Futebol combina com lucro? Conheça os principais candidatos a SAF e para que tipo de clube ela pode ser mais interessante
Porte do clube faz diferença na hora de se decidir pela possibilidade de transformação em Sociedade Anônima do Futebol

Pequeno, médio ou grande? O porte dos clubes brasileiros faz diferença na hora de se decidir pela possibilidade de transformação em Sociedade Anônima do Futebol.
Assim avaliam os especialistas consultados pelo Seu Dinheiro. Esta é a segunda reportagem em que contamos tudo sobre o investimento em times de futebol.
À medida que mais informações sobre as SAFs vêm à tona, fica mais claro que a cisão entre a área social e o departamento de futebol é mais interessante para clubes pequenos e médios do que para os grandes.
“Ainda é um mercado novo, mas, neste primeiro momento, a transformação em Sociedade Anônima de Futebol parece um caminho mais vantajoso para os clubes pequenos e médios, principalmente se a finalidade do investidor for o lucro.”
Carlos Aragaki, sócio responsável pela área de Esporte Total da BDO
Apesar de, até o momento, os negócios confirmados envolverem dois dos mais tradicionais times do futebol brasileiro, a única outra negociação confirmada em andamento entre os clubes de maior torcida do país tem o Vasco como protagonista.
Nas transações envolvendo os grandes, o que eles parecem ter em comum é uma situação financeira periclitante aliada a uma grande dificuldade de geração de caixa.
“Quem bate primeiro na porta são os que precisam de reestruturação”, diz Eduardo Perazza, sócio da área de contencioso do Machado Meyer Advogados. “Os dirigentes dos outros clubes estão monitorando a situação, principalmente a reação dos torcedores.”
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Endividamento não é exclusividade
O endividamento elevado não é uma exclusividade de Cruzeiro ou Botafogo. Praticamente todos os clubes de destaque no futebol brasileiro apresentam dívidas na casa das centenas de milhões de reais. A diferença entre eles é a liquidez.
Palmeiras e Atlético Mineiro dispõem de mecenas. Flamengo e Corinthians contam com cotas de televisão, patrocínios e receita com bilheteria que asseguram elevado fluxo de caixa. Recentemente, o quarteto ingressou no mundo dos criptoativos, assim como São Paulo e Internacional de Porto Alegre, por meio da emissão de tokens.
Reação de torcedores preocupa
Um fator relevante de preocupação dos dirigentes que se veem hoje na posição de observadores é a reação das torcidas.
Exemplo disso foi a resposta do diretor financeiro do Corinthians, Wesley Melo, ao ser questionado sobre a possibilidade de o clube adotar o modelo.
“A torcida do Corinthians é muito peculiar. E do ponto de vista financeiro e estratégico, não vejo nenhuma necessidade neste momento. Vamos ver o que vem de experiência para os próximos anos”, declarou ele durante entrevista coletiva no início da temporada de 2022.
No Cruzeiro, a dispensa do goleiro Fábio desencadeou protestos ruidosos entre os torcedores. Nos corredores do clube, a demissão de funcionários com décadas de trabalho dedicado à Raposa também causou mal-estar.
“O clube ter um dono pode ser muito complicado para os dirigentes atuais. Mesmo com altas dívidas, se o clube tiver liquidez, pra que lidar com isso agora? No fim do dia, a transformação em SAF por si não vai fazer milagre.”
Eduardo Perazza, sócio da área de contencioso do Machado Meyer Advogados
É esse entendimento que mantém dirigentes de clubes como Corinthians, Santos, São Paulo, Fluminense, Grêmio e Bahia na posição de observadores.
A quem interessar possa
Diversos clubes pequenos e médios já se movimentam para cindir suas respectivas áreas sociais do departamento de futebol.
A Chapecoense já deu esse passo. Também causou surpresa o fato de o Juventus estar perto de ser convertido em SAF.
Símbolo do futebol-raiz na cidade de São Paulo, o conselho deliberativo do Moleque Travesso prepara-se para votar o tema. E já conta com uma empresa interessada. É o grupo italiano Almaviva, do setor de tecnologia da informação.
O caso do Juventus é um bom termômetro de como a reação dos torcedores precisa ser observada por clubes de maior expressão.
“Muita gente está reclamando, questionando a possibilidade de transformação do clube, mas é um time que há tempos só joga divisões inferiores do Paulistão e a Copa Paulista, que não disputa títulos”, diz Aragaki.
“O Juventus já teve 200 mil associados nos anos 1980, mas hoje tem apenas algumas centenas de sócios adimplentes e a direção partiu em busca de uma solução.”
A lista só cresce
A cada dia que passa, a lista de clubes convertidos ao novo formato de gestão do futebol ganha novos nomes.
América-MG, Chapecoense, Coritiba, Figueirense e Gama já alteraram seus respectivos estatutos para cindir a área social do departamento de futebol e agora buscam investidores.
Com Juventus e Vasco preparando-se para votar a conversão em SAF, outros times mencionados na imprensa esportiva como possíveis candidatos à mudança são Avaí, Londrina, Joinville, Portuguesa e Tupi-MG.
Além deles, um clube que sempre atrai comentários quando se fala em inovações no modelo de gestão é o Athletico Paranaense.
Noiva pronta
Em novembro do ano passado, o presidente do Furacão, Mario Celso Petraglia, confirmou o interesse do clube em converter-se numa SAF. Não sem um pouquinho de folclore.
“Quero passar a tranquilidade que, uma vez aprovado, uma vez aberto o capital, nos tornaremos a noiva mais bonita do mercado no Brasil. E já estamos sendo procurados por vários noivos”, declarou Petraglia na ocasião.
ESTRUTURAS INTACTAS
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