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Flavia Alemi

Flavia Alemi

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA. Trabalhou na Agência Estado/Broadcast e na S&P Global Platts.

Frustração

Santander (SANB11) no 3T22: as expectativas do mercado para o balanço já eram baixas, mas…

Resultados do Santander Brasil no terceiro trimestre frustraram até quem estava mais pessimista com o banco

Flavia Alemi
Flavia Alemi
26 de outubro de 2022
12:59 - atualizado às 18:23
Agência do Santander Brasil; banco chega a acordo com fundo imobiliário
Agência do Santander Brasil - Imagem: Divulgação

Se os analistas já esperavam um resultado ruim do Santander Brasil (SANB11) no terceiro trimestre, a realidade conseguiu ser ainda pior.

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Na reportagem que publicamos na segunda-feira (24) sobre as expectativas para os balanços dos bancos, destacamos que os analistas já antecipavam contração do lucro e aumento da inadimplência para o Santander.

Mas, mesmo assim, os resultados frustraram até os mais pessimistas.

O lucro líquido gerencial somou R$ 3,122 bilhões. Embora tenha ficado pouco acima do consenso da Bloomberg de R$ 2,991 bilhões, o número representa um tombo de 23,5% em relação ao segundo trimestre e de 28% frente ao mesmo período do ano passado.

A rentabilidade (ROE) também despencou 5,2 pontos percentuais no trimestre e 6,8 pontos na comparação anual, para 15,6%.

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“As principais tendências operacionais decepcionaram: margens com clientes, trading, tarifas, provisões e despesas operacionais”, afirmou o UBS BB em relatório.

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Além disso, a inadimplência continuou avançando, ainda que a um ritmo mais lento.

As dívidas vencidas há mais de 90 dias chegaram a 3% ao final de setembro, alta de 0,11 ponto percentual (p.p.) em relação ao trimestre anterior e de 0,58 p.p. na comparação com o mesmo período do ano passado.

Essa alta contida mostra que o Santander atuou em duas frentes para manter os índices sob controle: conservadorismo na concessão de crédito e alto nível de renegociações das dívidas dos clientes.

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A carteira de crédito cresceu 4% em relação ao trimestre passado, para R$ 566 bilhões, puxada pelo crédito a grandes empresas e por consignado e imobiliário entre as pessoas físicas.

“Essas linhas, mais conservadoras, fizeram com que o spread médio caísse em 0,8 ponto porcentual, para 11%. Com isso, a margem financeira bruta (receita de juros menos custos de captação) caiu 1%, para R$ 12,6 bilhões”, apontou a analista Larissa Quaresma, da Empiricus Investimentos.

Ao mesmo tempo, as operações de crédito renegociadas cresceram 11,7% no trimestre e somaram R$ 35,381 bilhões em setembro de 2022.

“Nós já imaginávamos que o Santander publicaria números piores do que nossos modelos, mas a magnitude foi maior do que o esperado e nós não estávamos contando que a margem com os clientes fosse cair de um trimestre para o outro”, frisaram os analistas do BTG Pactual.

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Ação do Santander entre as maiores quedas do Ibovespa

O resultado pior do que o esperado penalizou as units do Santander na bolsa brasileira, que chegaram a liderar entre as maiores quedas do Ibovespa. Os papéis SANB11 fecharam em baixa de 5,26%, a R$ 28,47.

O desempenho puxou as ações dos outros bancos grandes, que publicam seus resultados daqui a duas semanas. As expectativas apontam que o Bradesco deve ter um balanço igualmente negativo. Em contrapartida, os analistas esperam que Itaú e Banco do Brasil apresentem bons números.

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