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Conflito entre dois players relevantes para o setor justifica, em alguma medida, as grandes flutuações dos preços do minério de ferro observados desde a invasão ucraniana, em 24 de fevereiro
A guerra entre a Rússia e a Ucrânia ainda não chegou ao fim, mas os vencedores já começam a aparecer. A disparada das commodities colocou as mineradoras e as siderúrgicas brasileiras no pelotão das grandes beneficiadas com o conflito, mas em uma disputa entre Vale (VALE3) e CSN Mineração (CMIN3), quem leva a melhor?
Para responder essa pergunta, precisamos primeiro olhar para o minério de ferro. Rússia e Ucrânia não são importantes apenas pelo petróleo e gás natural que fornecem ao mundo. Estima-se que os dois países respondam por 6,6% do total do minério produzido globalmente.
Por isso, a guerra entre players relevantes para o setor justifica, em alguma medida, as grandes flutuações dos preços do minério de ferro observados desde a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.
"Por um lado, no curto prazo há a tendência de aumento dos preços do minério de ferro com as sanções à Rússia, porém, com a redução drástica de oferta tanto do petróleo quanto do gás natural, os gastos com transportes, fretes e energia passarão a ter ainda mais relevância nas partes dos custos e despesas", diz Gabriel Tinem, analista da Genial Investimentos.
Considerando o cenário descrito por Tinem, a Vale se encontra mais bem posicionada por apresentar minério de qualidade superior e contratos de longo prazo para evitar exposição ao preço spot dos fretes.
A CSN Mineração deve surfar na alta dos preços do minério de ferro, mas por não adotar o mesmo procedimento da Vale, deve sentir o impacto da alta do custo do frete de forma negativa em seus resultados.
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A Vale também leva a melhor quando o assunto é o níquel, que nesta semana chegou a disparar sob os efeitos da guerra.
A mineradora é a segunda maior produtora da matéria-prima usada para produção de baterias elétricas e que é essencial para a chamada economia de baixo carbono.
Em 2021, o níquel representou cerca de 6% da receita total da Vale, ainda um número pequeno se comparado aos minerais ferrosos, que correspondem a 85% do total.
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Segundo a Genial, existe o risco de choque de oferta pelas potenciais sanções a Moscou que podem afetar os negócios da russa Norilsk Nickel - a maior produtora mundial de níquel - embora, até o momento, não haja medidas restritivas contra a companhia.
"É fácil notar que, em caso de sanções sobre a empresa, a beneficiada mais clara disso é a Vale, segunda maior produtora mundial, tanto do lado de volume de produção quanto dos aumentos dos preços", disse Tinem.
Nessa frente, quem leva a melhor é a CSN (CSNA3). Isso porque o Brasil é um grande exportador de produtos siderúrgicos para os Estados Unidos, sobretudo os semiacabados, que devem se manter em patamares elevados, ainda mais com as sanções às indústrias russas.
Esse cenário beneficia, por exemplo, a CSN, que obteve na América do Norte 18,9% da sua receita de exportação. Além disso, Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) também devem aproveitar um cenário favorável por possuírem negócios na região.
Tinem lembra que, embora para diversos países as sanções na Rússia representem uma oportunidade de entrar em novos mercados, do lado brasileiro, um problema comum é o custo-Brasil do aço, o que torna os produtos siderúrgicos locais menos atrativos.
Dentre eles, se encontram os custos de frete, logística, altas tributações e gastos com insumos - sobretudo carvão, que é importado devido a sua qualidade superior.
Na produção de aço bruto mundial em 2021, a Rússia ocupou a 5ª posição com 4% do total, enquanto a Ucrânia a 14ª com 1,1% do total.
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