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Fundador e estrategista-chefe da Empiricus vê Bolsonaro mais liberal caso seja reeleito ou um governo “Lula 1.3”, mais próximo do primeiro mandato do que do segundo
Será o novo “Fim do Brasil”? Felipe Miranda dificilmente escapa da pergunta em época de eleições. Afinal, foi com o famoso relatório em que antecipou a crise do país no segundo governo de Dilma Rousseff que o fundador e estrategista-chefe da Empiricus Investimentos ganhou as manchetes além das páginas de economia.
Mas desta vez Miranda não enxerga um cenário negativo para os mercados, incluindo a bolsa, com o resultado das urnas. E essa análise vale tanto para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro ou como para uma volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto.
“Todo mundo fala que eu deveria escrever outro ‘Fim no Brasil’, mas essas ideias não surgem todo dia. Até porque eu acho que a bolsa vai andar bem depois das eleições”, me disse Miranda, em uma entrevista no escritório da Empiricus Investimentos.
A própria Empiricus vive hoje um momento bem distinto da época em que frequentou o noticiário político. Com 450 mil clientes, uma plataforma de investimentos com R$ 12 bilhões em recursos e dois portais de notícias — incluindo o Seu Dinheiro — o grupo foi vendido no ano passado para o BTG Pactual.
Até agora, a bolsa brasileira não apenas tem resistido bem à polarização política que tomou conta do cenário eleitoral como também vem apresentando um desempenho relativamente melhor que os mercados internacionais.
Enquanto os índices das bolsas norte-americanas amargam quedas de mais de 20%, o nosso Ibovespa acumula uma alta de quase 10% em 2022.
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Mas para explicar o desempenho recente é preciso olhar para o que aconteceu no segundo semestre do ano passado, de acordo com Felipe Miranda. “A eleição não está fazendo tanto preço no sentido negativo porque a bolsa já está na bacia das almas.”
Para o estrategista da Empiricus, o resultado das eleições deve eliminar o chamado “risco de cauda” que o mercado ainda atribui de uma eventual crise institucional em caso de contestação do resultado das urnas.
“O mercado não espera ruptura, mas no momento em que de fato não houver, a coisa melhora. Ou seja, entre a expectativa e a materialização do fato, o que a turma das finanças comportamentais chama de 'efeito certeza', a eliminação do prêmio de risco associado à eleição será positiva.”
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEFelipe Miranda, Empiricus
Dentro dessa “essência macunaímica” do país, a expectativa do fundador da Empiricus é que um eventual governo Lula fique mais ou menos no meio termo entre as duas gestões do ex-presidente. Ou nas palavras de Felipe Miranda, um “Lula 1.3”.
Isso significa que o governo do petista deve ficar um pouco mais próximo ao mercado como foi o primeiro mandato do que a versão mais intervencionista que marcou os quatro anos seguintes. “Dado o nível de preço atual, acho que a bolsa anda bem com esse Lula 1.3.”
O cenário positivo para o mercado de ações também se sustenta caso Bolsonaro consiga a reeleição. Miranda inclusive espera uma gestão mais liberal que a primeira, quando o governo foi “forçado ao keynesianismo” a partir da pandemia da covid-19.
Para ele, a diferença entre Lula e Bolsonaro deve ficar menos no plano macro e mais nas ações que devem responder melhor à vitória de um ou de outro.
Com o petista, as ações do setor educacional e as incorporadoras de baixa renda devem se beneficiar. Já com Bolsonaro, as estatais tendem a apresentar um melhor desempenho na bolsa.
É claro que a perspectiva mais favorável para a bolsa vai depender também do mercado externo. Ou seja, o rumo das ações deve ser ditado pelo trabalho dos bancos centrais no combate à inflação e do risco de recessão, do ritmo da economia chinesa e da crise geopolítica com a invasão da Ucrânia.
Por isso, as recomendações da equipe de Felipe Miranda para os clientes da Empiricus têm se concentrado em dois grandes polos de alocação.
No primeiro, ele coloca bancos e commodities, que se beneficiam de um ambiente mais inflacionário e de juros altos. Do outro, as ações de empresas com exposição à economia doméstica.
Com a expectativa de agravamento da crise externa, o segundo grupo começa a ganhar preferência nas carteiras da Empiricus.
“O mercado está ficando cada vez mais preocupado com a China. A Europa está numa situação delicadíssima e o Fed precisa subir os juros nos Estados Unidos. Tudo isso vai bater no ritmo de crescimento global e afetar as commodities. Então a gente está procurando aumentar o peso no que a gente chama de cíclico doméstico.”
Além da exposição à economia brasileira, Felipe Miranda recomenda ações de empresas baratas, com qualidade e com liquidez.
Nesse grupo se sobressaem quatro papéis: Iguatemi (IGTI11), Cosan (CSAN3), Itaú Unibanco (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11). No último caso, o próprio estrategista da Empiricus lembra que ele também fala na condição de acionista do banco de investimentos.
Sobre a ressaca vivida pela bolsa após a euforia do breve período de juros baixos, Miranda avalia que faz parte dos ciclos de mercado. Com uma diferença: “Agora há quase 5 milhões de CPFs na bolsa. Então desta vez houve um processo educativo importante, que foi passar pelo processo na própria carne.”
Leia a seguir outros trechos e mais detalhes da entrevista:

“É fundamental a gente entender que a bolsa já entrou muito barata neste ano. Desde o final de junho de 2021, quando começa a questão da reforma do imposto de renda, o “meteoro” da PEC dos precatórios e as dificuldades todas do orçamento, o país travou por quatro meses. Em paralelo, a inflação já vinha dando sinais muito contundentes, e o que o Banco Central fez com isso? Elevou fortemente as taxas de juros.
Houve ainda um certo exagero de alocação em ações porque as pessoas físicas correram para a bolsa quando o juro foi baixo e depois se assustaram, então sacaram dos fundos de ações e das próprias posições diretas para comprar renda fixa. Tudo isso castigou demais a bolsa.
Então, a gente entra esse ano já muito barato e muito avançado no ciclo de aperto monetário, que tem reverberação para agora e me torna otimista.”
“O mérito brasileiro em termos relativos é em grande medida resultado do demérito alheio. Quando você começa a ver dentro dos BRICs [sigla para Brasil, Rússia, Índia e China], o Brasil não é propriamente um país muito pujante, mas a Rússia também não deve estar muito legal de morar nesse momento. A China enfrenta desafios no setor imobiliário e siderúrgico, e agora tem essa questão que vem sendo chamada quase como uma segunda guerra fria, com essa proximidade da Rússia. A Índia também aparece nessa relação supercomplicada. Então, meio que por exclusão, o Brasil acaba indo bem.”
“A eleição não está pesando, mas quando passar eu acho que bolsa vai andar bem porque sai o risco de cauda. O mercado não espera ruptura, mas no momento em que de fato não houver, a coisa melhora. Ou seja, entre a expectativa e a materialização do fato, o que a turma das finanças comportamentais chama de “efeito certeza”, a eliminação do prêmio de risco associado à eleição será positiva.
Agora eu não consigo ver exatamente um tema, ou uma metáfora. Todo mundo fala que eu deveria escrever outro fim no Brasil, mas essas ideias não surgem todo dia. Até porque eu acho que a bolsa vai andar bem depois das eleições, mas não é um momento de grande revolução. A bolsa vai andar, mas nesse caráter meio complacente, macunaímico, medíocre, que é a nossa natureza mais essencial.”
“A eleição não está fazendo tanto preço no sentido negativo, primeiro porque a bolsa já está meio na bacia das almas. Outra coisa que ficou clara nos últimos meses é que o populismo acontece à esquerda e à direita, então não sei se do ponto de vista prático há tanta diferença assim.
Já do ponto de vista ideológico, se você vai a um evento, o mercado financeiro claramente manifesta a sua preferência política, aplaudindo e ovacionando alguns ministros. Então existe, sim, uma predileção para um lado, mas se der o outro lado também tudo bem. Acho até que lá fora há um sentimento mais palatável ao Lula do que aqui dentro.”
“Um eventual segundo governo de Bolsonaro tenderia a ser mais liberal porque no primeiro ele foi forçado ao Keynesianismo. Depois da pandemia todo mundo teve que entrar e gastar. Inclusive o ministro Paulo Guedes disse aquela frase clássica de que leu Keynes três vezes no original. Então aquele cara de Chicago que pertencia ao liberalismo se colocou como Keynesiano porque naquele momento não tinha o que fazer.
Agora, eu também não tenho muito otimismo no sentido de grandes reformas no segundo governo Bolsonaro. Acho que ele foi cooptado demais, até pela necessidade, e você não vê no Congresso um discurso nesse sentido, de grandes reformas como ele conseguiu fazer na Previdência e de marcos regulatórios setoriais.”
“Hoje o favoritismo é do ex-presidente Lula. Se ele for eleito, nós na Empiricus acreditamos num governo mais de centro, mas também sem ingenuidade de que haverá reformas estruturais.
Não vejo exatamente um governo “Lula 1” [mais pró-mercado] nem “Lula 2” [mais intervencionista]. Talvez algo entre os dois, só que mais parecido com o Lula 1, porque todo o flerte tem sido mais nessa direção. Mas também tem certas agendas ele que vai ter que compor, por isso acho que vai ser uma coisa mais “Lula 1.3”. Dado o nível de preço da bolsa brasileira, acho que dá para andar bem com esse Lula 1.3.”
“Se o presidente Bolsonaro se reeleger, as estatais deveriam andar mais na bolsa, com a perspectiva de uma gestão melhor, com menos interferência e menor uso dos bancos públicos para fomentar o crédito. Com Lula, as empresas de educação e as incorporadoras de baixa renda tendem a ir melhor. Mas no geral acho que tudo iria bem.”
“Eu digo que o meu otimismo com o Brasil é em termos relativos porque eu tenho, sim, um medo sobre o comportamento da bolsa global. Por isso a gente tem um hedge [proteção] importante da nossa compra de ativos brasileiros, que é um short [posição vendida] em S&P 500 [índice da bolsa norte-americana], que a gente inclusive aumentou recentemente.
A gente tem muita dúvida do que é necessário fazer para a inflação convergir lá fora. Toda vez em que houve movimentos dessa natureza, a economia dos Estados Unidos entrou em recessão. Então a bolsa americana deveria ter múltiplos menores do que estão na conta hoje. Já houve essa queda, mas ainda talvez precisasse um pouco mais.”
“O Jerome Powell [presidente do Fed, o BC norte-americano] está numa escolha entre ser o Paul Volcker e o Arthur Burns. Claro que há um certo exagero na metáfora, mas ele vai ter que fazer essa escolha. O Burns foi o cara que começou a subir a taxa de juros nos anos 1970, mas resolveu parar quando a economia começou a dar uma embicada. O que aconteceu? A inflação veio galopante na cara dele na sequência. Ele foi obrigado a subir ainda mais o juro com atraso, o que gerou mais recessão e desemprego.
O Powell tem sinalizado e usado inclusive referências — e eles não usam essas palavras aleatoriamente — ao "keeping at it" do Paul Volcker, quando ele fala ‘olha, eu vou manter batendo’. Ou seja, ele deve levar de fato a uma campanha mais agressiva de taxa de juros. E aí, como falou o Ray Dalio, se o juro for para 4,5% a gente precisaria ver a bolsa caindo 20% lá fora.”
“O que a Empiricus tem recomendado e adotado é um ‘barbell’, ou seja, dois grandes polos de alocação de risco. De um lado bancos e commodities, porque um ambiente inflacionário favorece os dois setores. Do outro lado, as small e mid caps brasileiras, que estão muito amassadas.
Só que o mercado está ficando cada vez mais preocupado com a China. A Europa está numa situação delicadíssima, e o Fed precisa subir os juros nos Estados Unidos. Tudo isso vai bater no ritmo de crescimento global e afetar as commodities.
Então a Empiricus está procurando aumentar o peso no que a gente chama de cíclico doméstico, com ações de empresas de qualidade que se beneficiem desse Brasil melhor, mas que estejam baratas e tenham liquidez.
A gente encontra quatro nomes que preenchem esses requisitos, e estamos concentrando mais as nossas carteiras neles: Iguatemi (IGTI11), Cosan (CSAN3), BTG Pactual (BPAC11) e Itaú (ITUB4).
A bolsa hoje tem outros nomes baratos, mas que não estão com resultados bons, e outros de qualidade, mas com múltiplos altos. É o caso de Arezzo (ARZZ3). A gente gosta, mas não estamos comprando mais porque já tem um valuation premiado.”
“Cada ciclo de alta da bolsa tem o seu falso herói. Infelizmente, não há indicador antecedente maior de captação para bolsa do que performance recente. Os investidores compram bolsa nessa hora, quando deveriam comprar agora que o juro está alto e está barato, porque o juro é cíclico também.
Mas esse último ciclo trouxe uma diferença: agora há quase 5 milhões de CPFs na bolsa. Então desta vez houve um processo educativo importante, que foi passar pelo processo na própria carne. O investidor aprendeu que bolsa não sobe todo ano, que você não acha o novo Magazine Luiza na esquina todo dia. Isso é bem diferente dos ciclos anteriores para pessoa física.”
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