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Governo australiano revoga visto do tenista pela 2ª vez; com dezenas de milhões de dólares em jogo, sérvio promete recorrer, mas agora com pouca chance de sucesso
Novak Djokovic é de longe o tenista que melhor tirou proveito financeiro da era de ouro do tênis.
O sérvio encontra-se atualmente empatado com Roger Federer e Rafael Nadal em termos de Grand Slams. Cada um deles tem vinte conquistas. Todos são recordistas.
No total de títulos individuais, porém, ninguém supera Federer. O suíço conta com 103 conquistas. Bem mais do que Nadal (85) e Djokovic (80).
Atualmente com 34 anos, Djokovic é um pouco mais jovem que seus concorrentes. O ápice de sua carreira coincidiu com um reajuste nas premiações que o transformou em líder neste quesito.
Com isso, ao longo da carreira, Djokovic faturou US$ 154,76 milhões em prêmios. A fortuna equivale a R$ 850 milhões.
Ele é seguido por Federer, com US$ 130,6 milhões, e Nadal, com quase US$ 125 milhões.
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Djokovic deveria estrear no Aberto da Austrália na segunda-feira diante de seu compatriota Miomir Kecmanovic.
Ele desembarcou no país oceânico em 6 de janeiro na condição de favorito. Detentor de nove conquistas em Melbourne, Djokovic é o maior vencedor da era aberta na Austrália.
O que ele talvez não esperasse era uma reação contundente das autoridades australianas a seu posicionamento pessoal contrário à vacinação.
Djokovic foi retido no aeroporto de Melbourne depois de não fornecer às autoridades locais uma explicação convincente para entrar no país sem vacina contra a covid-19.
A vacinação contra a doença é um tema sensível na Austrália. O governo local vem impondo duras medidas de restrição à circulação de pessoas desde o início da pandemia.
Ao desembarcar, além de ter ticado pelo menos uma opção inverídica no formulário de entrada no país, Djokovic, que já testou positivo para o novo coronavírus em pelo menos duas ocasiões desde o início da pandemia, informou dispor de uma isenção de vacina concedida pelos organizadores do torneio.
Na percepção das autoridades locais e de boa parte dos australianos, porém, ele tentou dar uma “carteirada” baseado apenas na fama e na fortuna.
Do aeroporto, Djokovic foi encaminhado a uma casa de passagem para imigrantes que não cumprem as exigências do governo para entrar na Austrália
A presença de Djokovic no hotel para imigrantes acabou chamando a atenção do mundo para a situação de dezenas de estrangeiros mantidos no local por tempo indeterminado pela Austrália.
Os manifestantes que protestam diariamente contra a situação degradante dos estrangeiros barrados ao chegarem ao país em busca de asilo ou de oportunidades de trabalho ganharam companhia e holofotes.
Dezenas de simpatizantes do sérvio realizaram protestos por sua libertação em frente ao Park Hotel, como é denominada a casa de passagem, atraindo a mídia do mundo inteiro.
A tenista checa Renata Voracova, também barrada ao chegar sem vacina à Austrália para jogar o torneio, caracterizou o abrigo temporário como “uma prisão”.
Djokovic recorreu à justiça australiana na tentativa de evitar a deportação. Um juiz então permitiu a entrada do tenista no país alegando que as autoridades imigratórias não teriam adotado os procedimentos corretos com o sérvio.
No mesmo dia em que foi solto, o tenista dirigiu-se ao Melbourne Park para treinar e preparar-se para a estreia.
Hoje, porém, o ministro de Imigração da Austrália, Alex Hawke, bancou a prerrogativa de ter a palavra final sobre o assunto e cancelou o visto de Djokovic.
O ministro baseou sua decisão em preocupações com a saúde pública e a manutenção da ordem.
"Os australianos fizeram muitos sacrifícios durante essa pandemia e têm o direito de exigir que o resultado de seus sacrifícios seja preservado", declarou Hawke.
O tenista pretende recorrer novamente à justiça, mas agora com poucas chances de sucesso, segundo especialistas.
Além da deportação, Djokovic corre o risco de passar três anos sem poder entrar na Austrália.
Quando brilhava nos gramados do mundo, Pelé chamou a atenção não só pelo futebol, mas também por falar sobre si mesmo em terceira pessoa.
Dentro de campo era o Pelé, fora era o Édson.
A seu modo, Novak Djokovic também dissocia o homem do atleta.
Dentro da quadra, Djoko é o atual tricampeão e maior vencedor do Aberto da Austrália. Chegou a Melbourne como favorito. Já o Novak...
Desde o início da pandemia, os feitos esportivos de Djokovic ganharam a concorrência de seu comportamento pessoal em relação a uma doença que já causou a morte de mais de 5,5 milhões de pessoas em todo o mundo desde seu surgimento, há pouco mais de dois anos.
Dos cem primeiros colocados atualmente no ranking masculino da ATP, somente três não se vacinaram. E o Novak é um deles.
Caso realmente não consiga jogar em Melbourne por não se vacinar, além do risco de ver Federer ou Nadal se isolarem com os maiores campeões de Grand Slams, Djokovic abrirá mão da disputa por um prêmio de US$ 3,19 milhões.
Para quem já faturou mais de US$ 150 milhões apenas em prêmios, que diferença fariam esses pouco mais de US$ 3 milhões?
Mais do que a premiação em quadra, porém, Djokovic é também um dos atletas mais bem remunerados do mundo em termos de patrocínio.
Especialistas em marketing esportivo calculam que o sérvio faturou quase US$ 30 milhões junto a patrocinadores somente no ano passado.
Djokovic possui contratos milionários com empresas como Lacoste, Hublot, Peugeot, Asics e Head, todas com grande exposição entre quem acompanha o tênis.
“Não acho que o gerente do banco dele precise ficar preocupado. Mas os patrocinadores definitivamente estão acompanhando atentamente os desdobramentos”, disse ao jornal inglês The Telegraph o especialista em finanças Marcel Knobil, fundador da Superbrands, uma entidade especializada na avaliação de marcas.
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O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.
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