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Dificultando a transparência em relação ao tema, o governo impôs sigilo sobre 99% dos gastos com cartão corporativo
Dizem que segredo bem guardado é aquele que não se conta pra ninguém. Desde que os dados sobre os gastos com o cartão corporativo do presidente Jair Bolsonaro vieram à público, o assunto é observado com lupa.
Nesta sexta-feira (10), o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu abrir um procedimento interno para apurar se há gastos duplicados em contratos do governo federal e no cartão corporativo da Presidência.
O processo foi aberto a partir de uma representação do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO). O relator será o ministro Antonio Anastasia.
"Há despesas informadas na fatura do cartão e contratos firmados pela União para os mesmos serviços. É uma verdadeira farra com dinheiro dos impostos dos brasileiros. Queremos que as contas anuais do presidente sejam rejeitadas e os valores sejam devolvidos aos cofres públicos", afirma o parlamentar.
Uma auditoria do TCU, revelada pela revista Veja, identificou que, desde o início do governo Jair Bolsonaro (PL), os gastos corporativos somam mais de R$ 21 milhões.
O valor considera as faturas do presidente, da primeira-dama Michelle Bolsonaro e do entorno mais íntimo de ambos.
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O deputado também fez um levantamento com base em dados disponíveis no Portal da Transparência.
De acordo com Vaz, o governo pagou R$ 12,1 milhões a uma empresa para fornecimento de passagens, entre janeiro de 2020 e maio de 2022.
O Estadão trava uma batalha judicial pelo acesso às informações do cartão corporativo de Bolsonaro há dois anos.
O pedido de transparência cobra o direito de os jornalistas do veículo terem acesso à descrição de como o presidente faz uso dos recursos públicos para fins pessoais e organizacionais.
O valor dos gastos é divulgado pelo Portal da Transparência, mas a explicação sobre os produtos e serviços comprados é omitida.
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