Rodolfo Amstalden: Menos cabeças, mais PIB para a China?
No ritmo atual de nascimentos por ano, a população chinesa pode cair para 600 milhões em 2100 — menos da metade do número atual

Enquanto todas as atenções se voltam para a Atlas/Intel de Flávio Bolsonaro, a compra da Groenlândia ou o rebote dos bonds japoneses, a notícia mais “não perecível” da semana talvez tenha passado despercebida. Na última segunda-feira (19), o governo da China anunciou 7,92 milhões de nascimentos em 2025, consideravelmente abaixo dos 9,54 milhões contabilizados em 2024.
A taxa de fecundidade total do país caiu para 0,93 — portanto, muito aquém da taxa de reposição populacional (2,10).

Ainda que Xi Jinping esteja se esforçando em prol de políticas públicas capazes de ressuscitar essa estatística, a tendência descendente parece inabalável.
A população da China
Mesmo que um ritmo próximo a 8 milhões de nascimentos/ano seja milagrosamente preservado, a população chinesa cairia para cerca de 600 milhões em 2100; menos de metade do número atual de 1,405 bilhão.
Até pouco tempo atrás, essa era uma hipótese completamente absurda, mas 600 milhões de chineses em 2100 não é sequer um cenário pessimista agora. Já tem gente séria falando em 500 milhões.
Embora os estudos de caso da China sejam sempre repletos de hipérboles (para cima ou para baixo), o contexto está longe de ser exclusivo; trata-se de um fenômeno global.
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Curiosamente, suas explicações modernas (melhora da educação, métodos contraceptivos, mulheres no mercado de trabalho e urbanização) dificilmente poderiam ser imaginadas por Thomas Malthus em 1798.
Não temos muitas referências para avaliar os impactos diretos e indiretos de uma queda vertiginosa da população mundial, até porque nunca vivemos nada parecido antes.
Fim da linha?
É óbvio e relevante falar em ônus demográfico, mas também existem vias de bônus à medida que um mesmo conjunto de recursos acumulados passa a ficar à disposição de um contingente menor de pessoas.
Ademais, parte dessa lacuna pode ser preenchida por robôs e demais mecanismos autômatos, capazes de realizar trabalhos braçais e operacionais de baixa complexidade.
De qualquer forma, o efeito líquido pertence ao futuro, e a notícia da fecundidade chinesa não vai mexer com os preços de tela agora — especialmente em uma semana repleta de atrações afeitas ao paladar infantil.
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