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2023-01-09T19:11:49-03:00
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MERCADOS AGORA

Bolsas hoje: Ibovespa escapa de virada em Nova York e fecha em alta; dólar fecha em alta

9 de janeiro de 2023
7:09 - atualizado às 19:11

RESUMO DO DIA: A semana começa sob o impacto da tentativa de golpe promovida por bolsonaristas no domingo. Prédios do Congresso, Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF) foram depredados por vândalos, que pediam intervenção militar. Lá fora, a repercussão não deve afetar os negócios. Os investidores aguardam a divulgação de dados de inflação e desempenho econômico no exterior.

Governo federal toma as rédeas da situação em Brasília e Ibovespa fecha o dia em alta; dólar vai a R$ 5,25

Ao menor sinal de deterioração do cenário político, o mercado financeiro costuma seguir um roteiro clássico: diante do risco, há desvalorização dos ativos na bolsa, abertura da curva de juros e alta do dólar. 

Mas não foi isso que aconteceu nesta segunda-feira (09), na ressaca da destruição das sedes do Legislativo, Executivo e Judiciário por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro na tarde de ontem (09). 

Os juros futuros fecharam em queda e o Ibovespa operou  no azul durante a maior parte do dia, encerrando a sessão em alta de 0,15%, — ainda que as bolsas em Nova York tenham pesado na  reta final das negociações, e o dólar à vista tenha avançado 0,40%, a R$ 5,2575. 

Agentes do mercado financeiro já apontavam ontem mesmo que a recepção aos atos terroristas poderia ser mais branda do que a expectativa de muitos, já que os ativos negociados em bolsa e a curva de juros já vinham sendo pressionadas nas últimas semanas — frutos da desconfiança com o futuro da política fiscal do governo Lula. 

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FECHAMENTO

O Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,15%, aos 109.129 pontos

FECHAMENTO EM NOVA YORK
  • Dow Jones: -0,33%
  • S&P 500: -0,08%
  • Nasdaq: +0,63%

A piora vista nas bolsas americanas refletiu também no Ibovespa na reta final do pregão.

FECHAMENTO DO DIA

O dólar à vista fechou em alta de 0,40%, a R$ 5,2575

FECHAMENTO

O petróleo do tipo Brent encerrou o dia em alta de 1,37%, a US$ 79,65

JUROS FUTUROS

A tensão com os desdobramentos políticos em Brasília também ficou para trás no mercado de juros. As taxas dos principais contratos de DI operam em queda, após terem iniciado o dia em forte alta. Acompanhe:

CÓDIGONOME ULT  FEC 
DI1F24DI Jan/2413,59%13,60%
DI1F25DI Jan/2512,78%12,85%
DI1F26DI Jan/2612,69%12,78%
DI1F27DI Jan/2712,71%12,79%
TESOURO DIRETO SUSPENDE NEGOCIAÇÕES POR VOLATILIDADE NO MERCADO DE JUROS

O Tesouro Direto suspendeu as negociações na tarde desta segunda-feira (09) em razão da forte volatilidade no mercado de juros futuros.

A prática é habitual quando o sobe e desce das taxas é muito intenso. Quando a suspensão ocorre, apenas os títulos Tesouro Selic podem ser negociados.

Os juros futuros amanheceram em alta hoje, com o aumento da percepção de risco com os atos violentos de bolsonaristas em Brasília na tarde de domingo (08). Há pouco, porém, as taxas viraram para queda.

E AGORA, MERCADO?

Ao menor sinal de deterioração do cenário político, o mercado financeiro costuma seguir um roteiro clássico: diante do risco, há desvalorização dos ativos na bolsa, abertura da curva de juros e alta do dólar. 

Mas não é isso que se vê hoje no Brasil, mesmo após as imagens que chocaram o mundo no último domingo (09), com a destruição das sedes do Legislativo, Executivo e Judiciário por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Por volta das 14h40, o Ibovespa operava em alta de 0,60%, aos 109.599 pontos, o dólar à vista se afastava das máximas e os principais contratos de DI passaram a operar nas mínimas do dia — uma reação longe do que a maior parte da população poderia esperar. 

A verdade é que o mercado financeiro já apontava ontem mesmo que a recepção aos atos terroristas poderia ser mais branda do que a expectativa do público, principalmente pela forte queda recente da bolsa e inclinação da curva de juros nas últimas semanas — frutos da desconfiança com o futuro da política fiscal do governo Lula. 

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BANK OF AMERICA REDUZ HAPVIDA PARA "NEUTRO"; AÇÕES CAEM 6%

Na última sexta-feira (06), os investidores da Hapvida foram pegos por dois relatórios diferentes que fizeram as cotações dos papéis HAPV3 terem um desempenho negativo no pregão. Tanto o Bradesco quanto o JP Morgan rebaixaram as ações da companhia de saúde de “compra” para “neutro”. O novo golpe na empresa veio nesta segunda-feira (09) do Bank of America (BofA). 

Agora, o banco americano também cortou a recomendação de “compra” para “neutro”. O preço-alvo também foi reduzido de R$ 10 para R$ 6.

No pregão desta segunda-feira (09), as ações caíram 11,02%, negociadas a R$ 4,20. 

Em relação às cotações atuais, a alta potencial ainda é de 31%. Entretanto, a expectativa com o futuro da empresa é altamente cautelosa. 

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FECHAMENTO NA EUROPA
  • Frankfurt: +1,29%
  • Londres: +0,29%
  • Paris: +0,68%
  • Stoxx-600: +1%
AS PRIMEIRAS HORAS DE PREGÃO

Apesar da reação do mercado financeiro local na abertura ter sido mais tímida do que o inicialmente esperado por alguns analistas, o Ibovespa e ativos como o dólar e juros futuros são pressionados nesta manhã -- mais do que o cenário internacional indicaria para o dia de hoje.

Isso porque a China deu passos importantes em direção à reabertura da sua economia, empolgando o setor de commodities e toda a economia global, com expectativas por uma desaceleração da atividade menor do que a esperada.

Para alguns analistas consultados pelo Seu Dinheiro, o desempenho melhor do que o esperado do Ibovespa se deve não só ao desempenho das commodities, mas também na atuação rápida do governo federal para retomar o controle de Brasília, mostrando alinhamento entre os Poderes para conter possíveis novas insurreições.

ATAQUE À DEMOCRACIA

Os acontecimentos da tarde do último domingo (08) cravaram lugar na memória brasileira. Seja no cenário doméstico ou nas manchetes de jornais ao redor do mundo inteiro, a frase que prevaleceu ao discorrer sobre os ataques em Brasília de ontem foi apenas uma: o ataque à democracia no Brasil por apoiadores extremistas de Jair Bolsonaro.

Ontem, milhares de bolsonaristas invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e a sede do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação demandou uma intervenção federal para coibir a depredação de patrimônio público, a destruição de obras de valor inestimável, o vandalismo e a violência.

Quase em um flashback do ataque ao Capitólio, nos EUA, em 2021, o Congresso viu-se quebrado. Nas janelas que não foram destruídas, foram inscritos os pedidos “Intervenção já” e “Abolição dos Três Poderes”.

Nos textos produzidos pela imprensa estrangeira, a palavra “insurreição” garantiu lugar de destaque na editoria “Brasil”. 

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ABERTURA EM NOVA YORK

Enquanto no Ibovespa a cautela ainda é a força que predomina, os índices em Wall Street começam o dia no azul. No exterior, o grande gatilho do dia é a queda de restrições contra o coronavírus na China, mais uma vez alimentando as expectativas de um fim para a política de covid zero. Confira o desempenho dos principais índices americanos logo após a abertura:

  • Nasdaq: +0,94%
  • S&P 500: +0,53%
  • Dow Jones: +0,37%
SOBE E DESCE DO IBOVESPA

Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEULTVAR
EMBR3Embraer ONR$ 14,882,27%
PRIO3PetroRio ONR$ 35,972,25%
SUZB3Suzano ONR$ 50,952,02%
KLBN11Klabin unitsR$ 20,711,97%
GGBR4Gerdau PNR$ 30,901,88%

A Hapvida (HAPV3) aparece entre as maiores quedas do dia após duas casas de análise rebaixarem as suas recomendações para o papel da operadora de saúde. Já as empresas do setor de construção são pressionadas pela inclinação da curva de juros. Confira também as maiores quedas da sessão:

CÓDIGONOMEULTVAR
HAPV3Hapvida ONR$ 4,53-4,03%
EZTC3EZTEC ONR$ 12,98-3,99%
PETZ3Petz ONR$ 5,98-3,24%
MRVE3MRV ONR$ 7,31-3,18%
JHSF3JHSF ONR$ 4,72-2,88%
NOTA CONJUNTA DOS TRÊS PODERES

Os Três Poderes da República seguem se posicionando contra os atos de terrorismo que aconteceram na tarde de ontem (09). Há pouco, os chefes dos Poderes soltaram uma nota conjunta em Defesa da Democracia, apontando o trabalho das instituições na manutenção da ordem.

Depois de ensaiar uma recuperação logo após a abertura, o Ibovespa voltou a operar no campo negativo. No exterior, as bolsas em Nova York devem abrir o dia em alta, de olho na flexibilização das medidas anti-coronavírus na China.

O Ibovespa tenta acompanhar o otimismo das bolsas internacionais e ensaia uma recuperação no campo positivo. O setor de commoditiess alimenta o fluxo de entrada de capital na bolsa.

O Ibovespa abriu o dia em queda de 0,35%, aos 108.580 pontos.

STF ESTIPULA PRAZO PARA FIM DE ACAMPAMENTOS GOLPISTAS

A segunda-feira nem bem havia começado quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou do cargo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), por causa dos atos golpistas de domingo.

Moraes qualificou a conduta de Ibaneis como "dolosamente omissiva" por ter chamado os atos de vandalismo de "livre manifestação política em Brasília" e por ter ignorado apelos de autoridades para traçar um plano de segurança semelhante ao empregado no 7 de Setembro.

Mas o afastamento de Ibaneis por 90 dias foi apenas uma de uma série de medidas adotadas por Alexandre de Moraes com a intenção de restabelecer a ordem depois da tentativa de golpe perpetrada no domingo por bolsonaristas radicais reunidos em Brasília.

Alexandre de Moraes determina 24 horas para fim de acampamentos

Além de afastar o governador, Moraes determinou prazo de 24 horas para a desocupação e a dissolução total dos acampamentos nas imediações dos quartéis-generais e outras unidades militares. Os participantes desses acampamentos devem ser presos em flagrante.

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JUROS FUTUROS ABREM EM ALTA

Conforme esperado por boa parte do mercado financeiro local, as cenas de destruição em Brasília elevam o 'risco País', pressionando os ativos mais sensíveis às instabilidades políticas e institucionais.

Apesar das perdas moderadas no índice futuro do Ibovespa, a curva de juros abriu em alta, embutindo mais prêmio de risco. Para alguns analistas, a reação rápida do governo federal e a forte atuação do STF mitigam os riscos de um rompimento institucional ou crise mais duradoura.

Confira o andamento dos principais vencimentos dos contratos de DI nesta segunda-feira (09):

CÓDIGONOME ULT  FEC 
DI1F24DI Jan/2413,66%13,60%
DI1F25DI Jan/2512,98%12,85%
DI1F26DI Jan/2612,90%12,78%
DI1F27DI Jan/2712,91%12,79%
PARA ITAÚ BBA, ATIVOS BRASILEIROS PODEM SOFRER APÓS INVASÃO EM BRASÍLIA, MAS IMPACTO DEVE SER LIMITADO

No primeiro dia após as cenas de invasão e destruição em Brasília, muitas pessoas se questionam como será a ressaca dos atos terroristas e sua repercussão no mercado financeiro. De olho nisso, os analistas do Itaú BBA apontam que deve haver algum impacto aos ativos locais, mas ainda limitado.

Em relatório, a equipe aponta que os preços devem ser afetados por conta do aumento do prêmio de risco institucional, mas isso não deve durar muito tempo, já que as discussões sobre política econômica devem retomar o protagonismo em breve.

"Devemos esperar que os mercados de ações sofram, as taxas de juros subam e o real se desvalorize, ainda que não por muito tempo, como aconteceu em episódios semelhantes em outros países", escreveram os analistas.

Assim, o Itaú BBA aponta que os investidores devem apostar em nomes relacionados às commodities — especialmente pela previsão de desvalorização do real —, como Suzano (SUZB3), Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4).

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EXTERIOR AMPARA PERDAS

Apesar do clima de tensão que cerca a capital federal após os ataques do último domingo (09), os ativos locais são amparados pelo bom humor dos investidores no exterior.

Lá fora, novos sinais de que a China caminha para o fim da política de covid zero empolga. Os índices em Nova York devem abrir em alta moderada.

Por aqui, o Ibovespa futuro chegou a abrir em queda de mais de 1%, mas já reduziu o ritmo de perdas. O dólar à vista também limita o seu movimento de alta.

MATHEUS SPIESS: MERCADO EM 5 MINUTOS

DOMINGO, 8 DE JANEIRO DE 2023: UM DIA TRISTE NA HISTÓRIA DA REPÚBLICA

”A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério.” – Dr. Ulysses Guimarães

Começo nossa conversa com as palavras do Dr. Ulysses Guimarães de quando a constituição foi promulgada, em 1988. O que vimos ontem me lembrou cenas de um filme de terror. De nada tinham de “patriotas” os criminosos que invadiram os principais prédios públicos do país e destruíram materiais artísticos e políticos relevantes da história brasileira.

Tampouco tinham de conservadores – o conservadorismo clássico abomina qualquer coisa semelhante ao que aconteceu no Brasil no domingo. Consequentemente, o mercado local deve sofrer com as consequências dos atos não democráticos, ainda que marginalmente apenas em um primeiro momento. De qualquer forma, a percepção é péssima e a repercussão internacional pior ainda.

2023 só está começando.

Enquanto isso, lá fora, os mercados asiáticos fecharam em alta nesta segunda-feira (9), acompanhando as movimentações positivas dos mercados globais na sexta-feira, quando alguns dados americanos mostraram uma queda no crescimento salarial para uma mínima de 50 anos — aliviou as preocupações sobre o aperto político agressivo do Federal Reserve.

A Europa dá continuidade ao movimento positivo do final da semana passada, assim como os futuros americanos. Infelizmente, os ativos brasileiros provavelmente não vão acompanhar o bom humor global. Os efeitos da política sobre o mercado doméstico devem se aprofundar nas próximas semanas.

A ver…

01:17 — Terrorismo à moda brasileira

A sensação de instabilidade institucional cobrará seu preço hoje — não houve golpe e nem ruptura, portanto é possível que não tenhamos um desastre completo (não muda os lucros das empresas nem a solvência soberana). Ainda que não caia muito, o sentimento é predominantemente negativo (depende agora da posição do Lula, que ontem já não foi muito bem no pronunciamento, apesar da correta postura em intervir no DF).

No curto prazo, é provável que Lula acabe se fortalecendo e a direita eleita para o Congresso se fragilize, uma vez que os criminosos do final de semana nasceram dos movimentos na frente dos quartéis. Inacreditável como o bolsonarismo e o lulismo são forças que se retroalimentam. Um fortalece o outro e assim por diante.

Não só Lula se beneficia da situação, mas o STF também terá mais espaço para tomar medidas duras contra os responsáveis. Isso aconteceria no curto prazo, com uma retomada à realidade em um segundo momento — a esquerda ainda terá dificuldade para governar (metade do país rejeita a esquerda). Paralelamente, o ex-governante que nada falou enquanto o dia de ontem estava sendo preparado entre novembro e dezembro, continua na Disney, literalmente.

Se sabíamos que Lula não teria um mandato fácil, os eventos de ontem aprofundam tal sentimento. Sabemos que o mercado tem dificuldade em precificar eventos políticos e dessa vez não teremos algo diferente. A intervenção federal, o afastamento do governador do Rio, a ida de todos os governadores à capital hoje e a união dos poderes neste momento serão peças fundamentais para contarmos a crise. Hoje será muito mais ruído do que sinal. Mas as indicações dos governantes são importantes.

02:29 — O relatório de emprego

O relatório de empregos dos EUA, divulgado na sexta-feira, nos deu evidências de alguma fraqueza econômica à frente. Por lá, o rali dos ativos começou depois que foi apresentada a criação de 223 mil empregos em dezembro. Mesmo superando as expectativas, chamou atenção a revisão de novembro, para 256 mil apenas. Ao mesmo tempo, o relatório mostrou um declínio no ritmo de crescimento dos salários.

Naturalmente, o Fed permanecerá em seu curso de aperto monetário, mas os riscos de mais altas na primavera estão diminuindo à medida que cresce o otimismo de que as pressões salariais continuarão caindo. Adicionalmente, as ações ampliaram os ganhos depois que um relatório do Institute for Supply Management mostrou que seu índice da indústria de serviços caiu para o território de contração.

O desafio agora será a temporada de resultados, que começa nesta semana com os grandes bancos na sexta-feira. O consenso de mercado estima que os lucros do S&P 500 tenham caído 4,1% no quarto trimestre — esse seria o primeiro declínio ano a ano desde o terceiro trimestre de 2020, quando os ganhos do S&P 500 caíram 5,7%. Com uma recessão, há espaço para que os números fiquem ainda piores.

03:28— Vitória feia

Na semana passada, a Câmara dos EUA finalmente conseguiu eleger seu presidente. Foram 15 rodadas de votação e quatro dias de caos, o processo mais longo desde 1856, mas o deputado republicano Kevin McCarthy pode finalmente comandar a casa legislativa. Ele provavelmente será o parlamentar a estar no cargo mais fraco da história moderna — conseguiu votos suficientes de seus colegas republicanos para garantir o cargo, tendo concordado com um acordo que limita seu poder.

Tendo finalmente conseguido seu líder, a Câmara agora pode empossar novos membros, distribuir atribuições de comitês e começar o trabalho real de legislar. Há apreensão para quando chegar a hora de votar o aumento do teto da dívida, que deverá se manter nos próximos meses. A divisão e as intrigas não são exclusividades americanas. Nós sentimos na pele ontem o que a polarização irracional da política pode causar. O problema é que se verifica uma fragilidade nas democracias ocidentais.

04:14 — Falas de autoridades monetárias

Na Europa, o início da semana é positivo, ainda que com menos fôlego relativamente à semana passada. Também teremos o início da temporada de resultados por lá, assim como nos EUA. Já pela manhã, tivemos dados mostrando avanço da produção industrial alemã, ainda que abaixo do esperado, e manutenção da taxa de desemprego da Zona do Euro em 6,5%.

Será importante acompanharmos o nível de atividade da região, de modo a mapearmos a chance de uma recessão muito profunda. Para isso, será importante acompanharmos algumas falas de autoridades por lá na semana, começando com alguns membros do Banco da Inglaterra hoje.

04:44 — Mais um com o Euro

Na semana passada, entramos em 2023 com mais um membro na Zona do Euro. A Croácia é agora o 20º país a adotar o euro, um marco para a nação de quase 4 milhões de habitantes.

A Croácia, que buscou laços mais estreitos desde sua adesão à União Europeia em 2013, também se juntará ao espaço Schengen sem fronteiras (um bloco de 26 países que permitiu que uma população de 420 milhões se movimente livremente entre os membros) tornando-se a maior região sem fronteiras área no mundo - vai ajudar o turismo croata, que corresponde a 20% do PIB.

A Croácia é o país que mais lucra com a entrada na Zona do Euro. Quando sua moeda se desvaloriza em relação ao euro, significa que sua dívida vale mais, então seus custos de empréstimos como país são mais altos para refletir esse risco. Adicionalmente, a Croácia já depende do euro para mais da metade de seu comércio exterior e para quase três quartos de seus turistas. A adoção do Euro era inevitável.

IBOVESPA FUTURO

A reação que o mercado financeiro brasileiro deve ter aos acontecimentos deste domingo (09) já podem ser antecipados pela abertura do Ibovespa futuro.

O índice abriu em queda de mais de 1,3%, aos 109.110 pontos. O dólar à vista também abriu em alta, com um avanço de 0,83%

BOLSA, JUROS E DÓLAR DEVEM TER DIA DIFÍCIL

Em meio às cenas de terrorismo que tomaram conta de Brasília no domingo (8) e que se seguiram por horas, não é exagero dizer que a reação do mercado financeiro na segunda-feira (9) será acompanhada de perto por especialistas, curiosos e leigos. 

Existem diferenças de visão entre os analistas sobre o grau de impacto nos ativos domésticos e quais deles devem ser mais impactados. Mas a certeza é uma só: seja um susto passageiro ou um movimento mais prolongado, com nuances a serem analisadas, o dia deve ser negativo.

O primeiro instinto dos especialistas foi tentar comparar o que aconteceu em Brasília aos eventos do dia 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos— a invasão do Capitólio americano por apoiadores do candidato derrotado à reeleição, Donald Trump, com o registro de violência armada e mortes.  

O dia era de otimismo nas bolsas em Nova York, e apesar dos investidores terem pisado no freio após as inéditas cenas de violência no país, apenas o Nasdaq fechou o dia no vermelho. 

Com os dois episódios tendo ligações — sendo o ataque brasileiro espelhado nos acontecimentos de dois anos atrás — há quem acredite em um dia de estresse que não se confirme em uma crise, ou o início de uma. 

“Os bolsonaristas estão sozinhos e esse ato tresloucado foi mais uma ação de desespero do que de virada de mesa”, apontou um dos gestores que atendeu a nossa reportagem. 

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MERCADO DE COMMODITIES

A reabertura das fronteiras da China, após três anos da política de Covid-zero, melhoram as expectativas globais de retomada econômica e de demanda, sobretudo, sobre commodities.

A medida impulsiona o petróleo tipo Brent, que sobe 2,99%, com o barril a US$ 80,92.

Contudo, apesar da melhora de expectativas, o minério de ferro acumula queda de 2,49%, com a tonelada a US$ 121,40.

JULIUS BAER: ATAQUES EM BRASÍLIA PODEM AFASTAR INVESTIDOR ESTRANGEIRO

A invasão promovida por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro à Praça dos Três Poderes, com a destruição das instalações do Congresso e do STF, deve ter impactos negativos sobre os ativos brasileiros no curto prazo e afugentar investidores estrangeiros do país, de acordo com análise do Julius Baer.

Em nota, a casa pondera que, nas últimas semanas, os estrangeiros têm se mostrado mais otimistas em relação ao mercado brasileiro e aumentado suas posições no país, enquanto os investidores locais têm assumido uma postura vendedora.

"Dada a intensa cobertura da mídia internacional [dos ataques], esperamos que o investidor estrangeiro reduza o seu otimismo, em alguma escala".

O Julius Baer também diz não descartar a possibilidade de que novos atos de violência possam pressionar os mercados locais no curto prazo, mas afirma que as questões macroeconômicas seguem como principal direcionador para os ativos domésticos.

BOLETIM FOCUS

Confira o primeiro Boletim Focus de 2023 após a posse presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com as projeções do mercado para indicadores da economia local:

Inflação

  • IPCA para 2022: permanece em 5,62% (=)
  • IPCA para 2023: de 5,23% para 5,36% (↑)
  • IPCA para 2024: de 3,65% para 3,70% (↑)

Atividade econômica 

  • PIB para 2022: de 3,04% para 3,03% (↓)
  • PIB para 2023: de 0,80% para 0,78% (↓)
  • PIB para 2024: permanece em 1,50% (=)

Dólar

  • Câmbio para 2023: de R$ 5,27 para R$ 5,28 (↑)
  • Câmbio para 2024: de R$ 5,26 para R$ 5,30 (↑)

Juros 

  • Selic/23: permanece em 12,25% a.a. (=)
  • Selic/24: de 9,00% para 9,25% (↑)
EVENTOS ADICIONAM VETOR NEGATIVO AO PAÍS, DIZ CIO DA TAG INVESTIMENTOS

"Os atos de vandalismo, terror e ações não democráticas assistidas em Brasília trarão consequências negativas de curto e longo-prazo para o Brasil e para os mercados locais", afirma Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos.

No curto prazo, ele diz esperar forte pressão sobre os ativos locais, mas com impacto mais limitado; num horizonte mais longo, no entanto, a tensão social e a insatisfação de parte da população com os Poderes pode implicar num cenário de instabilidade política ao longo do governo Lula.

Para Kawa, os eventos adicionam "mais um vetor negativo a um cenário já desafiador para o país, e tende a manter os prêmios de risco nos ativos locais mais elevados por mais tempo".

EWZ RECUA MAIS DE 1% NO PRÉ-MERCADO EM NOVA YORK APÓS ATAQUES EM BRASÍLIA; AÇÕES NO EXTERIOR ACOMPANHAM

O EWZ, fundo de índice (ETF) de ações brasileiras listado em Nova York, opera em forte queda de 1,17% por volta das 7h38 (horário de Brasília).

O recuo acontece no dia seguinte à invasão dos prédios da Praça dos Três Poderes. Os analistas divergem quanto aos impactos do atentado nos negócios hoje.

Na última sexta-feira (06), o Ibovespa avançou 1,23%, aos 108.963 pontos.

Entre os ADRs (recibos de ações) de empresas brasileiras negociados em Wall Street, Petrobras e Vale operam em queda no pré-mercado, acompanhando o comportamento do EWZ. Outros ativos menos líquidos, no entanto, exibem um ligeiro tom positivo — vale ressaltar que, em alguns desses papéis, as últimas negociações ocorreram há algumas horas:

  • Petrobras (PBR): -1,07%
  • Vale (VALE): -1,93%
  • Eletrobras (EBR): 0,00%
  • Itaú Unibanco (ITUB4): +0,42%
  • Ambev (ABEV): +0,37%
  • Embraer (ERJ): +0,90%
  • CSN (SID): +0,64%
  • Gol (GOL): -0,34%
FUTUROS DE NOVA YORK OPERAM EM ALTA

Os índices futuros de Nova York sugerem a continuidade, nesta segunda-feira, do rali verificado na última sexta-feira em Wall Street.

Os investidores estão animados com a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) passar a adotar um ritmo mais moderado de alta dos juros num futuro próximo.

Confira:

  • S&P 500 Futuro: +0,45%
  • Dow Jones Futuro: +0,33%
  • Nasdaq Futuro: -0,51%
BOLSAS DA EUROPA ABREM EM LEVE ALTA

As bolsas de valores da Europa abriram em leve alta.

Os investidores da região repercutem o otimismo com a reabertura da fronteira entre China e Taiwan depois de quase três anos de restrições de tráfego por causa da pandemia.

Os participantes do mercado aguardam agora os números do desemprego na zona do euro.

Confira:

  • Frankfurt: +0,29%
  • Paris: +0,10%
  • Londres: -0,12%
BOLSAS DA ÁSIA FECHAM EM ALTA

As bolsas de valores da Ásia fecharam em alta nesta segunda-feira.

Os índices da região repercutiram a reabertura, no domingo, da fronteira entre China e Hong Kong, bem como o rali da última sexta-feira em Nova York.

A bolsa de valores de Tóquio não abriu hoje por causa de um feriado nacional no Japão.

Veja como fecharam as principais bolsas asiáticas hoje:

  • Seul: +2,63%
  • Xangai: +0,58%
  • Hong Kong: +1,89%
  • Taiwan: +2,64%
INTERVENTOR NO DISTRITO FEDERAL DIZ QUE ‘SITUAÇÃO ESTÁ CONTROLADA’

A situação no Distrito Federal está controlada.

A afirmação foi feita durante a madrugada por Ricardo Cappelli, nomeado interventor na segurança pública do Distrito Federal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depois das invasões e depredações das sedes dos três Poderes no domingo.

Em mensagem publicada no Twitter às 2h14 desta segunda-feira (9), Capelli informou ainda que as operações policiais na capital federal serão retomadas nas próximas horas.

“Tudo será devidamente apurado. Os criminosos continuarão sendo identificados e punidos”, escreveu o interventor no Twitter.

Anunciada por Lula para conter a violência dos bolsonaristas radicais, a intervenção na segurança pública do Distrito Federal vai durar até o dia 31.

BOLSONARO NEGA ENVOLVIMENTO EM TENTATIVA DE GOLPE

O ex-presidente Jair Bolsonaro negou envolvimento na tentativa de golpe promovida no domingo por seus apoiadores.

Depois de passar boa parte de seu mandato contestando a segurança das urnas e sem reconhecer publicamente a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro repudiou o que chamou de acusações sem provas contra seu alegado envolvimento nos atos golpistas, aos quais fez uma tímida crítica.

O ex-presidente deixou o Brasil em 30 de dezembro, dois dias antes da posse de Lula.

IBANEIS ROCHA É AFASTADO DO GOVERNO DO DF

O Supremo Tribunal Federal (STF) afastou do cargo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Assinada no início da madrugada desta segunda-feira (09) pelo ministro Alexandre de Moraes, a medida tem validade de 90 dias.

Com isso, a vice-governadora Celina Leão (PP) assume provisoriamente o cargo.

A decisão veio à tona horas depois da tomada da Praça dos Três Poderes por bolsonaristas radicais, em uma tentativa malsucedida de golpe.

Ao justificar o afastamento, Moraes notou o descaso e a conivência das autoridades distritais com os atos golpistas.

Além de Ibaneis, Moraes citou nominalmente Anderson Torres, que horas antes havia sido exonerado da função de secretário de segurança pública do DF.

Torres foi o último ministro da justiça sob Jair Bolsonaro.

APÓS TENTATIVA DE GOLPE, STF AFASTA IBANEIS ROCHA DO GOVERNO DO DF

RESUMO DO DIA: A semana nas bolsas começa sob o impacto da tentativa de golpe promovida por bolsonaristas radicais no domingo. No início da madrugada, Ibaneis Rocha (MDB) foi afastado do governo do Distrito Federal por 90 dias por descaso e conivência com os atos golpistas.

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