Vale a pena fazer o seguro do seu carro por uma insurtech? Conheça os serviços das empresas que querem ser o ‘Nubank’ do seguro
Muitos brasileiros já abriram mão de ter conta em um banco tradicional por instituições digitais como o Nubank. Mas será que o mesmo é válido para contratar o seguro do seu carro?

Esta é a realidade de muitos brasileiros donos de carros: trabalham em casa, mas usam o veículo eventualmente. Por usá-lo pouco, acham caro pagar por um seguro tradicional. Mas moramos no Brasil. Numa volta pelo quarteirão, até a padaria, aquele veículo pode ser furtado, roubado ou batido. E lá se vai um patrimônio valioso!
É impensável para alguns tirar o carro da loja sem proteção. E aqueles complicados e caros contratos ganharam alternativas. As insurtechs, palavra que mistura, em inglês, seguradoras com tecnologia, aos poucos conquistam a confiança dos motoristas.
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Demorou um pouco, mas os bancos digitais, cada vez mais, merecem a preferência dos brasileiros. E assim vem sendo também com as insurtechs, que, em geral, são startups especializadas em ferramentas tecnológicas para atuar no ramo de seguros, parecidas com o que vemos com as fintechs no setor financeiro.
Facilidade de uso, menos burocracia e coberturas muitas vezes não atendidas por grandes seguradoras são os principais atrativos.
Muitos brasileiros já abriram mão de ter conta em um banco tradicional por instituições digitais como o Nubank. Mas será que o mesmo é válido para contratar o seguro do seu carro?
“A tendência é de uma democratização maior do seguro, e para que classes menos favorecidas do ponto de vista econômico comprem seguros. Isso pode trazer uma inclusão e aumentar o nível de penetração no Brasil, que hoje é baixa”, explica Lucio Anacleto, sócio-líder de riscos financeiros da KPMG no Brasil.
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Para se ter ideia, essa penetração é um índice global que se refere à relação total de receita de seguros comparada com o PIB. Enquanto no Brasil ela gira em torno de 6,7%, em países mais desenvolvidos está acima de 10%.
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Como trabalham as insurtechs que fazem seguro de veículos
Aqui vamos tratar da proteção para automóveis, que até um tempo atrás era feita apenas pelas seguradoras tradicionais, regulamentadas pela Susep (ou Superintendência de Seguros Privados).
De acordo com a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg), 70% da frota brasileira não possui cobertura de seguro. “As insurtechs são muito ligadas à experiência do cliente. Elas criam ofertas de produtos diferenciados e orientados para a necessidade do cliente”, conta Anacleto.
Por meio de aplicativos, softwares, inteligência artificial, learning machine, telemática, internet das coisas e outros recursos, as insurtechs buscam estar mais próximas dos clientes, de forma digital, eficiente e com menos burocracias.
Com atuação simplificada e personalizada, essas empresas possuem estrutura mais enxuta e digital. Segundo um estudo da Distrito, plataforma de inovação aberta e transformação digital, 70% das insurtechs têm menos de 20 funcionários.
Parceiras e não concorrentes
O especialista da KPMG comenta que as insurtechs estão na moda porque há cerca de dois anos a Susep permitiu uma flexibilização do segmento, com mais opções, como apólices com reembolso automático, seguro por utilização (pay-per-use) e até seguros de partes do carro (por exemplo, só a frente).
“Isso ficou muito pró-cliente, que tem necessidades mais específicas. A maioria vem com essa proposição, o que vem atraindo investimento e também atraído as próprias seguradoras”, avalia.
Para quem pensa que as insurtechs concorrem com as grandes seguradoras, na verdade, elas são empresas menores que podem ser adquiridas ou até prestar um serviço para complementar os da seguradora.
E também servir a nichos de mercado nem sempre atendidos pelas tradicionais: carros velhinhos (mais de 10 anos), recuperados de sinistro e comprados de leilão, por exemplo.
Vácuo no mercado
Para se ter ideia, nos últimos cinco anos, o volume de insurtechs triplicou no país, de olho nesse vácuo de mercado. E por que são mais acessíveis? Porque suas soluções tecnológicas permitem entender melhor cada cliente, de forma mais dinâmica.
Se antes as tradicionais seguradoras usavam um perfil engessado, no qual, por exemplo, quem usava muito o carro pagava um seguro próximo do que aquele motorista que mal saía de casa, hoje os algoritmos são aliados para entender o segurado e reduzir custos, para quem, nesse caso, representa menos risco.
Por meio das insurtechs, os clientes estão mais alinhados às tendências dos autosserviços por canais digitais. Podem fazer planos mensais (e não só anuais) e têm à sua disposição o seguro apenas quando usam o carro, ou pay-per-use.
Já leu um contrato de seguro? Provavelmente não, e se assinou, muita coisa pode ter passado desapercebida. As insurtechs, por sua vez, prometem descomplicar as informações, com apólices mais simplificadas, assinaturas mensais e que podem ser canceladas sem multa. Também são mais claras com seus benefícios, preços e coberturas.
Quem dirige bem paga menos seguro
Os valores precisam ser analisados com calma, porque de acordo com Lucio Anacleto, o preço em si não é um diferencial, e sim sua flexibilidade. Enquanto a grande seguradora busca volume de negócio, a insurtech vai para o nicho ou para clientes das classes C, D e E.
Por exemplo, quem dirige pouco ou dirige bem. A Darwin, por meio de inteligência artificial (IA), identifica a forma de dirigir, o que pode garantir descontos de até 30%, a partir do score, de 0 a 100 em comportamento. Quem dirige menos também paga menos.
Premiar bons motoristas e cobrar seguro intermitente são os chamarizes da Justos. A Pier, insurtech que também virou seguradora pelo Sandbox da Susep, diz que oferece um serviço com valor 30% abaixo do mercado, incluindo carros de leilão, de donos com dívidas ou CPF negativado, carros em nomes de terceiros e motoristas de aplicativo, entre outros.
Nem tudo são flores
Por serem relativamente novas no Brasil, você verá muitas coisas favoráveis em relação às insurtechs, baixo índice de reclamações e facilidades.
Mas a falta de um atendimento ampliado, como canal de distribuição via corretores ou bancos, pode frustrar clientes menos acostumados a lidar apenas com tecnologia.
Todas as seguradoras têm chatbots e outros meios de atendimento digital, nem sempre apreciados, enquanto uma boa parcela dos clientes valoriza o contato humano. Mas a proposta enxuta das insurtechs não prevê necessariamente isso.
O uso de telemetria para entender o perfil do motorista e até premiá-lo não é exclusivo das startups. Grandes seguradoras também fazem uso de novas tecnologias até como forma de prevenção: caso o motorista esteja próximo de uma região alagada, o sistema vai alertá-lo por meio de mensagens.
O sócio-líder de riscos financeiros da KPMG acredita que as insurtechs estão numa onda de crescimento, tendem a crescer, ganhar mais visibilidade, sempre complementando algo que as grandes seguradoras não têm ou algo diferenciado para atacar um nicho.
Existe uma tendência também delas serem adquiridas pelas seguradoras, ou fazer alianças, e ainda ficarão com uma fatia pequena do mercado. “Tem mercado para todos, para as tradicionais e as novatas, mas o crescimento das insurtechs, no curto prazo, não será expressivo. No médio e longo prazo terão um volume maior”, diz Anacleto.
“As insurtechs olham muito para o público jovem, totalmente digital, que quer facilidade, quer preço competitivo e não se preocupa com as grifes dos seguros tradicionais (atreladas à confiança). Essas maiores, por sua vez, têm atendimento físico ou diferenciado no call center, mas cobram mais por isso”, complementa o especialista.
7 Dicas antes de contratar um seguro:
- O ideal (sempre) é pesquisar. Conforme suas necessidades e forma de usar o carro, você pode escolher uma insurtech ou uma seguradora;
- A empresa precisa ser autorizada pela Susep;
- As insurtechs prometem contratos mais transparentes, mas seja por elas ou por seguradoras tradicionais, entenda quais são as coberturas oferecidas;
- Verifique os tipos de franquias e as que se encaixam no seu bolso;
- Cheque o prazo de indenização em caso de furto ou roubo e a forma como a empresa calcula o valor (tabela Fipe ou outro tipo de tabela);
- Saiba como é a assistência em caso de acidente com pequena ou média monta: quais oficinas ou redes estão previstas para essa cobertura;
- Às vezes um preço alto camufla benefícios: você precisa mesmo de serviços como carro reserva, motorista reserva, chaveiro, desconto em estacionamentos ou até mesmo um profissional para executar serviços em sua casa? Se a grana estiver curta, reavalie esses adicionais e procure seguradoras ou insurtechs que montam um plano sob medida.
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