sales & trading comanda múltiplo mais baixo, porque é visto como não recorrente. Respeito o contraponto, mas vale dizer que este não-recorrente tem se repetido todo trimestre e, mais do que isso, vai dando fôlego até a janela de IPOs reabrir.

Num ambiente de juros mais baixos e menor incerteza fiscal (quem sabe depois da reforma tributária e do novo arcabouço fiscal), poderia voltar a negociar mais perto de 3x valor patrimonial, algo próximo a R$ 33 por unit — é mais de 50% para subir.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Saindo dos bancos, outros exemplos relevantes

I. Varejo de moda: quem trabalha com muito crédito e tem exposição às faixas de renda mais baixa potencialmente enfrentará resultados bastante desafiadores. Renner é boa e barata, mas o Realize impõe risco não-desprezível. Marisa está em sérias dificuldades, já tendo contratado o BR Partners para reestruturar dívida (enquanto uns choram, outros vendem lenços). Guararapes também deve enfrentar resultados adversos. Enquanto isso, Arezzo, Track & Field e Vivara caminham para mais bons trimestres à frente.

II. Locação de veículos: Localiza nada de braçada, enquanto Movida colhe os frutos nada doces de opções erradas feitas no passado, como excesso de alavancagem do controlador e renovação inadequada de frota. Resultados de Movida no dia 6 de março caminham para ser mais um reforço à tese de Localiza. Poucas vezes pudemos comprar uma empresa tão boa a preços tão atraentes.

III. Incorporação de baixa renda: amanhã será relançado o programa Minha Casa, Minha Vida, que pode dar momentum ao setor. De novo, reforço a importância de separar o ativo bom do ativo ruim. Tenda está muito combalida e MRV se esforça para passar perspectivas otimistas em seu Investor Day, mas ainda temo o estouro de covenant neste ano – anunciar programa de recompra de ações diante de um risco assim me parece uma medida fora de propósito e desalinhada aos interesses de geração de valor a longo prazo para o acionista. Em contrapartida, Direcional e Cury seguem voando, numa diferença de performance frente às demais que só deve aumentar.

Olhando os resultados até agora, a máxima sugerida no início do ano para atravessar 2023 parece estar ainda mais apropriada: “numa guerra, os generais são os últimos a morrer.” Sem preconceitos, você encontra muita coisa boa na bolsa brasileira. Americanah é leitura recomendada, Americanas é pra passar longe.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia