BRF (BRFS3), JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) ou Minerva (BEEF3): quais as preferidas do Inter no setor de frigoríficos?
A exposição ao exterior e à carne bovina são cruciais aos frigoríficos, como BRF (BRFS3), JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3)

Um dos setores com melhor desempenho da bolsa nos últimos 12 meses, os frigoríficos ainda têm espaço para continuar surfando o contexto de demanda elevada por proteína animal no exterior, preços altos e dólar forte. Dito isso, o Banco Inter fez uma análise dos quatro grandes players desse segmento — BRF (BRFS3), JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3) — , ponderando os pontos fortes e fracos de cada um daqui para frente.
Em relatório assinado pela analista Gabriela Joubert, o banco ressalta que, em linhas gerais, a dinâmica positiva para os frigoríficos deve continuar sendo observada no curto prazo: por mais que uma normalização entre oferta e demanda comece a ser verificada, ainda há espaço para que as empresas sigam reportando bons resultados, especialmente as exportadoras e focadas em carne bovina.
E essas ressalvas já servem como guia para a visão do Inter: BRF (BRFS3), mais ligada ao mercado doméstico e com maior exposição a aves e suínos, possui recomendação neutra; já JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3), exportadoras e com forte presença em carne bovina, possuem recomendação de compra. Veja abaixo o resumo:
| Empresa | Preço-alvo anterior (R$) | Novo preço-alvo (R$) | Cotação (29/04) (R$) | Potencial de alta | Recomendação |
| BRF (BRFS3) | 26,00 | 23,00 | 13,58 | 69,4% | Neutra |
| JBS (JBSS3) | 47,00 | 51,00 | 37,85 | 34,7% | Compra |
| Marfrig (MRFG3) | 27,00 | 29,00 | 18,75 | 54,7% | Compra |
| Minerva (BEEF3) | 16,00 | 17,00 | 13,13 | 29,5% | Compra |
BRF (BRFS3): Desafios maiores, mas sem pessimismo
No caso da BRF (BRFS3), o Inter destaca que há desafios adicionais em relação às outras empresas do setor: por um lado, a empresa tem lidado com pressões inflacionárias maiores em sua cadeia produtiva; por outro, o poder de compra deteriorado da população tende a afetar suas vendas.
Essas dificuldades devem ser sentidas principalmente ao longo da primeira metade de 2022, arrefecendo ao longo do segundo semestre. "Nossas perspectivas para 2022 são de um top line [receita líquida] estável quando comparado ao histórico, porém, com custos avançando fortemente, o que vem a prejudicar as margens da BRF", escreve Joubert.
Outro ponto de preocupação da JBS em relação à BRF diz respeito aos níveis de endividamento: a empresa fechou 2021 com um nível de alavancagem considerado elevado, de 3,12 vezes. Por fim, as incertezas quanto à participação ativa da Marfrig (MRFG3) no dia a dia da companhia também inspiram cautela.
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Dito tudo isso, o banco pondera que, nos últimos anos, a dona da Sadia e da Perdigão tem feitos inúmeros investimentos para melhorar a qualidade de seus produtos e avançar no front da inovação; a presença maior no exterior, especialmente no mercado Halal, também ameniza parte dessas dúvidas.
Confira as prévias do Inter para a BRF no primeiro trimestre:
- Receita líquida: R$ 10,8 bilhões (+1,8% a/a);
- Ebitda: R$ 957 milhões (-25,8% a/a);
- Lucro líquido: R$ 148 milhões (+558% a/a).
[captacao]
JBS (JBSS3): diversificação é chave
No caso da JBS (JBSS3), o Inter mostra-se otimista quanto à estratégia de diversificação do portfólio adotada pela empresa: por mais que seu foco seja a carne bovina, a companhia hoje atua numa vasta gama de proteínas animais. Em termos geográficos, a atuação global da JBS também é vista como ponto positivo.
"Para 2022, temos uma perspectiva positiva para JBS, com resultados ainda fortes, dado a sua consolidação e acessibilidade a diversos mercados, mas com margens mais comprimidas em consequência das dificuldades da cadeia", escreve a analista.
Quanto à atuação da JBS no exterior, especialmente no mercado americano — o grande impulsionador dos resultados da companhia ao longo de 2021 —, o Inter destaca que o desempenho deve permanecer forte no curto prazo, embora ligeiramente abaixo do passado recente. A alavancagem baixa, 1,52 vez, é outro fator favorável à empresa.
Veja as projeções do Inter para a JBS no trimestre:
- Receita líquida: R$ 76,6 bilhões (+1,8% a/a);
- Ebitda ajustado: R$ 7,37 bilhões (+9,8% a/a);
- Lucro líquido: R$ 4,7 bilhões (+102% a/a).
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Marfrig (MRFG3): solidez contínua
Para a Marfrig (MRFG3), o Inter destaca uma dinâmica semelhante à da JBS, com resultados ainda robustos de exportações aos EUA, embora ligeiramente mais fracos que os vistos em 2021 — a National Beef, divisão que atende o mercado americano, responde por quase 75% da receita da companhia.
As operações da Marfrig na América do Sul também devem continuar tendo um bom desempenho: Joubert ressalta que há a perspectiva de resistência da demanda aquecida e crescimento do volume, dando impulso à empresa.
"No mercado doméstico, cenário desafiador persiste e vem a depender da melhora do quadro econômico, no entanto, tendência de leve arrefecimento dos preços da proteína bovina com avanço da oferta de animais podem impulsionar o consumo a partir do segundo semestre", escreve a analista — veja as projeções para a Marfrig no primeiro trimestre:
- Receita líquida: R$ 20,7 bilhões (+20,6% a/a);
- Ebitda: R$ 2,75 bilhões (+70,7% a/a);
- Lucro líquido: R$ 925 milhões (+82,7% a/a).
Minerva (BEEF3): otimismo com o mercado doméstico
Por fim, o Inter destaca que a Minerva (BEEF3) conseguiu bons resultados no quarto trimestre de 2021 apesar do cenário desfavorável, um sinal da boa gestão da companhia — a forte presença na América do Sul ajuda a mitigar os riscos associados ao mercado doméstico.
"Um ponto importante de ressaltar, é que em um cenário de custos crescentes no mundo, a América Latina possui vantagens produtivas com a pecuária extensiva, o que a faz obter margens superiores quando comparado com os países competidores", escreve Joubert.
Outro destaque da Minerva é a sua política de remuneração aos acionistas, com a distribuição mínima de 50% do lucro — em 2021, foram pagos R$ 400 milhões aos investidores, o que implica num payout de 67% e dividend yield de 6,2%. Veja as estimativas do Inter para a Minerva no trimestre:
- Receita líquida: R$ 7 bilhões (+21,3% a/a);
- Ebitda: R$ 624 milhões (+31,4% a/a);
- Lucro líquido: R$ 301 milhões (+16% a/a).
FACA AFIADA
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