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IBGE registra deflação de 0,68% ante junho, a maior do Plano Real; preços foram puxados para baixo pelos combustíveis
Faltou combustível para a inflação em julho. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou no mês passado a maior deflação desde a implementação do Plano Real, em 1994. Agora analistas já revisam suas projeções para os próximos passos do Banco Central (BC) em relação à taxa Selic.
O IPCA registrou variação negativa de 0,68% de junho para julho, informou na manhã de hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O resultado veio em linha com a mediana das estimativas dos analistas consultados pelo Broadcast, de -0,66%.
Em 12 meses até julho, porém, a inflação segue em dois dígitos. Os preços acumulam alta de 10,07% em um ano, também em linha com a estimativa de +10,09%.
Na avaliação do Banco Santander, o dado “reforça a impressão de que o pior já passou em termos de inflação”.
A primeira deflação em base mensal registrada pelo IPCA desde maio de 2020 teve como catalisador principal a variação negativa dos preços dos combustíveis.
A redução de impostos sobre os preços de energia somou-se às quedas do petróleo e da taxa de câmbio no período, fazendo com que os preços dos combustíveis recuassem 14,15% em julho.
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A gasolina representou a maior queda dentre todos os itens considerados no IPCA (-15,48%).
No grupo de combustíveis, a queda da gasolina foi seguida pelo etanol (-11,38) e pelo gás veicular (-5,67%).
Já o óleo diesel acelerou a alta, passando de +3,82% em junho para +4,59% em julho.
Embora os preços tenham caído em julho e a impressão seja de que o pior já tenha passado, o movimento era esperado e nada no IPCA de julho sinaliza mudança na interpretação do Banco Central de que a inflação só irá convergir para o centro da meta em 2024.
Também divulgada na manhã de hoje, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, mantém a indicação de que as metas de inflação para 2022 e 2023 estão perdidas.
O BC projeta inflação de 6,8% em 2022, 4,6% em 2023 e 2,7% em 2024. As metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para esses anos são de 3,50%, 3,25% e 3,00%, respectivamente.
No entanto, o vocabulário empregado pelo BC na ata foi considerado mais dovish do que o do comunicado divulgado ao término da reunião da semana passada, quando a taxa Selic foi elevada a 13,75% ao ano.
Isso significa que os analistas consideraram que, quando comparados os dois documentos, a retórica da autoridade monetária foi atenuada.
“A ata do Copom sugere que a Selic 13,75% ao ano pode ser suficiente”, afirma Mirella Hirakawa, economista sênior da Az Quest.
O documento deixa claro que uma nova alta residual da taxa básica de juro estará na pauta da reunião do Copom marcada para setembro.
Entretanto, ela será adotada apenas no caso de uma surpresa. E essa surpresa vai depender dos indicadores disponíveis até o encontro dos dias 20 e 21 de setembro.
Até lá, o BC terá à disposição novos dados de inflação e atividade econômica, especialmente do setor de serviços.
Diante disso, os especialistas começam a refazer suas projeções para a taxa Selic. Antes da ata, boa parte dos analistas considerava que o Copom poderia levar a taxa de juros a 14,00% ao ano. Alguns falavam até em 14,25%.
Para Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, o ciclo de aperto monetário terminou na reunião de agosto.
“No final das contas, interpretamos que o comunicado acabou mostrando que havia uma possibilidade maior de elevação do que a ata nos faz acreditar”, disse ele ao anunciar a revisão da projeção.
O Banco Santander Brasil vai na mesma linha. “No geral, nós sentimos que a ata reafirma que o plano de voo do BC será pausado”, afirma Mauricio Oreng, superintendente de pesquisa macroeconômica da instituição.
“Isso contradiz claramente nossa avaliação anterior de que a Selic seria elevada em mais 25 pontos-base em setembro, para 14,00% ao ano”, prossegue Oreng.
Embora a Ativa e o Santander tenham sido mais assertivos ao revisarem suas projeções, outras casas mantêm alguma cautela.
Isso porque o BC mantém-se aberto a discutir uma nova elevação da Selic em setembro.
“A ata do Copom deixou transparente a estratégia de fim de ciclo de alta de juros, com a possibilidade de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião como remota”, disse Débora Nogueira, economista-chefe da Tenax Capital.
Para Mirella Hirakawa, da AZ Quest, há uma divisão “meio a meio entre a chance de manter e a de subir 25 pontos-base”.
Enquanto novos dados não vêm, a AZ Quest mantém sua projeção de que a Selic irá a 14,00% ao ano em setembro.
De qualquer modo, caso o Copom opte por escalar mais um degrau no ciclo de aperto monetário em andamento, a Selic não deve ir além desse nível.
Ao mesmo tempo, a perspectiva é de que um futuro ciclo de alívio monetário não comece antes de meados de 2023.
“Se os indicadores de atividade melhorarem, devemos seguir com taxa prolongada por mais tempo”, afirma Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed.
Para ele, o Copom deve elevar a Selic a 14,00% ao ano na reunião de setembro e só então encerrar o aperto monetário.
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